Cruzada Pró-Infância

Dia 24 de agosto é o Dia da Infância. Pensando sempre na defesa dos direitos das crianças e das famílias carentes de São Paulo, a Cruzada Pró-Infância busca oportunidades para angariar fundos e investir em suas 10 creches e no abrigo, que hoje contam com a ajuda de mais de 120 voluntários inscritos nessa causa.

Diversos programas são desenvolvidos a fim de beneficiar mais de 1.500 crianças e adolescentes carentes da cidade. A idéia é fazer com que haja uma conscientização dos governos e da população a fim de que se invista em creches para que no futuro esse trabalho não se perca e as crianças sejam desviadas do envolvimento com drogas ou banditismo. Outra grande preocupação é que as creches, que atendem crianças de zero a sete anos, não podem continuar amparando-as após esta idade, interrompendo, portanto, todo o trabalho realizado até então.

A Cruzada Pró-Infância existe há 75 anos e está voltada para atividades relacionadas a assistência, educação e proteção à mãe e à criança. Além das refeições diárias e de cuidados com a higiene e saúde, são desenvolvidas, ao longo do ano, atividades pedagógicas que visam ao desenvolvimento intelectual, bem como à socialização das crianças, sob a supervisão e orientação de profissionais especializados.

As famílias das crianças atendidas também recebem subsídios através de visitas domiciliares, orientações em reuniões gerais de pais ou específicas para grupos de mães, debates sobre o desenvolvimento das crianças, cursos de iniciação profissional para complementação da renda familiar e auxílio em situações emergenciais, como doação de alimentos e roupas, entre outras ações.

A Cruzada Pró-Infância iniciou suas atividades em 12 de agosto de 1930. Nesta época, São Paulo configurava-se como uma cidade de contrastes. Se, por um lado, o desenvolvimento industrial fez com que a metrópole se colocasse em situação de destaque, por outro lado, o progresso não significou benefício para grande parte da população. Ao contrário, as desigualdades se acentuaram ainda mais nesse período.

Preocupadas com as péssimas condições sanitárias, sobretudo com as taxas de mortalidade infantil, que permaneciam altíssimas, Pérola Byington e a educadora sanitária Maria Antonietta de Castro uniram-se para organizar uma cruzada para criar recursos para a assistência, educação e proteção às mães e às crianças carentes.

O programa de ações da entidade incluía uma gama variada de atividades, inclusive pleitear junto aos poderes públicos a obtenção de leis favoráveis à gestante e à criança, além de criar dispensários com serviços de clínica geral, higiene infantil, pré-natal, fisioterapia, dietética e odontologia.

A casa maternal para abrigar mulheres solteiras e casadas que não tinham apoio familiar também se destacou por ser projeto pioneiro. No início dos anos 30 não havia nada parecido em São Paulo, devido ao enorme preconceito contra as mulheres que tinham filhos fora do casamento. Pérola acreditava que a assistência à mãe solteira não ampliaria o problema; a falta de amparo, sim, é que resultaria em maiores problemas sociais, e compreendia a maternidade como uma função social, que deveria ser honrada, protegida e até mesmo retribuída pelo Estado.

A partir dessa iniciativa também foram organizados projetos infantis e creches com serviços de psicologia nos quais foram empregados os mais modernos conceitos de higiene e educação infantil. Também foram criadas bibliotecas infantis, um lactário humano e cursos e campanhas para divulgar os princípios de puericultura. Em 1959, Pérola inaugurou seu hospital-infantil e maternidade, onde eram oferecidos cursos de formação para estagiários acadêmicos.

Para manter a Cruzada funcionando, Pérola mobilizou todos que pudessem ajudar - estudantes, professores, empresários, autoridades políticas e religiosas, nacionais e estrangeiras. Utilizando os meios de comunicação, divulgou os projetos e convocou a população para participar de eventos para a arrecadação de fundos. Com o intuito de manter a qualidade dos serviços, convocou profissionais de renome. Muitos prestavam serviço voluntário no Ambulatório Central. Outros ofereciam formas de atendimento impensáveis atualmente, como consultas grátis, feitas no domicílio do paciente. Pelos relatórios anuais fica-se conhecendo o nome desses médicos, bem como dos laboratórios que realizavam gratuitamente os exames e das farmácias que forneciam os medicamentos necessários.

Pérola Byington foi diretora geral da Cruzada desde a fundação até a sua morte, o que soma mais de 30 anos. Seu nome, assim como de suas amigas Maria Rennotte e Carlota Pereira de Queiroz, a qual ajudou a eleger na Constituinte de 1934, estarão para sempre associados à história da assistência à infância e à maternidade no Brasil. Atualmente o hospital que leva seu nome está a cargo da Secretaria de Estado da Saúde, e a Cruzada administra 10 creches e o Abrigo Butantã para crianças e adolescentes cujas famílias estão em crise.

Sobre a Cruzada Pró-Infância
A entidade, que tem por objetivo promover a defesa dos direitos da criança e da mulher, atualmente mantém uma Central de Voluntariado com 120 inscritos que auxiliam nos programas desenvolvidos pelas creches e são responsáveis pelos eventos para divulgação e captação de recursos.

Presidida por Maria Lúcia Teixeira Martins da Silveira, a Cruzada é formada pelas seguintes unidades: Sede da Cruzada, Central de Voluntariado Maria Teresa de Macedo Costa, Creche Lar Bibi Monteiro Recanto Infantil Izabel Mendes de Castro, Creche Brazília Lacerda de Arruda Botelho, Creche Fernanda, Creche Carrão I, Creche Penha, Creche Pedreira, Creche Zezinho, Creche Aconchego, Creche Pérola Byington e Abrigo Butantã.

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