| Brasileiro
vê a insegurança e violência mundial como os principais problemas
da humanidade Onda de crimes, violência generalizada e insegurança para todos. Essa é a síntese dos principais problemas que o mundo enfrenta hoje, na visão dos brasileiros. A afirmação tem como base um estudo recente da Market Analysis Brasil. O instituto descobriu um quadro sombrio no que diz respeito à avaliação do panorama internacional pela população brasileira. Finalizado em novembro de 2005, o estudo considerou um universo de 800 adultos residentes nas oito maiores capitais brasileiras, que responderam à pergunta: "Qual o problema mais importante que o mundo enfrenta hoje?". Menções espontâneas à violência, insegurança e criminalidade aparecem em primeiro lugar, com 23% das indicações. Num estudo de novembro de 2004, com idêntica metodologia, o mesmo tipo de alusões somava 27,6%. Essa queda, no entanto, não dá margem a celebrações, uma vez que o segundo grupo de menções, referentes a guerras e conflitos, subiu de 16,8% em finais de 2004 para 20,7% em finais de 2005.
Fonte: Market Analysis Brasil. Pesquisas por amostragem, realizadas com população adulta nas oito principais capitais do país: 800 casos em 2004 e 800 casos em 2005. Margem de erro das pesquisas (aproximadamente 3,46%) Além das oscilações nas menções específicas, ao longo dos 12 meses entre as pesquisas, três grupos de assuntos definiram, de forma estável e consistente para os brasileiros, os rumos do planeta. Um deles tem a ver com a predominância da violência na forma de insegurança, guerras, terrorismo e criminalidade: em 2004, essas referências somavam 45,9% e em 2005, 46,5%. Ou seja, nada mudou significativamente na associação das dificuldades mundiais com a violência. O
segundo grupo de assuntos espontaneamente indicados como principal problema do
mundo é de caráter econômico-social: a desigualdade, a pobreza,
o desemprego e as más condições econômicas. No fim
do ano passado, 19,2% se referiam a esse tipo de problemas, mas no fim de 2005
essas preocupações subiram para 26,4% - desta vez, sim, uma mudança
substancial apontando para um aumento nas incertezas econômicas e nos seus
efeitos sociais negativos. Embora
sua opinião seja bastante consistente e estável ao longo do tempo,
o cidadão comum brasileiro tem influência limitadíssima para
mudar essa situação em nível mundial. Ele não faz
a política externa brasileira, nem está capacitado para influenciar
no dia-a-dia de quem cuida dos interesses do Brasil no exterior. Mas como reagem
aqueles que, por suas posições no mundo dos negócios, das
instituições ou da política têm potencial para influir
entre os que decidem dentro e fora do país? A Market Analysis repetiu a mesma pergunta a uma amostra de 115 líderes de opinião no Brasil. Entre eles, encontram-se senadores, chefes de gabinete, editores de mídias nacionais, gerentes e diretores de grandes empresas, cabeças da burocracia estatal, intelectuais de renome, investidores institucionais e responsáveis por ONGs e movimentos sociais de abrangência nacional. O principal objetivo da pesquisa, realizada entre novembro e dezembro de 2005, era saber até que ponto a agenda de problemas do cidadão comum se reflete na agenda dos formadores de opinião. O resultado mostra um descompasso importante nas prioridades de um e outro grupo. Enquanto quase metade do público geral aponta a violência e suas diferentes expressões como prioridade (46,5% em 2005), apenas um em cada sete líderes de opinião pensam dessa maneira (13,9%).
Fonte: Market Analysis Brasil. Pesquisa intencional com 115 líderes de opinião, pertencentes a dez segmentos: políticos, burocracia estatal, mídia, grandes empresas, ONGs, movimentos sociais, intelectuais, experts, investidores institucionais e associações de interesse. Novembro-Dezembro 2005. O que realmente é problema sério para os formadores de opinião são as condições sócio-econômicas: uma clara maioria (53,9%) aponta as desigualdades sociais, a pobreza, o desemprego, o modelo de produção econômica e a atual distribuição de renda como os principais problemas do planeta. Em contrapartida, menos da metade desse percentual entre os cidadãos comuns (26,4%) concordam com tal prioridade, embora ela apareça em segundo lugar. A interpretação mais plausível é que os líderes de opinião pensam em termos de "causa-efeito", colocando os abismos econômicos e sociais em primeiro lugar (as causas) seguidos da violência, guerra e terrorismo (efeitos), enquanto o público em geral interpreta esses fenômenos de maneira isolada, além de ser mais suscetível à maneira espetaculosa como cada um desses eventos é mostrado pela mídia. Outra divergência significativa tem a ver com o lugar conferido aos problemas ambientais: quase 14% dos líderes colocam as ameaças ao meio ambiente (poluição, efeito estufa, superpopulação ou suas próprias conseqüências, como as mudanças climáticas) no topo das preocupações mundiais. Já entre o público geral, apenas 3,6% atribuem prioridade a esses temas. E
quem tem a culpa pelo presente apocalíptico? Novamente líderes e
cidadãos comuns seguem caminhos diferentes. Enquanto uma expressiva maioria
do público geral (56,1%) aponta somente os governos, os formadores de opinião
estão divididos em culpar governos (32,2%), a sociedade (25,2%) e os dois,
mais as empresas (30,4%).
Essas diferenças revelam expectativas diferentes entre ambos os públicos. Como é tradição da cultura latina, a população geral concentra suas esperanças no que os governos podem fazer para corrigir esses problemas. Contudo, tal opinião também indica que, para o cidadão comum, são os governos quem geraram essas dificuldades (violência, guerras e terrorismo, apontadas em primeiro lugar) e, portanto, devem se responsabilizar por resolvê-las. Já entre os líderes de opinião, que apontam as condições sociais como problema número um, a responsabilidade é compartilhada pela sociedade, empresas e governos. Resolver esse problema, como identificar um culpado, vai além do que apenas o governo ou apenas a sociedade ou as empresas podem fazer. A
Market Analysis Brasil tem sua matriz em Florianópolis (SC) e a sede operacional
em São Paulo (SP). Desde sua fundação, em 1997, já
coordenou mais de 600 projetos em 20 Estados brasileiros, além de cinco
países da América Latina, entre os quais estão estudos regulares
para clientes como American Express, Merck, Motorola, Unilever e RS Consulting. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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