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A
cegueira branca que faz enxergar - José Saramago

Por
Mônica Santos

O Nobel de literatura, crítico e controverso autor português
José Saramago nos deixou órfãos em junho deste
ano. Como fã desde os tempos da faculdade, chorei de tristeza
por sua partida e, principalmente, por saber que jamais teria um
novo livro do gênio em mãos. Mas, a obra fica,
então vamos a ela.
Sua
obra é vasta e contém romances, contos, poemas e peças
teatrais, considerados o que há de melhor na contemporaneidade
em língua portuguesa. Com seu estilo peculiar, pontuação
usada de forma não convencional e alguns capítulos
escritos em um único parágrafo, Saramago conquistou
admiradores por todo o mundo.
Minha primeira
experiência com seus livros foi um tanto pesada,
pois comecei com o Ensaio sobre a cegueira, livro de 1995.
A sensação provocada pelo livro jamais me abandonou:
uma mistura de angústia e revolta aliada à vontade
de terminar rápido a leitura para entender (doce ilusão!)
por que todos na história exceto a mulher do médico
ficam cegos. No Ensaio, quando os personagens se encontram
em meio às trevas brancas da trama, o leitor vê o mundo,
a si, a pequenez diante do complexo que é a vida; por isso
a obra é uma experiência única. Não se
pode ter medo, é preciso ler, sentir e ver tudo o que ela
revela: O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros,
São palavras certas, já éramos cegos no momento
em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar
cegos. (p. 131)
O
Ensaio foi adaptado para o cinema como Blindness e
dirigido por Fernando Meirelles. Fez sucesso nas telonas, mas como
quase todas as adaptações, por mais fiéis que
sejam aos originais, não os substitui. Se couber a dica,
leia o Ensaio antes de assistir ao filme. E quando começar
a leitura tenha paciência: acostume-se ao ritmo do texto sem
pressa e a história te envolverá.
Depois da cegueira,
a lucidez de mais um lindo Ensaio seguida pela leitura das Intermitências
da Morte, numa história em que a morte entra em greve
e não morrer torna-se um problema de saúde pública
assim como a cegueira.
No Evangelho
segundo Jesus Cristo (1991) o autor faz uma apresentação
do Novo Testamento bíblico, com um Jesus Cristo protagonista
e humanizado. A obra sofreu duras críticas principalmente
da Igreja Católica, mas nem por isso deixou de ser lida.
É um livro extenso e complexo, cheio de referências
e rico, tanto por sua construção literária
quanto por suas referências externas, que atiçam a
curiosidade do leitor.
Na mesma
linha de crítica à religião está Caim,
obra recente, de 2009. Muito mais curto do que o Evangelho,
o livro nos apresenta a história de Caim, o jovem que, segundo
a história bíblica, matara seu irmão por inveja.
Se no Evangelho temos o Novo Testamento, aqui vemos o Antigo,
sob o ponto de vista de Caim, que viaja errante pelo tempo e pela
terra, conhece Sodoma e Gomorra, vê a Torre de Babel, encontra
Noé e vive em intensa guerra com seu criador.
Outros títulos
do autor são: Objeto Quase (1978) livro de
contos em que objetos e homens confundem-se O conto da
Ilha Desconhecida (1997) que mostra a história
do homem que pretende viajar até uma ilha ainda não
descoberta e A viagem do elefante (2008), em que é
retratada a viagem de um elefante à Áustria! Merecem
destaque também Memorial do Convento (1982), O
ano da morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra
(1986), A Caverna (2000) e O Homem Duplicado (2002),
dentre outros.
Para saber mais
sobre o autor, visite o site da Fundação José
Saramago: www.josesaramago.org
ou o blog do escritor (http://caderno.josesaramago.org/).
O filme
Blindness já está disponível em DVD
para compra e locação (o site do filme é www.ensaiosobreacegueirafilme.com.br).
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Clarice
Lispector: textos sem fatos, mas repletos de sensações
Ninguém
trata de temas como a família, o amor, a relação
interpessoal com o mistério e grandeza que ela trata. |
Vinícius
de Moraes: versátil e realizador
Vinícius
foi poeta, crítico de cinema e compositor. Ainda teve
disposição para casar-se nove vezes e ter cinco
filhos. |
Castro
Alves, o poeta da liberdade
Castro
Alves foi um poeta perfeccionista. Corrigia os versos com apuro,
a fim de torná-los cada vez mais esmerados. Sua poesia
social tinha como tema central o combate à escravidão
e sua poesia lírica elegeu como temas a loucura e a morte. |
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Érico
Veríssimo - o contador de histórias
Quem
não se lembra de Glória Pires no papel de Ana
Terra? Ou do Capitão Rodrigo Cambará, tão
bem vivido por Tarcísio Meira na minissérie
O Tempo e o Vento, produzida pela Rede Globo? No caso,
a grande obra que a inspirou foi o romance homônimo
do escritor gaúcho Érico Veríssimo.
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Júlio
Verne - um aventureiro
Júlio
Verne foi um escritor dotado de uma prodigiosa imaginação,
de um grande espírito de aventura e de largos conhecimentos
sobre geografia, climatologia, vulcanismo, correntes marítimas,
ventos e tudo o mais que possa interessar a um intrépido
viajante. |
Carlos
Drummond de Andrade
Drummond
é um dos mais conceituados poetas brasileiros e produziu
também textos em prosa. Há quem diga que ele foi
o primeiro grande poeta pós-movimento modernista. |
Fernando
Pessoa
Conhecido
como um dos grandes nomes da literatura portuguesa, teve uma
criação artística abundante, atribuída
a seu próprio nome e a seus heterônimos. Leia mais
sobre esse gênio da literatura. |
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