Projeto
voluntário de ensino de inglês beneficia centenas de paulistanos

Moradores
de outras cidades e Estados devem receber o projeto no segundo semestre deste
ano Maria Neves dos Santos tem 47 anos e sempre sonhou em aprender
inglês. Acredita que é a única forma de melhorar de vida.
Seus filhos Katlen e Daniel, respectivamente de 9 e 11 anos, estudam em um colégio
público no bairro do Campo Limpo, mas até pouco tempo não
sabiam nem o verbo "to be", para frustração da mãe.
Maria, Katlen e Daniel e outros mais de 900 paulistanos são alunos
do projeto EF for All, que oferece cursos gratuitos de inglês em
17 escolas estaduais que fazem parte do projeto governamental Escola da Família
e em nove ONGs. São crianças, adolescentes e adultos de comunidades
carentes sem acesso a cursos particulares de idiomas e que vêem o inglês
como oportunidade de ter algum progresso profissional. O EF for All
nasceu em março de 2005, como um projeto interno do portal Englishtown,
de ensino on line de inglês, e da EF Cursos no Exterior. Inicialmente
as empresas treinavam apenas seus alunos e ex-alunos - pessoas que possuíam
bom nível de inglês - para atuar como professores. Só que
o sucesso da idéia foi tão grande que outros voluntários
começaram a aparecer, entre eles funcionários de grandes empresas
como Itaú, Bank Boston, Telefônica e Editora Abril. "Chegar
a 900 alunos em apenas um ano foi realmente surpreendente, principalmente porque
não tínhamos nenhuma experiência no terceiro setor",
conta Júlio de Angeli, diretor do Englishtown. "Tivemos que adaptar
nossos materiais didáticos, que são muito avançados para
os alunos que começaríamos a atender, e buscar escolas e ONGs que
confiassem no sucesso do projeto. Além disso, treinamos pessoas que jamais
haviam dado aulas. Foi um grande desafio, mas está valendo a pena",
completa. Um dos principais parceiros da EF neste aprendizado tem sido
o Itaú, que fornece não só boa parte dos voluntários
- hoje mais da metade dos 110 professores do EF for All trabalha no banco.
"Sua principal contribuição foi nos passar, através
do Instituto Itaú Social, a necessidade de comprometimento total com o
projeto, a fim de implantá-lo com seriedade e de mantê-lo em longo
prazo. Lá existe uma forte cultura de responsabilidade social e esta visão
foi extremamente importante para nós, que estamos dando nossos primeiros
passos neste setor", assegura Angeli. O número de alunos
beneficiados pelo projeto deve chegar a mil ainda neste semestre, graças
à recém-firmada parceria com o Instituto Ayrton Senna, que implantará
os cursos de inglês para jovens de seu programa Educação pelo
Esporte. O programa funciona em campi de 15 universidades brasileiras.
"Na primeira fase montaremos os cursos apenas na USP. Porém, se a
parceria der certo, em breve ampliaremos o EF for All para todas as outras",
relata Angeli. Elza
Moreira é uma das voluntárias que vibram com a iniciativa. "Nosso
papel não é somente ensinar inglês. Temos que aproveitar para
mostrar a importância de eles serem pontuais, respeitarem os colegas, terem
disciplina". Sempre que pode ela usa a criatividade para motivar os alunos.
"Organizo piqueniques, traduzo letras de raps que eles escutam, levo
mapas e fotos de outros países. São formas simples e agradáveis
de colocá-los em contato com outras culturas". Yara Passos,
responsável pelo colégio estadual Zuleika de Barros, onde Elza atua
como voluntária, concorda. "Temos 125 adolescentes participando do
projeto e a grande maioria deles não perde uma aula. Muitos vêm de
longe, da periferia, e tomam até três ônibus, mas não
perdem a motivação". Parceiros A previsão
do Englishtown e da EF é dobrar o número de alunos até o
final de 2006. Para isso, as empresas estão em busca de mais voluntários,
que devem ter mais de 15 anos, no mínimo nível intermediário
de inglês e de dois a quatro dias disponíveis por mês. Pode-se
optar por dar aulas aos sábados, de manhã ou à tarde, ou
durante a semana à noite, em diversos bairros da capital paulista.
Voluntários das seguintes cidades também podem se inscrever
no projeto, em função da parceria com o Instituto Ayrton Senna:
Porto Alegre e São Leopoldo (RS), Florianópolis, Curitiba e Londrina
(PR), Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Betim (MG), Campo Grande (MS), Cáceres
(MS), Recife, Natal, São Luís e Belém. "Também
estamos em busca de parcerias com outras empresas, como fabricantes de papel e
copiadoras, já que o número de apostilas é enorme",
diz Angeli. ONGs interessadas em receber os cursos de inglês também
podem entrar em contato. Atualmente as que já trabalham com a EF são
Santa Fé, Florescer, Aquarela, Colméia, Gotas de Flor com Amor,
Ilha de Vera Cruz, Ação Criança, Gol de Letra e Casa de Cultura
da Vila Prudente. Mais informações sobre o projeto podem
ser obtidas no telefone (11) 2122.9000, e-mail daniela.baer@ef.com
ou site www.ef.com. |