Associação doa oito mil livros para programa São Paulo: Um Estado de Leitores

 

A Associação dos Clubes Sócio-Culturais (Acesc) doou ontem (15) oito mil livros para o programa São Paulo: Um Estado de Leitores, da Secretaria de Estado da Cultura. O projeto faz parte da política estadual de incentivo à leitura, que prevê, entre outras medidas, equipar e dinamizar as bibliotecas de diversos municípios, introduzir legislação estadual de fomento à leitura, expandir a rede de livrarias e incentivar o hábito de ler nas escolas e nas famílias.

"A leitura é uma ferramenta de desenvolvimento e inclusão social. Quem lê se abre para todas as artes, torna-se um cidadão do mundo e capacita-se para a autonomia cultural e intelectual. A leitura é uma janela no tempo e no espaço", avalia a secretária de Cultura Cláudia Costin.

Entre as doações estão edições raras, como uma coleção de contos do escritor Monteiro Lobato, obras didáticas, romances, contos infantis, livros de ficção, enciclopédias, revistas e publicações em braile. A forma de distribuição dos livros será definida pelo Conselho Paulista de Leitura, instituído em abril, quando do lançamento do programa.

Problema mundial
A falta de intimidade com a leitura entre os alfabetizados é problema mundial. Na década de 70, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) adotou o conceito de alfabetizado funcional para classificar pessoas capazes de utilizar a leitura e a escrita para fazer frente às demandas de seu contexto social e usar suas habilidades para continuar a aprender e se desenvolver ao longo da vida.

Por este conceito, estima-se que atualmente haja 900 milhões de analfabetos funcionais no mundo. Nos Estados Unidos, eles são 21% da população e, na Inglaterra, 22%. No Brasil, a situação é mais grave. De acordo com o Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf), do Instituto Paulo Montenegro, divulgado em 2001, apenas 26% dos brasileiros alfabetizados conseguem ler textos mais longos, localizar mais de uma informação e estabelecer relações entre vários elementos do texto.

Leitura e inclusão social
De acordo com Ottaviano De Fiore, assessor especial da secretaria e um dos mentores do programa, quando se diz que é bom ler, ninguém discorda. Mas são poucos os leitores assíduos no Brasil. "É importante realizar uma maciça campanha de divulgação do programa São Paulo: um Estado de Leitores que defenda a importância da leitura como instrumento de ascensão e inclusão social", acredita.

Para ele, o programa pretende reunir significativo número de parceiros, especialmente os que estão mais perto do leitor a se formar. "Queremos incrementar e incentivar o hábito da leitura familiar." Para isso, serão arregimentadas instituições que agregam grande número de famílias, como igrejas, sindicatos, empresas, movimentos sociais e entidades interessadas em militar na área da leitura ou que já tenham programas nesse sentido.

Conselho Paulista de Leitura
Presidido pelo bibliófilo José Mindlin, proprietário da maior biblioteca particular da América Latina, o conselho tem como coordenadora a secretária de Estado da Cultura, Cláudia Costin. Reúne, ainda, escritores, sociólogos, secretários de Estado, secretários municipais de cultura, representantes de órgãos públicos, instituições e empresas que desenvolvem atividades na área livreira.

Incentivo à leitura em todas as idades
A Secretaria de Estado da Cultura determinou dez objetivos centrais para o programa São Paulo: Um Estado de Leitores com vistas a incentivar a leitura em todas as faixas etárias
1 - Implantar de forma duradoura o hábito de ler no maior número possível de crianças e reforçá-lo durante a adolescência.
2 - Ampliar o acesso aos livros, jornais, revistas e computadores aos que desejam ou necessitam usá-los.
3 - Introduzir legislação estadual de fomento à leitura.
4 - Incentivar todos os municípios paulistas a adotarem leis de fomento à leitura.
5 - Ampliar, fortalecer e dinamizar o sistema de leitura popular gratuita (bibliotecas públicas e escolares).
6 - Mobilizar militantes da leitura em todo o Estado.
7 - Construir modelo duradouro de financiamento do sistema bibliotecário e dos programas de leitura.
8 - Implantar políticas de desenvolvimento da rede livreira e da venda de livros em geral.
9 - Valorizar a imagem do livro e da leitura no imaginário popular.
10 - Introduzir metodologia contínua e permanente de mensuração científica dos resultados.

Da Agência Imprensa Oficial

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