Era uma vez em um reino distante...


Quem nunca mergulhou na magia dos contos de fadas, na qual tudo é possível? Entidades fantásticas como bruxas, fadas boas ou más, príncipes, princesas, duendes, gigantes, animais e plantas que falam, digladiando em batalhas do bem contra o mal. Reinos onde a magia domina a lógica envolveram crianças em histórias que atravessaram séculos. Do boca a boca esses contos passaram aos livros, aos filmes, cartoons, ganharam inúmeras releituras, algumas deturpadas, outras surpreendentes, e não deixaram se perder no tempo nomes como dos Irmãos Grimm, na Alemanha; de Hans Christian Andersen, na Dinamarca; Garret e Herculano em Portugal, entre outros.

Além da sua importância na literatura infantil, atualmente essas histórias fantasiosas e atemporais têm o seu valor pedagógico e psicopedagógico reconhecido. Sua linguagem faz a ponte direta com o imaginário da criança, dando aos pequenos uma ferramenta a mais para resolver os conflitos mais comuns nessa fase da vida, tornando-se, também, útil na formação de sua consciência ética. Somam-se, ainda, aos seus benefícios, a descoberta do prazer da leitura, os primeiros passos para a alfabetização, e por aí afora.

A Escola Quintal, localizada no Real Parque, bairro da zona sul da capital, faz um trabalho intenso nesse sentido, utilizando-se do Projeto Conto de Fadas, que foi implantado em 2001, com crianças a partir de um ano e meio. Sob a batuta da psicóloga e psicopedagoga Maria Eugênia, orientadora educacional da escola, essas narrativas inundam de magia o cotidiano das crianças, como parte do plano pedagógico da escola.

Divididas em Contos de Fadas e Contos Maravilhosos, no primeiro grupo enquadram-se temas que não necessariamente tenham fadas entre seus personagens, mas que tratam da realização existencial ou da evolução do aprendizado da protagonista. Aí se incluem títulos como Cinderela, Branca de Neve e os Sete Anões, Chapeuzinho Vermelho, Bambi, A Bela Adormecida, entre outros. No mundo dos Contos Maravilhosos tudo é possível e natural, não causando perplexidade ou medo aos pequenos leitores ou ouvintes atentos de sagas de cunho social como a de Robin Hood, do Corcunda de Note Dame, O Gato de Botas, entre outras. "No entanto, educadores e pais têm que ter a sensibilidade para não extrapolar em contos com linguagem difícil e cujo enredo pode levantar conflitos no momento em que a criança não está preparada", alerta Maria Eugênia.

Na Escola Quintal, uma vez por semana dá-se o contato com esse universo em rodas de histórias, nas quais é possível trabalhar todas as áreas do conhecimento, principalmente no lado afetivo, explorando as diferenças, a identidade, a convivência e o medo. Além disso, disciplinas como a matemática, as ciências e as diversas expressões artísticas ganham, também, uma preciosa ferramenta. Depois de ouvirem atentos a saga dos Três Porquinhos, os alunos dessa escola já construíram uma casinha com sucata, aprenderam, na aula de ciências, sobre os porcos, além da trilha sonora da história, e pediram mais...
É uma boa idéia, não é?

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