Time do Emprego resgata habilidade, auto-estima e cidadania do trabalhador


O trabalhador que procura emprego ou corre o risco de perdê-lo, e mesmo o que precisa reorientar sua carreira ou está próximo da aposentadoria, já pode contar com um aliado para essas situações. É o Time do Emprego, programa desenvolvido pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), que tem como objetivo apoiar e promover a reintegração do trabalhador. Para isso, leva em conta não apenas a recolocação do profissional no mercado, mas o resgate de suas habilidades, auto-estima e cidadania, bem como o aprendizado de modernas ferramentas e técnicas.

“Buscando conhecer-se melhor, fazendo suas escolhas conscientemente, traçando e planejando como atingir suas metas, o participante do Time do Emprego desenvolve um processo a caminho da auto-realização”, define Cynthia de Carvalho Ribeiro, responsável pelo programa. Destinado a maiores de 16 anos e que tenham, no mínimo, concluído a 8ª série, o time procura recuperar as habilidades e conhecimentos dos participantes, estabelecendo metas de desenvolvimento pessoal e profissional. Dessa forma, podem retornar mais facilmente ao mercado, preenchendo um posto de trabalho formal ou criando seu próprio negócio.

O conteúdo é desenvolvido em 16 encontros, cada um com três horas de duração, realizados uma vez por semana. Depende das características da equipe na qual será aplicado, da localidade onde se reúnem e dos equipamentos de que dispõem. Um time de trabalhadores de uma comunidade praiana, por exemplo, apresentará necessidades, ritmo, linguagem e, conseqüentemente, resultados diferentes dos de um time de um município industrializado.

União e apoio
Os participantes (cerca de 25 por time) avaliam suas potencialidades e atributos; elaboram currículo e treinam para entrevistas, redações e testes; recebem orientação para planejamento financeiro e trabalho por conta própria e conhecem a importância do estabelecimento de metas e da rede de contatos.

“Assim, os trabalhadores unem-se e trocam experiências na busca de emprego ou ocupação”, explica Cynthia. A criação do programa foi uma demanda do próprio trabalhador em razão da realidade do mercado, que exige que ele tenha consciência de suas habilidades e conhecimentos e esteja pronto para fazer suas escolhas profissionais (inclusive por conta própria), gerindo sua carreira.

Cada time é acompanhado por dois facilitadores. São profissionais com mais de 25 anos, capacitados pela Sert, formados ou cursando Psicologia ou Pedagogia e que tenham desejo sincero de ajudar os trabalhadores na construção da sua auto-estima. Para participar do programa é preciso verificar se ele está disponível no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) mais próximo da residência do interessado.

Há times na região metropolitana de São Paulo e no interior: Itapecerica da Serra, Jaguariúna, Piracicaba, Rio Claro, Santa Isabel, Santana de Parnaíba, São Sebastião e Poupatempo de Guarulhos. Para este ano, a Sert planeja a instalação do programa nas regionais de São Paulo e em outros Estados.

Mais de 70% dos participantes retornaram ao mercado de trabalho
Segundo os facilitadores, de 2001 a 2003, quase 1,2 mil pessoas concluíram o programa - 59 times. Desses, 815 (ou 71%) conseguiram retornar ao mercado. Um dos destaques em recolocações é o PAT do Poupatempo de Guarulhos. Neste ano, 83% dos participantes voltaram ao mercado profissional. O Time do Emprego tem como base programa similar desenvolvido no Canadá.

A Sert analisou modelos internacionais que pudessem ser utilizados para aumentar as chances de retorno dos trabalhadores ao mercado e concluiu que o sistema e a experiência canadenses, aprovados em vários países, eram os apropriados à realidade brasileira. O projeto-piloto com adaptações foi aplicado há quatro anos no PAT de Guarulhos, antes da criação do Poupatempo local. Desenvolvido em 16 semanas, teve 39 participantes, 11 dos quais desistiram por constatarem que somente a participação nos encontros não lhes garantiria uma vaga.
Dos 28 restantes, 23 (ou 82,1%) conseguiram, até o último dia do encontro, recolocação, independentemente do tempo em que estavam desempregados (menos ou mais de um ano). A partir daí a secretaria, por meio da análise dos resultados e do depoimento dos interessados, decidiu transformar o projeto-piloto num programa, depois de adaptá-lo à realidade do País.

Facilitadoras estimulam participantes
Telefonista durante oito anos, Márcia, 36, entrou para o contingente de desempregados do País. Começou a freqüentar o PAT do Poupatempo Guarulhos em busca de cursos gratuitos para se preparar para o mercado. Foi quando a chamaram para participar do Time do Emprego. “A princípio, pensei que conseguiria um emprego direto, mas com certeza auxiliou-me muito mais do que se eu tivesse conquistado esse tão esperado emprego direto”, afirma a telefonista, que participou entre janeiro e maio.

Um aspecto que chamou a sua atenção nos encontros foi o estímulo das facilitadoras, elevando o moral do time mesmo diante das negativas que recebem na procura pelo trabalho. Ricardo, 21 anos, freqüentou o mesmo grupo de Márcia. Diz que aprendeu “bastante sobre dinâmica, testes de raciocínio lógico, matemáticos, de Português, como fazer um bom currículo, entrar em contato com o empregador e comportar-se numa entrevista”. Para Diego, 18 anos, que busca o primeiro emprego, 16 encontros não foram suficientes, “pelo muito que o programa tem a oferecer”.

Fonte: Agência Imprensa Oficial - Paulo Henrique Andrade

Voltar para a Seção Cidadania
Voltar para a Página Principal