| Dança
do Ventre, a mais feminina das artes O Clone, nova novela da Globo, no ar a partir de 1º de outubro, traz para as telas muitas questões tão em discussão atualmente, além da clonagem, o islamismo, principalmente por causa dos bárbaros atentados contra os EUA. Discute-se, como nunca, a religião e a cultura árabes, confunde-se islamismo com extremismo e, graças a Deus, ou a Alá, ou ao nome que quiserem dar a um deus único, o próprio presidente Bush falou desta diferença e do perigo de se cair num preconceito que pode nos tornar quase tão errados quanto os próprios terrorristas. Enfim, muitas serão as polêmicas criadas pelos temas da novela. Eu tive o privilégio de ser convidada a falar ao AMCC do mais leve dos temas que ela vai tratar, a Dança do Ventre. Sou bailarina há nove anos e professora desta modalidade há seis. Cada dia aprendo um pouco mais, é infinito o mundo do conhecimento. Tenho certeza que ainda há muito a aprender, principalmente porque estamos tratando de uma arte milenar e arquetípica. Um
pouco de História Toda tradição agrícola é, portanto, dependente dos ciclos naturais, das luas, das chuvas, dos ventos, do sol, do frio, do calor. Da mesma forma as mulheres, com seu ciclo menstrual mensal, estão submetidas à natureza e, portanto, aptas a entendê-la e a revivê-la em seus corpos, como de fato o fazem todos os meses. Nos mitos do Egito antigo não é diferente, Ísis e Osíris foram os responsáveis por ensinar ao povo o cultivo da terra e o conhecimento das ervas. Os rituais de fertilidade, principalmente a parte primordial do mito, que dá conta da vida e do renascimento eram, portanto, em honra a estes deuses, embora muitos movimentos tenham incorporado outros deuses do panteão egípcio Apesar, e até por causa de tudo que foi dito até agora, parece-me necessário reconhecer que a Dança do Ventre possa ter se iniciado em vários lugares e de várias formas ao mesmo tempo. Além disso, se examinarmos as diferentes culturas no mundo encontraremos os movimentos sinuosos dos quadris, por exemplo, entre os ciganos, entre os havaianos, entre os africanos e com certeza muitos outros. Tal qual é conhecida atualmente, é certo que a Dança do Ventre egípcia chegou até nós cheia de influências e um tanto modificada pelos caminhos que percorreu. Difícil dizer até que ponto os ritmos, os instrumentos e os movimentos foram alterados, mas sabe-se que os árabes e suas inúmeras conquistas de reinos orientais foram os responsáveis pela sua difusão, modificada em suas origens e transformada em festa, em alegria, o que também não deixa de ser uma celebração à vida.
Por
que a Dança do Ventre? Acredito,
ainda, que exista um motivo arquetípico para a busca da Dança-do-Ventre.
O resgate de uma feminilidade reprimida por séculos de religião
e cultura machista. Ao longo dos anos e do cristianismo, as deusas femininas foram
sendo substítuidas por deuses puramente masculinos. Pois bem. Responda
rápido, se você for mulher, quantas vezes sente falta de ter uma
atividade só sua, sagradamente feminina? Aí está o verdadeiro
motivo, esquecido mas vivo e latente dentro de nós. A necessidade de um
ritual sagrado feminino, que nos faça
Benefícios
da Dança Há inúmeros outros efeitos. Primeiro, ganha-se cintura mais fina e formas mais arredondadas, por conta dos movimentos ondulatórios, que queimam as gordurinhas e trabalham os músculos da cintura e dos quadris. Trabalha-se respiração, contração e distensão do ventre, para aprender a tão famosa ondulação, o que resulta em músculos abdominais mais fortes e definidos (isto ajuda enormemente no parto). Não, Dança-do-ventre não dá barriga, isto é mito. Além disto, há os movimentos que exigem agachamento constante, o que exercita enormemente as pernas. É de baixo impacto, portanto, não prejudica as articulações e ainda exige um trabalho constante de alongamento, o que dá mais flexibilidade e leveza, além de proteger os músculos de distensões. Como se não bastasse tudo isto, há mais. Os movimentos de ventre estimulam os órgãos internos, portanto, diminuem cólicas menstruais e podem acabar com prisão de ventre. Sem falar na postura, que se beneficia do alongamento geral, promovido pelos exercícios, e das posições mesmo da dança, que exigem quadris encaixados, busto e ombros bem posicionados. Tudo isto sem contar o alongamento das mãos, que pode ajudar a prevenir tendinites, os movimentos de busto e de pescoço, que mexem com partes do corpo muito raramente trabalhadas em outros exercícios.
Outra pergunta freqüente é se a Dança influencia na sexualidade. Ora, é claro que sim, pois se você passa a se amar mais, fica com sua energia mais equilibrada, sente-se mais feminina e sensual, é claro que seu desempenho sexual será melhor. Louvada seja a dança, que tudo exige e fortalece, saúde, mente serena e uma alma encantada O que procurar em uma aula de dança do ventre
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