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Proposta
político-pedagógica do CDI promove a inclusão social
e permite que jovens se transformem em protagonistas sociais Atividades realizadas dentro das Escolas de Informática e Cidadania (EIC), organizadas pelo CDI, são exemplos de como inserir o jovem na sociedade Usar a tecnologia em favor da inclusão social e transformar jovens em protagonistas sociais. Esse é o grande desafio do Comitê para a Democratização da Informática (CDI), ONG que tem como missão institucional promover a inclusão social utilizando as novas tecnologias de informação e comunicação como instrumento para a construção e exercício da cidadania. Para isso, o CDI trabalha com uma proposta político-pedagógica baseada nas propostas do sociólogo Paulo Freire, que diz que a verdadeira educação deve ser voltada para a conscientização e a transformação da sociedade. Segundo o coordenador do CDI - São Paulo, Rodrigo Alvarez, durante o curso - realizado nas Escolas de Informática e Cidadania (EIC) - os alunos aprendem como utilizar a tecnologia em questões do dia-a-dia, e não somente a utilizar a ferramenta, como editor de texto e planilha eletrônica. "Enquanto os alunos vão discutindo questões do cotidiano, da comunidade em que vivem, e as formas de resolver seus problemas, eles percebem que a tecnologia está a favor deles e que é possível, com essa tecnologia, transformar sua realidade", explica Alvarez. A EIC Gotas de Flor com Amor, que funciona dentro do Programa Social Gotas de Flor com Amor, no Brooklin, ao lado das favelas Buraco Quente, Comando e Piolho, é um exemplo de como isso acontece na prática. Em 2004, as três favelas passaram por incêndios (o acontecido na favela Buraco Quente causou mais danos). Os alunos da EIC - que moram na região (e muitos na favela) se mobilizaram e realizaram uma campanha de arrecadação de mantimentos, roupas, colchões etc. Para isso, eles fizeram, no computador, um cadastro das famílias que moravam no local, panfletos convocando os moradores da região a participarem da campanha de doação e, antes da distribuição dos produtos arrecadados, cadastraram as doações para que todos pudessem ser atendidos. "É esse tipo de envolvimento, de iniciativa, que buscamos dentro da proposta político-pedagógica do CDI", comenta o coordenador do CDI-SP. "Dessa forma, a tecnologia se desmistifica e, no momento em que é utilizada de forma amigável dentro da realidade dos alunos, passa a ser uma ferramenta transformadora". O coordenador dos educadores da Unidade 37, da Febem, na Raposo Tavares, Antonio Rosendo dos Santos, conta outro exemplo. No ano passado, os alunos da EIC da Unidade 37 se mobilizaram para conseguir mais computadores para a EIC sem precisar comprá-los. Depois de muita discussão, os alunos fizeram cartas para os empresários da rua Santa Ifigênia solicitando doações. Alguns alunos, que estavam em regime de semi-liberdade, junto com a coordenação da unidade, foram entregar as cartas e conversar com os empresários. O resultado foi a doação de cinco HDs. Para o CDI, os alunos solicitaram monitores e outros periféricos. A iniciativa dos jovens possibilitou que a EIC, que antes tinha 7 computadores, passasse a ter 12 máquinas. Outro exemplo de como o CDI promove a inclusão social foi a Semana da Inclusão Digital, promovida de 26 de março a 01 de abril. Entre as atividades, o CDI realizou uma pesquisa no Terminal Rodoviário Tietê, na qual os pesquisadores foram internos que estão em regime de semi-liberdade da Febem e que estudam na EIC da Unidade de Semi-Liberdade Inicial (USI). O objetivo da pesquisa foi identificar os hábitos e as necessidades das pessoas que passam por ali em relação às Tecnologias da Informação e Comunicação. Segundo a analista técnica da Unidade de Semi-Liberdade Inicial (USI) da Febem, Catia Silene Sobrinho Moreira, os internos se envolveram nas atividades do início até o final e continuam trabalhando para ter mais oportunidades. "Os alunos da EIC que participaram das atividades foram capacitados para realizar pesquisa, ajudaram o CDI a tabular os resultados e montaram o blog www.diariodospesquisadores.zip.net, onde relatam essa experiência", conta Catia. "Dos nove internos que participaram da pesquisa, temos um aluno que se identificou tanto com o trabalho de pesquisa que ele quer continuar nessa área. Inclusive estamos tentando ajudá-lo a se colocar no mercado de trabalho", complementa. Hoje, o CDI-SP conta com 65 EICs na cidade, atendendo cerca de 20 mil jovens anualmente. Das 65 Escolas de Informática e Cidadania, 13 estão dentro de Febens. O número de EICs dentro da instituição mais do que dobrou este ano. Uma parceria com o CDI, Microsoft e Febem irá aumentar até outubro desse ano de 11 para 21 escolas. Com o aumento, cerca de 3 mil jovens passarão pelas EICs dentro da Febem. As EICs são escolas criadas em comunidades de baixa renda e junto a instituições que atendam a públicos com necessidades especiais e que têm como objetivo a inclusão digital e social de populações de baixa renda por meio da utilização de tecnologias da informação e da comunicação. |
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