| Guerra
exige negociação imediata Gilberto Rodrigues
Há, porém, movimentos que apontam para a mudança do quadro atual, viabilizando o caminho da negociação, que constitui a única saída para estancar a brutalidade dos grupos terroristas palestinos e das ações do Estado Israelense.
Aparentemente, os palestinos se entregaram a um estágio de confronto sem limites: o terrorismo suicida é incentivado pelos próprios pais dos jovens que se transformam em mártires da causa. Convivendo num cenário histórico e cultural distinto da democracia ocidental, os palestinos assumem um compromisso sacrificial que está muito além de qualquer limite de um cidadão israelense.
Nesse conflito não se pode esperar um diálogo equilibrado entre duas partes definidas. De uma lado estão os israelenses, mas do outro lado estão inúmeros grupos, uns mais radicais, outros menos, que atuam por sua contra e risco, unidos apenas pela causa anti-Israel. O 11 de setembro e a reação anti-terrorista dos EUA deram margem a Sharon para colocar em prática iniciativas antes inimagináveis. Desde bombardeios em territórios palestinos, num esquema Lei de Talião, até o confinamento de Iasser Arafat em seu escritório na Cisjordânia, relegado à condição de preso político. Se essas ações fortaleceram Sharon no curto prazo, minaram sua permanência como governante de longo percurso. O Primeiro-ministro sabe fazer a guerra, impondo a paz. Mas isso não é mais suficiente nem para os israelenses nem para a comunidade internacional. O confronto exige negociação imediata, envolvendo os EUA e países do Oriente Médio que exercem influência sobre os terroristas islâmicos. Parece que a luz amarela já acendeu para Sharon.
Gilberto Rodrigues é professor de Direito Internacional da UniSantos e Universidade São Judas Tadeu, autor de O que são relações Internacionais (Brasiliense) e de Globalização a olho nu (Moderna) E-mail: professor@gilberto.adv.br |
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