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Júlio
Verne - um aventureiro Por Márcia Busanello
Não pensemos nós que esse espírito aventureiro se realizava somente nas histórias que ele escrevia. Ao contrário, Verne era um viajante nato. Viajou pela Inglaterra, Escócia, Escandinávia, Estados Unidos, Holanda e Bélgica, fez cruzeiros em seu próprio barco (sim, ele também era navegador) pelo Mar do Norte, pelo Mar Báltico e pelo Mediterrâneo. Julio Verne era, além disso, um apaixonado pela ciência. Sua primeira obra, publicada em 1963, chamava-se Cinco semanas num balão e contava a história do inglês Samuel Fergusson, do escocês Dick Kennefry e de Joe, o criado de Fergusson, que se arriscavam numa viagem cheia de aventuras pelo território africano, sobrevoando-o num balão. O continente africano estava em voga na época, e também os balões. Logo, o sucesso da obra foi imediato, o que incentivou o escritor a continuar a série de volumes que seria intitulada Viagens Extraordinárias. De fato, as viagens de Verne eram extraordinárias. Incansável pesquisador, buscava em mapas, cartas de navegação e relatos de viajantes elementos para colocar em sua obra, e acabou por transportar seus leitores para os mais incríveis lugares que se possa imaginar. Além de fazê-los viajar para os quatro cantos do mundo, levou-os ao centro da Terra, com Viagem ao centro da Terra, no qual o professor Lidenbrock, seu sobrinho e um guia, seguindo as anotações de um velho manuscrito encontrado em uma obra do século XII, entram pela cratera de um vulcão extinto e tentam atingir o centro do planeta. Também ficou célebre a viagem imaginária que Verne cria ao transportar dois americanos e um francês à Lua, dentro de vagão-projétil de alumínio impelido por um canhão enterrado no solo (alguém pensou nos foguetes?), em Da Terra à Lua, publicado em 1865. Depois do primeiro sucesso, foram 42 anos escrevendo as mais fantásticas aventuras. Alguns personagens se tornaram célebres, como Nemo, capitão do Náutilus, um imenso peixe metálico (numa época em que não existiam submarinos) equipadíssimo por dentro, movendo-se à propulsão eletromecânica e que circulava pelos mares sem fronteiras. Seus ocupantes, quando precisavam sair do barco para caçar, o faziam usando aparelhos de mergulho (precursores dos escafandros) e armas próprias para a atividade submarina. O livro era Vinte mil léguas submarinas, que mais tarde (em 1954) foi adaptado para o cinema pela Disney e teve Kirk Douglas na pele do arpoador Ned Land. Nemo reapareceria também em outra aventura criada por Verne (A ilha misteriosa), inspirada em Robinson Crusoé, que contava a história de cinco prisioneiros de guerra (durante a guerra da Secessão, nos EUA) que conseguem fugir em um balão e acabam caindo em uma ilha deserta. Há inúmeras outras histórias e personagens famosos, como Michel Strogoff, o corajoso mensageiro-chefe do Czar que se embrenha na vasta Sibéria, ou Dick Sand, o herói de Um capitão de quinze anos. Verne produziu uma vasta obra que agora está sendo reclassificada não mais como literatura infanto-juvenil, mas apenas como literatura. Não que a primeira classificação a desmereça, mas sem dúvida a restringe um pouco. E a obra de Verne não merece esta restrição. Suas incontáveis aventuras devem fascinar por certo os adolescentes modernos, mas também o lado aventureiro que existe em cada um de nós. |
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