Guerra exige negociação imediata


Gilberto Rodrigues


A escalada de violência entre israelenses e palestinos chegou a um ponto trágico nesta semana. Ataques armados de ambos os lados eliminaram dezenas de vidas de inocentes fazendo aumentar a sensação de que o conflito é insuperável, inegociável, infinito.

Há, porém, movimentos que apontam para a mudança do quadro atual, viabilizando o caminho da negociação, que constitui a única saída para estancar a brutalidade dos grupos terroristas palestinos e das ações do Estado Israelense.


Conflito - Em todo conflito armado, existe um componente-chave que é o apoio e a tolerância da sociedade civil com os beligerantes. No caso do conflito palestino-israelense, este apoio e tolerância estão diminuindo do lado israelense. Isso ocorre porque Israel é uma sociedade democrática, em que os governantes devem satisfação à população. Ariel Sharon foi eleito para proteger Israel de uma suposta ameaça islâmica. Mas os resultados estão mostrando o contrário: o povo está mais inseguro agora.

Aparentemente, os palestinos se entregaram a um estágio de confronto sem limites: o terrorismo suicida é incentivado pelos próprios pais dos jovens que se transformam em mártires da causa. Convivendo num cenário histórico e cultural distinto da democracia ocidental, os palestinos assumem um compromisso sacrificial que está muito além de qualquer limite de um cidadão israelense.


Negociação - Ariel Sharon, Primeiro Ministro Israelense, general com larga e vitoriosa experiência em teatros de guerra contra o mundo árabe desde os anos 60, começa a sofrer pressões internas e externas para negociar um acordo com os palestinos. Sharon já não exige mais um cessar-fogo de uma semana para negociar, mas admite conversar sob fogo cruzado.

Nesse conflito não se pode esperar um diálogo equilibrado entre duas partes definidas. De uma lado estão os israelenses, mas do outro lado estão inúmeros grupos, uns mais radicais, outros menos, que atuam por sua contra e risco, unidos apenas pela causa anti-Israel.

O 11 de setembro e a reação anti-terrorista dos EUA deram margem a Sharon para colocar em prática iniciativas antes inimagináveis. Desde bombardeios em territórios palestinos, num esquema Lei de Talião, até o confinamento de Iasser Arafat em seu escritório na Cisjordânia, relegado à condição de preso político.

Se essas ações fortaleceram Sharon no curto prazo, minaram sua permanência como governante de longo percurso. O Primeiro-ministro sabe fazer a guerra, impondo a paz. Mas isso não é mais suficiente nem para os israelenses nem para a comunidade internacional. O confronto exige negociação imediata, envolvendo os EUA e países do Oriente Médio que exercem influência sobre os terroristas islâmicos. Parece que a luz amarela já acendeu para Sharon.

 

Gilberto Rodrigues é professor de Direito Internacional da UniSantos e Universidade São Judas Tadeu, autor de O que são relações Internacionais (Brasiliense) e de Globalização a olho nu (Moderna) E-mail: professor@gilberto.adv.br

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