| Venezuela:
Amigos para Sempre
Gilberto Rodrigues A crise política da Venezuela recebeu novo reforço para sua resolução. Trata-se do grupo de países-amigos para a Venezuela, criado em Quito, durante a posse do novo presidente do Equador, Lucio Gutierrez. Esse tipo de ajuda tem antecedentes de sucesso na ONU, mas é novidade na América do Sul. Articulado pelo governo brasileiro, o grupo de amigos para a Venezuela terá a participação dos EUA, Chile e México, além do Brasil; Espanha e Portugal serão observadores. Considerada uma vitória diplomática do governo do Presidente Lula, a iniciativa está gerando polêmica e inaugura uma nova fase das relações internacionais de Brasil e da América do Sul.
O grupo de amigos para a Venezuela deverá atuar como bom-oficiante, ou seja, como facilitador do diálogo entre o governo de Chávez e a forte oposição de diversos setores dentro do país. Os amigos deverão apoiar o trabalho do Secretário-geral da OEA, garantindo o espaço e as oportunidades para que as partes encontrem elas mesmas a saída para a crise. Se houver um pedido das partes para que os amigos ofereçam propostas para resolver o impasse, então o grupo passará a atuar como mediador do conflito, mas eventuais sugestões não terão caráter obrigatório, de acordo com o Direito Internacional. Intervenção?
- Críticos da nova postura brasileira, sobretudo os opositores
ao governo de Chávez, acusam o Brasil de violar o princípio
da não-intervenção, fonte do direito internacional
historicamente defendida pelo Itamaraty. O Brasil estaria renunciando
a sua tradicional posição de não se intrometer
nos assuntos internos dos outros, resguardando para si o mesmo direito.
Ao liderar o respeito à Constituição venezuelana e a permanência de Chávez até o plebiscito de agosto de 2003, Lula quer demonstrar que o Brasil é um amigo para sempre da democracia no continente e quer impedir um precedente que poderia ser usado, quem sabe, até mesmo contra o Brasil.
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