Brascri auxilia na busca do primeiro emprego


A ONG Brascri - Associação Brasil Criança - vem ajudando jovens de baixa renda na busca do primeiro emprego. Por meio do Programa de Educação para o Trabalho (PET), em parceria com o Senac, os adolescentes são orientados sobre como se portar em entrevistas e no ambiente profissional. Eles ainda têm a chance de vivenciar na prática o que aprenderam na teoria.

Flávio Damasceno de Almeida, 19 anos, Poliane Sabino da Silva, 18, e Hudson Santos Vieira, 19, são três exemplos de resultados da atuação Brascri. Damasceno avalia que aprendeu muito com o PET. "Aprendi a me portar no emprego", diz o rapaz que, depois de um ano trabalhando sem registro em carteira em uma locadora de vídeo, foi contratado pela Drogasil, encaminhado pela Brascri. Há um mês, ele e mais cinco egressos da mesma turma do curso, formados em agosto de 2003, trabalham na empresa. O rapaz mora com a mãe no Grajaú e é o único com emprego fixo na casa. Com seu salário, Damasceno pretende ajudar no orçamento doméstico e investir em cursos técnicos. "Não esperava que a Brascri fosse me chamar depois de tanto tempo. Com o que aprendi no PET, me saí bem na entrevista e consegui um bom trabalho. Agora, tenho perspectivas de crescer na empresa, ganho melhor e sou registrado", conta o jovem, comparando sua situação atual com a do antigo ofício.

Poliane é deficiente, portadora de luxação congênita, que deixa uma de suas pernas menor que a outra. Por esse motivo enfrentou dificuldades para arrumar emprego. "Não posso ficar muito tempo em pé. Sofri um certo preconceito, pois preciso de um trabalho com adaptações", diz. Pelo PET, ela estagiou na C&A, em agosto desse ano. Ao final da Estação de Vivência - experiência prática desenvolvida durante a passagem dos jovens pelo PET, Poliane foi contratada pela empresa. Ela trabalha sentada no atendimento ao cliente. "Certamente não estaria lá se não fosse pelo apoio da Brascri. Eu nunca procuraria emprego na C&A, achava que não ia gostar do trabalho por ter que ficar em pé, o que não aconteceu. Com o curso, aprendi a me portar no trabalho e a aproveitar as chances que aparecem", comenta.

Hudson Vieira também já vê os resultados da oportunidade. Desde fevereiro, trabalha como assistente administrativo na CSD Geoclock, empresa que faz estudos de impacto ambiental. "No começo eu só tirava xerox. Agora faço até as compras da empresa", fala orgulhoso. Com seu salário ele sustenta a casa em Cidade Dutra, onde mora com a mãe e a irmã, ambas desempregadas. A única fonte de renda da família é o salário do jovem. Seu pai, falecido há um ano, trabalhava como autônomo e não pagava a previdência social, o que não permitiu pensão à família. "A Brascri é responsável pelo que eu faço hoje. O curso mudou muita coisa na minha vida. Agora eu tenho perspectiva de um futuro melhor", explica feliz.

O PET oferece seis meses de curso. Os alunos recebem noções teóricas sobre a realidade geral do país, o mercado de trabalho e a sociedade. Na parte final, os jovens participam da Estação de Vivência, estágio de 10 dias em empresas conveniadas com o Senac, que supervisiona os estudantes nesse período. Mesmo que não sejam efetivados pelas empresas onde estagiaram, os jovens saem mais preparados para procurar novas oportunidades. Durante o curso, a ONG oferece vale-transporte e lanche aos alunos. A Brascri acompanha os estudantes por mais três anos depois do término do PET, encaminhando-os para entrevistas de empregos e novos cursos.

Voltar para a Seção Cidadania
Voltar para a Página Principal