Centro de Ensino Profissionalizante Rotary atende alunos surdos

Instituição realiza projeto piloto do Programa de Capacitação Básica para o Trabalho voltado a jovens surdos de baixa renda da região de Cotia.


Desde o início de 2005, 17 alunos compõem uma classe específica para surdos no Centro de Ensino Profissionalizante Rotary (CEPRO), mantido pela Fundação de Rotarianos de São Paulo, que atende gratuitamente jovens de baixa renda matriculados na rede pública de ensino. Há anos, a instituição já atende alunos surdos, com o auxílio de intérpretes de Libras (Língua Brasileira de Sinais), mas pela primeira vez foi criado um projeto piloto com sala exclusiva. "Um grupo de surdos nos procurou e percebemos que seria mais interessante e produtivo montar uma turma piloto do Programa de Capacitação Básica para o Trabalho (PCBT), em Libras", explica Susana Penteado, coordenadora técnica do CEPRO.

O PCBT - com duração de pouco mais de três meses - tem o objetivo de desenvolver no aluno um conjunto de competências básicas compatíveis com as atuais exigências do mercado de trabalho, tendo a consciência de sua cidadania, com direitos e deveres. Após esta etapa, o aluno opta por um dos 8 cursos específicos oferecidos pelo Programa de Capacitação Específica para o Trabalho.

O conteúdo do curso é igual ao dos alunos ouvintes. A única diferença é que as aulas são ministradas por uma educadora fluente em Libras, que já atuava como intérprete do CEPRO, afirma Susana. O grupo de alunos surdos é formado por jovens entre 14 e 17 anos, estudantes da Escola de Educação Básica Fundação Bradesco - Jardim Conceição em Osasco. Dos 17 alunos, apenas três não concluíram o ensino fundamental na EECS (Escola Especial para Crianças Surdas), também mantida pela FRSP. "Quando eu estudava na EECS, via sempre os alunos do CEPRO e tinha vontade de estudar aqui também. Agora tenho 15 anos e estou aqui me preparando para o futuro. Esta experiência está sendo boa, pois as informações que tenho recebido estão me ajudando a enxergar e descobrir quem sou eu no relacionamento familiar e social", afirma a aluna Bárbara Heines C. Cordeiro.

Guilherme Henrique T. dos Santos, 16 anos, destaca a importância da convivência com alunos e educadores do CEPRO. "Estudar aqui tem sido importante porque estou tendo a oportunidade de conviver e ter uma troca com os ouvintes. Para o meu futuro profissional isso é fundamental, pois em qualquer empresa que eu for trabalhar a maioria das pessoas será de ouvintes".

Terminado o processo de formação, todos os alunos recebem orientação profissional através do Programa de Inserção Laboral. Os três jovens surdos que se formaram em 2004 já conquistaram seu espaço no mercado de trabalho e atuam em empresas da região de Cotia.

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