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Prêmio
Nacional de Educação em Direitos Humanos: vencedores

Em
cerimônia realizada em 3/12, no Memorial JK, em Brasília,
foram entregues os prêmios aos trabalhos vencedores do Prêmio
Nacional de Educação em Direitos Humanos
Dez
secretarias de educação, escolas e universidades públicas
e privadas foram premiadas por seus projetos no âmbito da Educação
em Direitos Humanos.
Com mais de 350 trabalhos inscritos, o Prêmio Nacional de Educação
em Direitos Humanos mostrou que já existe um repertório
de práticas pedagógicas bem-sucedidas nessa área.
A seguir, os trabalhos vencedores.
Categoria 1 - As Secretarias de Educação
na Construção da Educação em Direitos Humanos
1º lugar: Educação em Direitos Humanos como
política de Estado: educando na diversidade e na diferença
Na definição das políticas para o estado de Pernambuco,
o governo definiu a educação para a cidadania como um
princípio norteador. No novo currículo, os conteúdos
de direitos humanos perpassam as diferentes áreas de conhecimento
e abrangem temas como educação escolar indígena,
educação ambiental, educação da cultura
afrobrasileira e africana, escola aberta, educação fiscal,
diversidade e gênero, protagonismo juvenil e enfrentamento do
tráfico de seres humanos. As ações incluem a formação
continuada, distribuição de materiais didáticos,
realização de fóruns e pesquisas.
2º lugar: Justiça e Educação em Heliópolis
e Guarulhos: parceria para a cidadania
Fundação para o Desenvolvimento da Educação
(FDE, da Secretaria de Estado da Educação de São
Paulo)
O projeto Justiça e Educação em Heliópolis
e Guarulhos: parceria para a cidadania representa o avanço
possível e necessário em uma área fundamental
a integração entre os sistemas judiciário e educacional,
tornando a Justiça mais educativa e a Educação
mais justa. Por meio do diálogo, de estratégias de resolução
de conflitos, e a partir dos mecanismos próprios de cada área,
o projeto baseia-se nos princípios da chamada Justiça
Restaurativa, fundada na prevenção da violência
e da reconstrução do que foi quebrado pelo conflito.
Categoria 2A - A Educação em Direitos Humanos na Escola
- Escolas Públicas
1º. lugar: (Re)lendo o mundo pelas histórias de vida:
o Memorial do Assentamento 30 de maio
Escola de Ensino Fundamental Pio XII (Charqueadas RS)
Em 2006, 22 agricultores do assentamento 30 de maio decidiram voltar
aos estudos depois de longos anos afastados da vida escolar. Entre as
várias atividades que realizaram, uma delas foi o registro de
suas histórias de vida, por meio do qual puderam compreender
melhor trajetórias marcadas por lutas e conflitos pela posse
da terra e, assim, as múltiplas realidades que cercam o aluno
assentado. Assim nasceu o Memorial do Assentamento 30 de maio, com fotos
e objetos que contam a história de vida
das 48 famílias que hoje constituem o assentamento. O trabalho
foi realizado em parceria com a Escola Municipal de Ensino Fundamental
Pio XII, que acolheu os 22 alunos assentados para certificá-los
após o término do Ensino Fundamental.
2º lugar: Educação em Direitos Humanos
Escola Estadual Julieta Caldas Ferraz (Taboão da Serra
SP)
O conjunto de ações desenvolvidas pela Escola Estadual
Julieta Caldas Ferraz mostra como uma instituição pode,
independentemente de políticas públicas mais abrangentes,
assumir para si o desafio de educar com base nos direitos humanos. Partindo
das definições de seu projeto político-pedagógico,
a escola enfocou os temas ligados às diversidades etnia,
gênero, condição física, religião,
condição sexual. Assim, desde 2004, a escola realiza anualmente
fóruns, conferências, mostras, entre outros projetos, que
levaram à criação do Grupo Estudantil contra a
Discriminação (Gecadis). O grupo reúne-se todas
às quartas-feiras para trabalhar sobre temas ligados aos direitos
humanos e intervem sempre que ocorrem denúncias de caráter
discriminatório, convidando os envolvidos a refletir sobre suas
atitudes.
