Blix: Mais Tempo

Gilberto Rodrigues

Mais tempo. Foi o que o inspetor-chefe de armas da ONU, Hans Blix, solicitou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para concluir o seu trabalho no Iraque. As palavras de Blix soaram como alívio e reforçaram a posição da grande maioria dos países que defende uma saída pacífica para o conflito.

Blix disse mais: não foram encontradas armas de destruição em massa no território iraquiano, além disso o governo de Saddam Hussein está cooperando. O tempo a mais requerido pelo inspetor-chefe serviria para buscar e destruir outros artefatos que suspeita-se estejam armazenados ou ainda escondidos no país.

Palavras doces demais para o apetite do governo de George W. Bush, que parece não estar disposto a recuar a um eventual ataque ao Iraque, considerando a crescente concentração de tropas no Golfo Pérsico e as agressivas declarações presidenciais.

Para Bush, conceder mais tempo a Hussein somente faria sentido se novas armas fossem efetivamente encontradas e destruídas, pois isso diminuiria o poder de fogo iraquiano contra as tropas americanas. Nessa perspectiva, a ONU estaria trabalhando para "limpar a área" e facilitar a invasão anglo-americana. Com essa razão oculta, os EUA poderão estar dispostos a aceitar um novo prazo.

O papel da ONU deve ser mesmo o de esgotar todos os meios e esticar a corda do tempo até onde for possível, porque suas medidas visam a manutenção e o restabelecimento da paz. Nesse sentido, o Relatório Blix cria um ambiente propício para a aprovação de nova resolução do Conselho de Segurança, que chamaria para si o controle da legalidade de qualquer intervenção. Enquanto isso, os movimentos e atos pacifistas terão mais tempo para fazer ecoar sua voz pelo mundo.



Gilberto Rodrigues é professor de Direito Internacional da Universidade Católica de Santos, autor de O que são relações internacionais (Brasiliense) e co-autor de Globalização a olho nu (Moderna). E-mail: professor@gilberto.adv.br

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