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O
exemplo do homem que é pai de 70 crianças
e adolescentes

Transformar
a dor em caridade não é fácil. Após perder,
em fevereiro de 2001, sua pequena filha Gabriele, de apenas seis anos,
em um atropelamento, o jornalista Francisco Sogari, que estava com Gabi
no momento do acidente, viu-se na situação de dor de tantos
pais que perdem seus amados filhos vítimas da violência.
Porém, juntamente com a esposa, a pedagoga Iracema Sogari, ele
decidiu transformar sua dor em um gesto de amor: o casal fundou o Instituto
Gabriele Barreto Sogari, conhecido como Instituto Gabi, ong que atualmente
cuida de 70 crianças e adolescentes deficientes.
Instalado no bairro de Vila Santa Catarina, na zona Sul de São
Paulo, o Instituto Gabi em poucos anos tornou-se referência no
atendimento dos portadores de deficiência. Com o trabalho social,
o casal Sogari encontrou um novo sentido para sua vida. "Hoje minha
vida mudou completamente. A dor continua, mas vejo que a Gabriele está
presente no semblante dos deficientes que são atendidos na casa
a ela dedicada", revela Sogari.
O jornalista divide seu tempo como professor universitário em
duas universidades e na gestão deste projeto social. "Ainda
encontro tempo para me dedicar à família, sobretudo ao
João Filipe, filho de 11 anos, com quem jogo futebol e torço
fanaticamente para o Internacional" declara Francisco
O Instituto Gabi é, hoje, uma referência na política
pública de atendimento à pessoa com deficiência
na Cidade de São Paulo. As 70 crianças e adolescentes
acolhidas na organização recebem atendimento diário,
durante quatro horas, nas áreas da saúde, educação
e cultura. Além disso, a instituição desenvolve
outras ações junto às famílias destas crianças
por meio da orientação psicossocial e de um projeto de
geração de renda.
O Instituto Gabi conta com uma qualificada equipe de profissionais.
Parte deles é remunerada, mas ainda há uma parcela de
voluntários. "Nosso projeto social promove de fato e de
direito a inclusão social das pessoas com deficiência.
Nossos profissionais, sejam funcionários ou voluntários,
desenvolvem seu trabalho com profissionalismo e competência, aliado
à sensibilidade e compaixão com estas pessoas que são
duplamente excluídas", destaca Sogari.
Mas o desafio é grande. A lista de espera não pára
de crescer. "Hoje temos cadastradas mais de 130 famílias
que aguardam uma oportunidade para serem atendidas. Paramos de fazer
cadastro para não prometer o que não podemos cumprir por
falta de recursos. Fazemos a nossa parte, mas queremos que o poder público
cumpra seu papel", afirma o fundador do Instituto Gabi.
A esposa Iracema, que é pedagoga pós-graduada,com experiência
de 20 anos em educação especial conhece bem a realidade
destas pessoas. "O atendimento do serviço público
é deficitário. Uma escola especial é muito cara,
passa de R$ 1 mil. As instituições que deveriam acolhê-las
acabam encaminhando para nós", declara Iracema Sogari.
O casal busca a auto-sustentabilidade do projeto. "Conseguimos
atender gratuitamente 70 crianças e adolescentes com deficiência.
A Prefeitura cobre apenas parte dos gastos. A receita restante provém
de trabalho e generosidade, muito empenho na captação
de recursos e a resposta de pessoas e empresas que são sensíveis
e apostam em nosso trabalho. Queremos que o projeto seja viável,
auto-sustentável e gere mais divisas para atender as famílias
que batem às portas do Instituto em busca de uma vaga",
conclui Iracema.
O Instituto Gabi batalha também para adquirir sede própria.
O espaço onde funciona o projeto social é alugado e com
problemas de acessibilidade. "É o nosso sonho maior sonho,
finaliza o Jornalista.
A história de vida do Francisco e da Iracema serve de exemplo
para tantos pais que perderam seus filhos, vítimas de diferentes
formas de violência, doença ou por outras causas. É
um grande sinal de esperança e uma bela lição de
cidadania que não pode passar esquecida neste dia 8 de agosto,
Dia dos Pais.
Francisco Sogari aponta os dez principais motivos que o levaram a ser
um voluntário por mundo melhor. Acompanhe:
1- Porque acredito que o amor é a única força capaz
de transformar o homem e o mundo;
2- Se eu uso energia para tantas coisas, por que não posso
usar uma parte para o bem?
3- Porque Deus me dá 168 horas semanais. Por que não doar
algumas horas da semana ou do mês como forma de gratidão
a Deus?
4- Porque estou fazendo a minha parte e não espero que a mudança
caia do céu;
5- Porque tenho a convicção de que no trabalho voluntário
mais do que dar eu estou recebendo;
6- Porque acredito na vida futura e na outra dimensão, onde o
mais importante não são os diplomas, a fama, o dinheiro,
os bens materiais, mas sim o bem que tiver feito ao meu próximo;
7- Porque ser voluntário não requer especialização
nem ter muitas posses, basta abrir o coração e doar-se
para o próximo;
8- Porque ingresso num triplo movimento: dar o peixe na hora da fome,
ensinar a pescar para que a fome não volte e criar condições
para que haja pesca, dignidade, justiça social, etc.
9- Porque acredito numa frase que minha filha pronunciou com apenas
seis anos: Quem ajuda os outros é feliz.
10- Porque hoje temos bons recursos técnicos que permitem voluntariar
sem sair de casa, ajudando projetos sociais em várias áreas:
eventos, divulgação, campanhas e outras iniciativas.
Para doar objetos,
brinquedos e roupas, ou oferecer trabalho voluntário, deve-se
estabelecer contato com o Instituto Gabi, pelo telefone (11) 5564-7709,
pelo email institutogabi@terra.com.br
ou consultando o site www.institutogabi.org.br.
02 de agosto de 2010
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