Rússia usou armas químicas


Gilberto Rodrigues

Um gás letal. Foi esse o recurso utilizado pelas forças especiais russas que comandaram a invasão do Teatro em Moscou e puseram fim ao seqüestro liderado pelos chechenos. A operação resultou em tragédia e a comunidade internacional exige saber que tipo de arma química o governo russo usou nessa operação.

Mais de 150 pessoas morreram, outras centenas estão hospitalizadas em estado grave. Dos 700 reféns, poucos saíram ilesos. Está claro que o governo russo teve um objetivo primordial: liquidar os sequestradores, auto-proclamados defensores da independência da República da Chechênia.

O Presidente Putin, que estava fora do país naquele momento, teve de acompanhar tudo de longe, e não deu margem a nenhum movimento de negociação: sua posição foi de guerra total aos chechenos, agora equiparados aos mais fascínoras terroristas.

Proibição - As armas químicas estão proibidas pelo direito internacional. A Rússia, juntamente com a maioria dos países, se comprometeu a não fabricá-las ou utilizá-las. Além disso o país integra a Organização para a Proscrição das Armas Químicas (OPAQ), com sede em Haia, que até pouco tempo era dirigida pelo embaixador brasileiro José Maurício Bustani. A OPAQ tem mecanismos de verificação e monitoramento que podem e devem ser aplicados em todos os países. Na prática, as grandes potências tratam de burlá-los.

As cenas posteriores à invasão e os testemunhos dos profissionais da saúde que atenderam as vítimas indicam que o gás, injetado pela respiração do teatro, é de um tipo desconhecido, e seus efeitos atuam no sistema nervoso central, causando paralisia. O episódio não deixa margem a dúvidas de que os russos desenvolvem armas químicas, fato que certamente afetará a credibilidade e a confiança da Rússia, sobretudo na Europa.

Este episódio, que causou um prejuízo semelhante ao que os terroristas ameaçavam desencadear, indica que o governo da Rússia pretende endurecer com os movimentos separatistas e os chechenos em particular, o que não confere nenhuma garantia de que o problema será resolvido. Ao mesmo tempo, mostra que a Rússia de Putin ainda está muito longe de atuar como uma democracia - que o Kremlim afirma ser.


Gilberto Rodrigues é professor de Direito Internacional na UniSantos e Universidade São Judas Tadeu, autor de O que são relações internacionais (Brasiliense) e co-autor de Globalização a olho nu (Moderna). E-mail: professor@gilberto.adv.br

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