|
Adoção
por casal homossexual muda visão sobre formação
da família

Fonte:
Agência USP
Pesquisa da Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP
mostra que a adoção de crianças por casais homossexuais
pode transformar a sociedade, mudando a idéia de que a família
se forma só por laços consangüíneos, mostrando
a importância dos vínculos afetivos.
O estudo, realizado pela psicóloga Alana Batistuta Manzi a partir
de casos ocorridos no interior de São Paulo, investigou os conceitos
de família e parentalidade dos casais, a atuação
das autoridades do Judiciário nesses casos e o pensamento das
crianças envolvidas.
Os profissionais relatam que tiveram que aprender a lidar com
essa novidade e foram buscar informações, dados científicos,
para fundamentar os pareceres e decisões frente a essa nova demanda.
Já os casais apresentam um conceito de família baseado
nas próprias vivências com suas famílias de origem,
conta Alana. Mas todos entenderam que o grupo familiar vai
muito além do vínculo biológico, de consangüinidade,
e que ter uma família é uma aspiração legítima
de todo ser humano, independentemente das diferenças individuais,
pois está muito mais relacionado ao afetivo do que ao biológico.
De acordo com a psicóloga, a adoção aconteceu dentro
de um processo natural da formação familiar. Os
casais sentiram a necessidade de dar continuidade à família
e acharam que esses filhos trariam felicidade e sentimento de completude,
revela. A infertilidade, enquanto casal, não foi vista
como impossibilidade de realizar o desejo de serem pais para serem felizes.
Segundo o professor Manoel Antonio dos Santos, orientador do trabalho,
os casais analisados separam claramente a dimensão do ser
pai da dimensão da orientação sexual.
Os casais entrevistados relataram que o processo de adoção
não foi fácil. Um deles, que pediu a adoção
de uma menina hoje com sete anos, inicialmente teve parecer
indeferido pelo promotor, que alegou que a legislação
não previa esse tipo de adoção. Já a juíza
da cidade onde mora o primeiro casal, deferiu o pedido a partir de uma
avaliação da situação social da cidade,
na qual ela examinou quantas crianças estavam abrigadas, à
espera de adoção. Em outro caso, no qual o casal tem a
tutela de quatro irmãos, o processo de adoção ainda
está em andamento. As crianças estão sob guarda
provisória, esperando a decisão final da justiça.
Apesar das dificuldades, os casais observaram que foram muito
bem acolhidos no fórum, afirma Alana. Segundo o orientador
da pesquisa, há muitos casos de homossexuais que entram com o
pedido de adoção, mas somente no nome de um deles, sem
mencionar que convivem com um parceiro por temerem que isso possa prejudicar
o processo de avaliação a que são submetidos. A
novidade mostrada pelo estudo é que alguns casais resolveram
expressar e reivindicar os seus direitos, ressalta.
A pesquisadora diz que os casais têm uma preocupação
intensa com a educação das crianças. Estabeleceram
o diálogo como forma de aproximação com os filhos
e que também se preocuparam com a exposição dessas
crianças na mídia em função da repercussão
que os casos tiveram. Por outro lado, os casais vêem esse
processo como algo que pode servir de estímulo para outros casais
homoafetivos pleitearem a adoção, conclui.
A pesquisa constatou que os pais lidaram com os trâmites técnicos
e burocráticos com tranqüilidade, vendo-os como algo inevitável.
Foram muito receptivos em relação ao estudo e mostraram
ter uma consciência muito clara de seu papel social, diz
a psicóloga.
(Fonte: Rosemeire Soares Talamone, do Serviço
de Comunicação Social da Prefeitura do Campus de Ribeirão
Preto)
27/10/2008
|