Terrorismo poderá ser guerrra de alto impacto



Gilberto Rodrigues

Os atentados terroristas da Indonésia e das Filipinas abalaram a segurança do Sudeste Asiático e colocaram um dilema para a Casa Branca e seu plano de ação preventiva contra o Iraque. Uma intervenção no Oriente Médio poderia desencadear uma reação terrorista jamais vista, com perfil de guerra de alto impacto.

O terrorismo pós-11 de setembro já não mede fronteiras ou alvos, e se faz cada vez mais solidário ao mundo árabe-islâmico. Essa fúria do terror é alimentada, como lenha seca na fogueira, pelo tratamento que a causa palestina tem merecido dos EUA, e sua obsessão em invadir o Iraque e retirar Saddam Hussein do poder. Fica cada vez mais evidente que a estratégia norte-americana para impor uma nova ordem poderá gerar um clima de caos e de absoluta insegurança no mundo.


Atentados - As explosões de Bali e de Manila mataram e feriram estrangeiros de vários países e provam o quanto é difícil impedir que o terrorismo islâmico seja neutralizado por qualquer tipo de cruzada lançada pela Casa Branca. Os EUA tem interesses globais, turistas e executivos circulando por todos os continentes, empresas multinacionais espalhadas pelo mundo, cuja segurança não pode ser exercida pelos agentes da CIA, do FBI ou pelos mariners, nem garantida pelas autoridades locais, em se tratando de terrorismo-guerra.

O cálculo de apoio que os EUA esperam ter de seus aliados na OTAN e no Conselho de Segurança da ONU já está sendo afetado pelo impactos das recentes ações terroristas em áreas de intenso turismo internacional. Haverá um momento em que o governo Bush terá de dizer a seus cidadãos para não mais sair do território americano. Mas dificilmente canadenses, europeus, australianos e outros estarão dispostos a submeter-se a tal confinamento.

Nobel - Nessa conjuntura de incertezas, a concessão do Prêmio Nobel da Paz a Jimmy Carter traduz um importante reconhecimento a um ex-presidente dos EUA que na maior parte de seu mandato pautou-se pelo diálogo, pela negociação e a defesa dos direitos humanos. Carter conseguiu que Egito e Israel assinassem um Tratado de Paz em 1979, o Acordo de Camp David, que revelou ser o precedente para a construção de uma paz progressiva no Oriente Médio.

Com vastíssima atuação como mediador de conflitos internacionais, incentivador e apoiador das pesquisas e estudos sobre a paz, através de seu Carter Center, em Washington, o ex-presidente mostra que os EUA poderiam exercer sua influência de outra forma, antes liderando do que impondo.

Gilberto Rodrigues é professor de Direito Internacional na UniSantos e Universidade São Judas Tadeu, autor de O que são relações internacionais (Brasiliense) e co-autor de Globalização a olho nu (Moderna). E-mail: professor@gilberto.adv.br

Voltar para a Seção Mundo
Voltar para a Página Principal