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Clarice
Lispector: textos sem fatos, mas repletos de sensações

Por
Priscila Risso
Clarice,
querida:
Ler ou reler você é sempre uma operação feliz:
descobrem-se coisas, aprimora-se o conhecimento das descobertas. Senti
isto percorrendo De corpo inteiro e Visão do
esplendor. Obrigado, amiga!
O abraço, a admiração, o carinho do Drummond
Haia Lispector,
mais conhecida como Clarice Lispector nasceu no dia 10/12/1920, em Tchetchelnik,
na Ucrânia, filha de Pinkouss e de Mania Lispector. 
Em 1922, ela e sua família desembarcaram em Maceió recebidos
por alguns parentes da mãe de Clarice. Por iniciativa do pai, todos
mudaram de nome, por isso Haia passou a ser Clarice.
A escritora viajou e morou em muitos lugares do Brasil e do exterior,
como Pernambuco, Rio de Janeiro, Belém, Nápole, Berna e
Torquay. Tantas mudanças foram para acompanhar o marido, Maury
Gurgel Valente com quem teve dois filhos: Pedro e Paulo.
Cursou Direito na Faculdade Nacional de Direito, mas o mais próximo
que chegou de exercer a profissão foi como secretária de
um escritório de advocacia. Também foi jornalista, iniciou
essa carreira quando ganhou o lugar de redatora e repórter da Agência
Nacional. Trabalhou também no jornal "A Noite''.
Em suas obras predominam a exacerbação do momento interior
e uma intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria
subjetividade entrar em crise. Ninguém trata de temas como a família,
o amor, a relação interpessoal com o mistério e grandeza
que ela trata. Quem aproxima com tanta maestria a figura de uma mulher
com uma barata? Ou a maternidade com uma galinha? Apenas Clarice as faz.
Como escritora ganhou inúmeros prêmios: Graça Aranha
com Perto do coração selvagem, o Prêmio Jabuti,
da Câmara Brasileira do Livro, por Laços de família,
e A hora da estrela recebeu dois prêmios na 36ª edição
do Festival de Berlim.
Algumas de suas obras mais famosas: Laços de família,
A legião estrangeira, Perto do Coração
Selvagem, A Maçã no Escuro, A Paixão segundo G.H.
e A hora da estrela. Teve seus livros publicados em diversos países,
como Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Israel,
Holanda, Inglaterra, Itália, Noruega, Polônia, Rússia,
Suécia, República Tcheca e Turquia.
Um ato de bravura foi servir como voluntária na campanha da Itália
durante a II Guerra Mundial, no corpo de enfermagem da Força Expedicionária
Brasileira. Já um fato marcante e triste de sua vida aconteceu
na madrugada de 14 de setembro de 1966 quando ela dormiu com um cigarro
aceso, provocando um incêndio. Seu quarto ficou totalmente destruído
e seu corpo com várias queimaduras, passou dois meses hospitalizada.
Quase teve sua mão direita a mais afetada amputada
pelos médicos. Tantas cicatrizes fizeram Clarice cair em depressão.
Morreu, no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro de 1977, aos 56 anos de
idade, vitimada por uma súbita obstrução intestinal,
de origem desconhecida que, depois, veio-se a saber, teria sido motivada
por um câncer de ovário inoperável.
Clarice é estudada e admirada até hoje com muito fascínio.
No entanto, há os que digam que ela é uma leitura difícil
e outros que é fantástica, mas todos devem concordar que
ela é um ícone da literatura brasileira.
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