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Turquia
resiste à pressão dos EUA
Gilberto Rodrigues
O Parlamento da Turquia decidiu resistir à pressão do governo dos EUA, recusando-se a autorizar o uso de bases turcas pelas forcas armadas norte-americanas. A Turquia é um país-chave para a invasão do Iraque e sua negativa dificultará eventual ação unilateral dos EUA na região. O governo turco vinha buscando explorar sua estratégica posição de vizinhança com o Iraque para obter dos EUA ajuda financeira incondicional e sem precedentes, como compensação pelo desgaste político-diplomático e econômico a que o país estaria sujeito se viesse a ceder seu espaço aos EUA. Ao que parece, os turcos não obtiveram o dinheiro que esperavam para tão arriscada empreitada. Por apenas três votos de diferença, 267 parlamentares votaram contra e 264 a favor da autorização, sendo que 19 se abstiveram, o legislativo turco consumou uma das mais relevantes manifestações de soberania nacional da historia do país, contrariando o desejo expresso norte-americano de contar com todos os aliados para enfrentar Saddam Hussein. Quais interesses nacionais turcos estão em jogo? A Turquia teme que sua colaboração provoque manifestações incontroláveis da população islâmica, bem como atentados terroristas no país, desestabilizando a governabilidade e comprometendo a democracia a duras penas alcançada por Ancara. Outro temor é o de que a causa dos curdos seja fortalecida, com a fragmentação do Iraque pós-guerra e o risco de criação do estado do Curdistão, cuja maior parcela de território histórico encontra-se na faixa leste da Turquia. Por outro lado, os turcos muito almejam ingressar na União Européia, mas vêm sendo sistematicamente vetados pelos franceses, em razão de seus déficits de direitos humanos e democracia, que seriam incompatíveis com os da UE. Ao vetar os soldados dos EUA, a Turquia coloca-se agora par a par com a Franca anti-Bush de Jacques Chirac. Quem sabe assim os turcos consigam ganhar o tão esperado beneplácido francês para seu sonho europeu.
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