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Quando
o cirurgião plástico diz "não"!
A semana de moda acabou, mas um espanto recorrente ilustra a atual edição do evento: as modelos estão cada vez mais magras. E esse fato levanta um tema pouco trabalhado, principalmente na área da saúde. A vaidade pode ser tanto uma aliada da auto-estima quanto um veneno. Tudo depende de como se lida com ela. Quando ultrapassa o limite do bom senso, o excesso de preocupação com a aparência pode se transformar numa doença psiquiátrica com a qual especialistas começam a se alarmar a disformia corporal. Estudos mostram que 7% dos pacientes que procuram cirurgias plásticas apresentam a síndrome. O astro Michael Jackson e a cantora Cher são citados por especialistas como ícones do exagero e possíveis dismórficos. A dismorfia corporal é uma das doenças ligadas ao físico que se difundiram nos últimos anos. A mais conhecida é a anorexia, que leva meninas e mulheres a não comer pelo pânico de engordar. Menos neuróticos com a balança, os homens são vítimas da vigorexia, que faz os sarados e musculosos se acharem fracotes. Já a disformia corporal atinge homens e mulheres na mesma proporção, explica o cirurgião plástico Wagner Montenegro. Acreditar que pequenos defeitos, como uma pinta no rosto ou uma pequena cicatriz são monstruosos é uma das características do problema. Passar mais de uma hora por dia na frente do espelho também indica algo errado. Mais grave ainda são aqueles que têm a feiura imaginária. Não há nada perceptível, mas o doente jura que sim, que todos olham para sua deformidade. Ele se submete a todo tipo de tratamento dermatológico, estético e cirurgias plásticas mesmo sem precisar. É uma situação que piora muito a quantidade de vida, destaca Montenegro. A ansiedade se torna depressão e acaba gerando um isolamento, explica. A patologia não
é nova. Vem sendo diagnosticada desde 1987 e foi descrita pela
primeira vez em meio século. O distúrbio, porém,
evoluiu. Hoje, os médicos sabem que, se não tratado, o
paciente pode chegar ao suicídio. A doença é uma
variação do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Quem
tem um amigo ou familiar com traços da síndrome não
deve encarar como futilidade ou uma ideia delirante. Muitos sentem vergonha
e não sabem como pedir ajuda, alerta Wagner. Nos Estados Unidos,
país recordista em cirurgias plásticas e tratamentos estéticos,
o problema vem sendo encarado com seriedade. No Brasil, segundo no ranking
mundial de plásticas, É preciso ficar alerta para
evitar que uma pessoa muito vaidosa caia na armadilha da vaidade extrema.
Existe um limite entre se gostar e ultrapassar o saudável,
explica Wagner. Sentir-se bem consigo mesmo, amenizando os sinais do tempo, corrigindo alguma imperfeição, aumentando ou diminuindo as formas corporais, é um direito saudável e deve ser perseguido. Os tratamentos estéticos e as técnicas da moderna cirurgia plástica estão aí para serem usados de forma responsável. E a responsabilidade, é bom que se diga, não é de quem as procura, mas sim daqueles que as vendem. Todo cuidado é pouco na escolha daquele que vai opinar e realizar qualquer tipo de procedimento cirúrgico, explica Wagner. Muitos cirurgiões plásticos atribuem à mídia e à massificação dos padrões de beleza essa necessidade de a mulher tentar se transformar. Nas passarelas e nas revistas, nunca vemos pessoas envelhecidas e com o corpo cheinho. Isso mexe com a cabeça feminina e move a busca por se assemelhar aos padrões. Além disso,
com tantas novidades na área da estética surgindo a todo
momento, as mulheres querem tudo ao mesmo tempo e acabam ultrapassando
os limites. "A busca de um ideal estético ilusório
atingiu tal exagero que qualquer pneuzinho ou pé-de-galinha
já é motivo para uma corrida, até irresponsável,
a uma mesa de cirurgia", completa o cirurgião Montenegro.
19 de março de 2010 |
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