Categoria
2B - A Educação em Direitos Humanos na Escola - Escolas
Privadas
1º lugar: Enfrentamento do abuso e da exploração
sexual de crianças e adolescentes
Colégio Marista de Aracati (Aracati CE)
O Fórum de Enfrentamento do abuso e da exploração
sexual de crianças e adolescentes, em sua terceira edição,
vem mobilizando a sociedade civil de Aracati, município cearense
que recebe um importante fluxo mundial de turistas por abrigar a praia
de Canoa Quebrada. Desde 2006, foram detectados no município
275 casos de violência, sendo 55 de violência sexual. Mostrando
de forma concreta a co-relação entre aprendizagem significativa
e transformação da realidade, o Colégio Marista
assumiu o compromisso de estimular a comunidade a assumir posições
para enfrentar e reverter as situações de risco vividas
pelas crianças e adolescentes de Aracati micro-universo
de uma problemática comum a todas as cidades turísticas
brasileiras.
2º lugar: Congresso infantil "Criança-Vida"
Colégio Metodista Americano (Porto Alegre RS)
Para quem duvida da capacidade de reflexão e posicionamento crítico
dos alunos mais jovens, o Congresso infantil: criança vida
é uma demonstração expressiva. Anualmente, as escolas
reúnem centenas de alunos de até 10 anos de idade para
refletir sobre problemas reais e presentes na sociedade discriminação
racial, trabalho infantil e fome e para buscar também
formas próprias de intervenção, que se materializam
em passeatas e outras propostas. O evento é promovido há
17 anos pelo Colégio Metodista Americano de Porto Alegre (RS),
impulsionado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
Categoria
3 - A Formação e a Pesquisa em Educação
em Direitos Humanos
1º lugar: Educação jurídica popular
em Direitos Humanos: construindo redes de educação cidadã
Universidade do Estado da Bahia UNEB (Salvador - BA)
A partir de um programa vinculado ao curso de Direito, e com a participação
de alunos e alunas dos cursos de ciências contábeis e pedagogia,
essa equipe multidisciplinar se dedica a realizar um conjunto de ações
voltadas à promoção de uma cultura de respeito
aos direitos humanos. Entre suas principais atividades estão
diferentes ações de formação e capacitação,
realização de seminários, fóruns, pesquisas,
diagnósticos e bancos de dados sobre educação em
direitos humanos. O grupo ainda vem publicando cartilhas e estudos voltados
à difusão de conhecimentos nessa área para educadores
e pesquisadores.
2º lugar: Núcleo de pesquisas em Direitos Humanos
e Cidadania da Universidade do Extremo Sul Catarinense: uma narrativa
da sua construção, trajetória e desafios
Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC (Criciúma
- SC)
Grupo ativo e produtivo, o Núcleo de estudos em estado, política
e Direito teve origem no curso de graduação em Direito
da UNESC, em 1997. Desenvolvendo pesquisas, realizando eventos e publicando
artigos e livros, o grupo busca aprofundar os estudos na área
dos direitos humanos, diversificando o leque temático e disseminando
o conhecimento produzido. Entre seus objetivos atuais está o
de estruturar redes de pesquisas com outros núcleos e organizações
do terceiro setor para troca de experiências, intercâmbio
de pesquisas e aprimoramento do instrumental jurídico para efetivação
dos Direitos Humanos fundamentais.
Categoria 4 - A Educação
em Direitos Humanos na Extensão Universitária
1º lugar: Contribuições da educação
continuada na formação do professor-pesquisador
para a vanguarda da pesquisa em educação
Universidade Estadual do Norte Fluminense (Campos RJ)
Com o objetivo de responder a uma demanda por formação
de educadores no campo da educação em Direitos Humanos,
esse projeto de educação continuada chegou às escolas
de Ensino Médio de 24 municípios do norte e noroeste Fluminense.
Foram trabalhados temas como cidadania, violência e discriminação
em atividades formativas diversificadas que buscaram, entre outros objetivos,
preparar os professores para promover inovações pedagógicas,
fortalecer o debate dos Direitos Humanos como tema transversal no âmbito
educacional e colaborar para o fortalecimento de uma democracia inclusiva
e participativa.
2º lugar: Coque Vive: comunicação, educação
e cultura
Universidade Federal de Pernambuco UFPE (Recife- PE)
Desde 2007, funciona no bairro do Coque, no Recife, a Biblioteca popular
do Coque. Com 3 mil títulos, a biblioteca representa mais do
que um espaço de formação e convívio. Representa
o centro de articulação comunitária e consiste
em um belo exemplo das conquistas do projeto Coque Vive um conjunto
de ações realizadas, desde 2006, pela UFPE, numa comunidade
estigmatizada no Recife como uma das mais violentas da capital. A biblioteca,
bem como a Estação digital de difusão de conteúdos
e os demais projetos em execução, têm como objetivo
principal romper a lógica de exclusão da qual são
vítimas todos os moradores do bairro.
04/12/2008
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