| Afundamento
crônico Fonte: Agência FAPESP
Boa parte desse processo, como mostra estudo publicado na revista Nature desta quinta-feira (1º/6), culminou com um evento catastrófico em 29 de agosto de 2005, o furacão Katrina, que provocou a morte de cerca de 1,6 mil pessoas. Pesquisadores dos Estados Unidos e da Itália fizeram um mapa do afundamento da região. Para isso, utilizaram imagens feitas por satélites durante os três anos que antecederam o evento devastador. A média anual de afundamento calculada para toda a cidade foi de 5,6 milímetros. Em alguns pontos, o solo cedeu 29 milímetros em 12 meses. Em relação ao nível médio do mar, que subiu 2 milímetros por ano na costa sul dos Estados Unidos, toda Nova Orleans ficou 8 milímetros mais baixa em apenas um único ano. Como os pesquisadores acreditam que essa taxa obtida entre 2002 e 2005 possa ser extrapolada para toda a vida útil dos diques, é fácil perceber o problema. Essas construções para contenção das águas do mar e do rio Mississipi ficaram, em média, mais de um metro menor desde os anos 1960. As mortes registradas em agosto de 2005 ocorreram porque o fluxo das águas subiu entre 90 centímetros e 1,7 metro. Um dos pontos onde o sistema de diques mostrou mais vulnerabilidade foi exatamente no canal que faz a ligação entre parte da cidade e o rio Mississipi. Nessa zona, a taxa média de afundamento registrada pelo estudo foi de 20 milímetros por ano. A fragilidade do terreno, explicam ainda os pesquisadores, pode ter contribuído também para a deterioração dos diques, que teriam ficado mais desgastados ao longo do tempo. Os cientistas defendem a tese de que durante os primeiros anos das construções o nível de afundamento deles deve ter sido ainda maior. O artigo Subsidence and flooding in New Orleans, de Gregory Bewley e colaboradores, pode ser lido, por assinantes, no site www.nature.com. |
| |
| |