Dança do Ventre, a mais feminina das artes

Colaboração da professora e bailarina Márcia Amar

Um pouco de HistóriaPor que a Dança do Ventre?BenefíciosE a auto estima?

O Clone, nova novela da Globo, no ar a partir de 1º de outubro, traz para as telas muitas questões tão em discussão atualmente, além da clonagem, o islamismo, principalmente por causa dos bárbaros atentados contra os EUA. Discute-se, como nunca, a religião e a cultura árabes, confunde-se islamismo com extremismo e, graças a Deus, ou a Alá, ou ao nome que quiserem dar a um deus único, o próprio presidente Bush falou desta diferença e do perigo de se cair num preconceito que pode nos tornar quase tão errados quanto os próprios terrorristas.

Enfim, muitas serão as polêmicas criadas pelos temas da novela. Eu tive o privilégio de ser convidada a falar ao AMCC do mais leve dos temas que ela vai tratar, a Dança do Ventre. Sou bailarina há nove anos e professora desta modalidade há seis. Cada dia aprendo um pouco mais, é infinito o mundo do conhecimento. Tenho certeza que ainda há muito a aprender, principalmente porque estamos tratando de uma arte milenar e arquetípica.

Um pouco de História
Mas vamos à dança. Onde e quando ela nasceu? Qual sua história?
Difícil precisar em que época nasceu a Dança do Ventre. O ventre tem sido arquetipicamente considerado como o jarro sagrado, o caldeirão alquímico no qual se origina a nova vida. Todas as civilizações agrícolas tinham seus rituais de fertilidade. Para os celtas, que adoravam uma deusa mãe, a saúde da terra era ligada à saúde do rei - rei doente, terra doente, e a fertilidade das mulheres estava largamente relacionado à fertilidade da terra. O próprio cristianismo é um herdeiro dessa tradição. Cristo precisou morrer e renascer, como as sementes que precisam ser enterradas para que seus frutos venham a aparecer.

Toda tradição agrícola é, portanto, dependente dos ciclos naturais, das luas, das chuvas, dos ventos, do sol, do frio, do calor. Da mesma forma as mulheres, com seu ciclo menstrual mensal, estão submetidas à natureza e, portanto, aptas a entendê-la e a revivê-la em seus corpos, como de fato o fazem todos os meses.

Nos mitos do Egito antigo não é diferente, Ísis e Osíris foram os responsáveis por ensinar ao povo o cultivo da terra e o conhecimento das ervas. Os rituais de fertilidade, principalmente a parte primordial do mito, que dá conta da vida e do renascimento eram, portanto, em honra a estes deuses, embora muitos movimentos tenham incorporado outros deuses do panteão egípcio

Apesar, e até por causa de tudo que foi dito até agora, parece-me necessário reconhecer que a Dança do Ventre possa ter se iniciado em vários lugares e de várias formas ao mesmo tempo. Além disso, se examinarmos as diferentes culturas no mundo encontraremos os movimentos sinuosos dos quadris, por exemplo, entre os ciganos, entre os havaianos, entre os africanos e com certeza muitos outros.

Tal qual é conhecida atualmente, é certo que a Dança do Ventre egípcia chegou até nós cheia de influências e um tanto modificada pelos caminhos que percorreu. Difícil dizer até que ponto os ritmos, os instrumentos e os movimentos foram alterados, mas sabe-se que os árabes e suas inúmeras conquistas de reinos orientais foram os responsáveis pela sua difusão, modificada em suas origens e transformada em festa, em alegria, o que também não deixa de ser uma celebração à vida.

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Por que a Dança do Ventre?

A grande maioria das alunas procura a dança porque quer fazer algum tipo de exercício, mas um exercício que lhe dê prazer, que lhe faça sentir-se bem. Nem todas querem tornar-se profissionais.

Acredito, ainda, que exista um motivo arquetípico para a busca da Dança-do-Ventre. O resgate de uma feminilidade reprimida por séculos de religião e cultura machista. Ao longo dos anos e do cristianismo, as deusas femininas foram sendo substítuidas por deuses puramente masculinos. Pois bem. Responda rápido, se você for mulher, quantas vezes sente falta de ter uma atividade só sua, sagradamente feminina? Aí está o verdadeiro motivo, esquecido mas vivo e latente dentro de nós. A necessidade de um ritual sagrado feminino, que nos faça
sentirmo-nos fortes, poderosas, conhecedoras da magia como eram as antigas sacerdotisas.

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Benefícios da Dança
Mas há benefícios para o corpo, propriamente dito? Sim, há muitos. Quando se está aprendendo, a Dança do Ventre não queima muitas calorias. Aos poucos, com o encadeamento dos passos e o desenvolvimento de coreografias o gasto calórico aumenta, pois aumenta também a atividade aeróbica.

Há inúmeros outros efeitos. Primeiro, ganha-se cintura mais fina e formas mais arredondadas, por conta dos movimentos ondulatórios, que queimam as gordurinhas e trabalham os músculos da cintura e dos quadris. Trabalha-se respiração, contração e distensão do ventre, para aprender a tão famosa ondulação, o que resulta em músculos abdominais mais fortes e definidos (isto ajuda enormemente no parto). Não, Dança-do-ventre não dá barriga, isto é mito. Além disto, há os movimentos que exigem agachamento constante, o que exercita enormemente as pernas. É de baixo impacto, portanto, não prejudica as articulações e ainda exige um trabalho constante de alongamento, o que dá mais flexibilidade e leveza, além de proteger os músculos de distensões.

Como se não bastasse tudo isto, há mais. Os movimentos de ventre estimulam os órgãos internos, portanto, diminuem cólicas menstruais e podem acabar com prisão de ventre. Sem falar na postura, que se beneficia do alongamento geral, promovido pelos exercícios, e das posições mesmo da dança, que exigem quadris encaixados, busto e ombros bem posicionados. Tudo isto sem contar o alongamento das mãos, que pode ajudar a prevenir tendinites, os movimentos de busto e de pescoço, que mexem com partes do corpo muito raramente trabalhadas em outros exercícios.

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E a auto-estima?
É pouco? É sim, diante de todos os outros benefícios. Desenvolve-se uma consciência corporal enorme. Aprende-se a amar o corpo não por ser feio ou bonito conforme os padrões estéticos, mas por ser belo em seus movimentos, por ser mais suave na forma de andar, por ser mais sensual. Aprende-se a olhar cada pedacinho do corpo com olhos de quem se gosta. Chegamos aqui ao que talvez seja um dos maiores benefícios da Dança do Ventre, que é desenvolver a auto-estima. E aí é mais fácil emagrecer, vestir-se melhor, cuidar-se mais, querer o melhor para si.

Outra pergunta freqüente é se a Dança influencia na sexualidade. Ora, é claro que sim, pois se você passa a se amar mais, fica com sua energia mais equilibrada, sente-se mais feminina e sensual, é claro que seu desempenho sexual será melhor.

Louvada seja a dança, que tudo exige e fortalece, saúde, mente serena e uma alma encantada

O que procurar em uma aula de dança do ventre

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