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Alemanha
aprova social-democratas
Gilberto Rodrigues O governo social-democrata de Gerhard Schröder renovou seu mandato no poder para mais quatro anos ao vencer as eleições gerais da Alemanha, derrotando o conservador Edmund Stoiber. O pleito alemão confirma a reviravolta das esquerdas e muda o cenário político da União Européia. Principal economia européia, e terceiro PIB mundial depois dos EUA e do Japão, a Alemanha está enfrentando dificuldades econômicas, com baixo nível de crescimento e alto índice de desemprego. Mesmo com estas fragilidades, o Chanceler (equivalente a primeiro-ministro) Schröder obteve vitória eleitoral. Qual o significado dela? Pela primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, o governo alemão advogou posição contrária aos EUA num tema crucial de política externa, como é o debate sobre o eventual ataque ao Iraque. Schröder declarou-se contra qualquer intervenção naquele país. E seu ministro das Relações Exteriores, Joschka Fisher, respeitado e popular líder do Partido Verde, que carrega a bandeira do pacifismo, teve papel central na vitória do governo, pois os verdes asseguraram o número de cadeiras parlamentares no Bundestag (Parlamento), fazendo a maioria da coalizão vitoriosa. Outra diferença que destacou esta eleição das anteriores nas últimas décadas foi a campanha marcada pelo carisma pessoal de cada candidato. Mais hábil e carismático, Schroder conseguiu recuperar-se nas intenções de voto a três semanas das eleições, revertendo o quadro de desvantagem com sua presença e declarações sobre os mais variados temas, incluindo a campanha de ajuda aos desabrigados pelas chuvas que castigaram o país. Os alemães terão votado na permanência de Schroder também por receio do ideário restritivo de Stoiber à política de imigração. Depois do susto do ultra-direitista Jean Le Pen na França, e das vitórias da direita neste país, além da Itália, Espanha, Portugal, Países Baixos e outros, os alemães podem ter represado um perigoso movimento de exclusão em curso no continente, ao seguirem os suecos que já haviam garantido a permanência do social-democrata Goran Persson para mais um período. Brasil - As vitórias da esquerda sueca e alemã possibilitam criar um importante canal de comunicação com um eventual novo presidente de esquerda no Brasil, e com governadores eleitos desse espectro político. Em tal caso, a Alemanha e Suécia poderão ser interlocutoras da União Européia nas negociações com o Mercosul. Os social-democratas alemães e suecos, membros da Internacional Socialista, têm importante histórico de apoio e de ajuda a partidos e governos de esquerda na América Latina. Os que vencerem no Brasil deverão aproveitar ao máximo esse capital político internacional. Gilberto Rodrigues é professor de Direito Internacional na UniSantos e Universidade São Judas Tadeu, autor de O que são relações internacionais (Brasiliense) e co-autor de Globalização a olho nu (Moderna). E-mail: professor@gilberto.adv.br |
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