Israel e Palestina: os caminhos da paz



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Israel e Palestina: os caminhos da pazReunidos em Camp David, em Maryland, nos EUA, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, tentaram negociar, sob o patrocínio do presidente Bill Clinton, um acordo de paz, que acabou por não ser selado. Um dos maiores entraves às negociações é o destino da cidade sagrada de Jerusalém, além do desgaste interno das lideranças de Israel e da Palestina.

De acordo com o professor de Direito Internacional, Gilberto Rodrigues, o grande problema das negociações é que nenhum dos dois líderes têm suficiente apoio interno para fazer as concessões necessárias. “Arafat perde espaço para o Hammas (grupo radical) nos territórios palestinos, e Barak mal se livrou de um voto de censura no Knesset (Parlamento Israelense).

” Gilberto explica que a Autoridade Palestina tem dois grandes problemas: um deles é que seus territórios (Faixa de Gaza e Cisjordânia) estão separados por terras israelenses. O outro é que os palestinos não possuem soberania e controle sobre os seus próprios territórios, uma vez que em Gaza, por exemplo, existem vários assentamentos israelenses e na Cisjordânia apenas algumas cidades, como Jericó, já estão sob o controle palestino.

Gilberto Rodrigues e Hans Van Ginkel
Gilberto Rodrigues (à direita) ao lado do Subsecretário Geral da ONU, Hans Van Ginkel
Neste quadro de tensão, a figura de Yasser Arafat é importante. “O papel de Arafat é fundamental para selar uma paz duradoura para a região. Mas ele está idoso e doente e não pode esperar muito mais por um desfecho. Como forma de pressão, já anunciou que irá proclamar o Estado Palestino ainda este ano, com ou sem acordo”. Gilberto explica que o maior opositor interno de Arafat é o Grupo Hammas, que não apóia o processo de paz, não admite ceder em nenhum ponto, e defende a luta armada para a reconquista dos territórios que hoje estão em poder de Israel. Já para os israelenses, de acordo com o professor, a maior preocupação é a segurança. Israel é um país Ocidental encravado no Oriente Médio árabe. Se os palestinos obtiverem soberania sobre todos os seus territórios, os israelenses temem que ficarão muito vulneráveis a ataques terroristas e militares. “Somente a garantia americana e o apoio da comunidade judaica internacional poderia contribuir para novos avanços no processo”. Em 95, após o assassinato do primeiro-ministro Itzhak Rabin, o processo de paz entrou em crise, e com a vitória do Likud (Partido Conservador), em Israel, a situação agravou-se. Em 99, já sob o comando de Ehud Barak, o novo primeiro-ministro trabalhista, foram retomadas as negociações, mas Barak não conta com o mesmo apoio interno que Rabin.

Jerusalém: foco da discussão

Faixa de Gaza
Pequeno trecho localizado as margens do Mar Mediterrâneo, a Faixa de Gaza é um território palestino isolado por Israel.
“O maior entrave às negociações é a ocupação de Jerusalém.” A cidade é reivindicada como capital política e religiosa por ambas as partes, e os Acordos de Oslo, de 93, que criaram a Autoridade Nacional Palestina, prevêem uma espécie de condomínio, em que os israelenses detêm quase 75% do território. Jerusalém é uma cidade de três religiões: Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. Israel, desde o primeiro momento, considera a cidade sua capital e nela instalou o parlamento. “Mas quase nenhum país a reconhece como tal. Os EUA e o Brasil, por exemplo, mantêm suas embaixadas em Tel Aviv. Os palestinos também consideram Jerusalém sua capital e instalaram a sede da Autoridade Palestina, numa imponente casa chamada Orient House”, afirma o professor.

Devido à essencial importância que Jerusalém representa para o mundo, muitos analistas - e o próprio Vaticano - entendem que a melhor alternativa seria que a cidade ganhasse status internacional. “Inclusive o presidente Bill Clinton e seus assessores, mediadores das negociações de paz em Camp David, vinham propondo uma solução que imprimisse um caráter internacionalista à Cidade Santa.” Desta forma, Israelenses e Palestinos poderiam manter suas respectivas capitais políticas em Jerusalém, deslocando as atividades administrativas para outras cidades.

A derrota de Clinton

Os americanos, que não têm mais interesse em perpetuar o conflito no Oriente Médio, financiando Israel, são os grandes derrotados de Camp David. “O presidente Bill Clinton, prestes a deixar o poder, dedica-se com insistência à política externa e deseja encerrar o mandato com uma resolução histórica, que seria o fim do conflito árabe-israelense. Pesquisas de opinião mostram que a maioria dos america-nos aprova o processo de paz no Oriente Médio”, diz Gilberto.

Em 79, o presidente Jimmy Carter entrou para a história ao conseguir o impossível: a paz entre Egito e Israel, em que o Sinai foi devolvido aos egípcios em troca do reconhecimento político a Israel.

Atualmente, a pressão do tempo e do interesse da Casa Branca “não parecem ser tão fortes quanto aquelas vividas por Arafat e Barak em face de seus fiéis e cidadãos. No entanto, se ambos concordarem, na proclamação do Estado Palestino para este ano, o espírito de Camp David terá sobrevivido”, declara o professor.

Origem dos povos

Palestina: corresponde à Judéia e à Canaã do mundo antigo. Os romanos se referiam à Syria Palestina, que era a terra dos filistinos (philistinos).

Israel: o significado deste nome em hebraico é “vencedor de Deus”, de isra (venceu) e el (Deus). Em 1948, foi instituído o Medinat Israel (Estado de Israel).

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