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Como
vêem e como são vistos no mercado de trabalho
Por Marcello Zanfelice Nascido ou tendo se tornado especial após anos de vida, o portador de deficiência física ou mental possui a mesma dignidade que qualquer outro ser humano, devendo ser tratado com todo o respeito. Não defendo um tratamento privilegiado. Apenas justo. Se todos tivemos e ainda temos dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, imagine o deficiente. Certa vez, enalteci, num amigo que possuía um filho deficiente, o empenho e carinho com que o tratava. Para minha surpresa respondeu que acreditava que Deus escolhia lares com pais fortes para serem ocupados por seres assim. A verdade é que as dificuldades continuam pelo resto da vida. Colegas de escola, sem compreender suas limitações, ou conscientemente, zombam deles, afetando sua auto-estima. As oportunidades e disputas são desiguais em tudo o que fazem. Sofrem preconceitos de toda a espécie e ainda carecem de áreas adaptadas para seu uso. Não nos surpreende o fato de que poucos conseguem completar o segundo grau, o que dificulta sua entrada no mercado de trabalho. Estima-se que no Brasil existam dezesseis milhões de deficientes. O que lhes trouxe alguma esperança foi a lei 8.213/91, reforçada pelo decreto 2.172/97 e portaria 4.677/98 do MPAS (Ministério da Previdência e Assistência Social) que obriga as empresas a admitirem deficientes, baseadas no número de funcionários que possuem, como segue:
Empresas, que implantaram com sucesso o Programa de Apoio à Pessoa Portadora de Deficiência Física, descobriram que têm muito mais vantagens que desvantagens na decisão de assumir com seriedade o referido programa. Em primeiro lugar porque existem entidades e consultorias aptas a assessorá-las na implantação desse tipo de programa. Nessa fase são estudadas tanto as barreiras arquitetônicas que impedem ou atrapalham a funcionalidade do programa quanto a relação de cargos da empresa, objetivando adequar o tipo de deficiência ao cargo mais apropriado. Sempre existe uma função que pode ser desempenhada pelo deficiente. Por exemplo, um deficiente visual, em muitos casos, pode ser operador de telemarketing. Já um deficiente auditivo pode trabalhar no escritório ou na área de produção. No caso de admissão, é feito um acompanhamento por noventa dias para assegurar a realização das tarefas designadas. Em segundo lugar, a empresa pode realizar um rigoroso processo seletivo e manter o poder de decisão quanto à aceitação do candidato. Além disso, a Secretaria de Emprego do Estado, através do PADEF - Programa de Apoio à Pessoa Portadora de Deficiência Física, que já colocou, desde outubro de 2002, mais de 1.300 deficientes no mercado de trabalho, possui um banco de dados com 5.000 registros, possibilitando o encaminhamento de candidatos aptos a todo tipo de trabalho. Áreas como Prestação de serviços em telecomunicações, educação, hospitais, comércio, indústria e construção civil são as que mais têm se valido de deficientes para preencherem muitas das suas vagas. Portanto, não há razões para se protelar mais a implantação do programa. Hoje sabemos como os deficientes vêem, como são vistos e, como seremos vistos daqui para a frente no mercado de trabalho. *** Marcello Zanfelice é mestre em Administração de Empresas, Consultor de RH e Presidente da Tec Job Recursos Humanos |
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