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Efeitos
colaterais da política dos EUA Gilberto Rodrigues
A obsessão do governo Bush está, hoje, no mesmo nível dos radicais muçulmanos que se atam às bombas e praticam o terrorismo-guerra pela causa islâmica. Não são apenas os terroristas sem-Estado que infringem o direito internacional, mas a principal nação do planeta que está se apartando perigosamente da legitimidade e da legalidade internacionais. Qual será o preço a ser pago por esta nova e execrável política unilateral dos EUA? Quais poderão ser seus efeitos colaterais para os EUA e para o mundo? Joseph Nye, um dos mais respeitados professores de relações internacionais norte-americano, tem criticado abertamente o governo Bush, que está usando o chamado hard power (poder forte), com base em ultimatos, ameaças, e a forca militar para alcançar seus objetivos, deixando de lado o soft power (poder brando), que obtém adesão pela via da negociação multilateral, da diplomacia, do convencimento e da sedução dos valores americanos. A imposição nua e crua da doutrina Bush não encontrará contestadores na sua primeira etapa, pois não há país ou grupo de países que se equipare ao poder de Washington. Mas, e os demais interesses dos EUA, como poderão ser garantidos no day after do desrespeito ao Direito Internacional, do desprestigio da ONU? Saddam Hussein não
é confiável; serão os EUA igualmente confiáveis
após atacar Bagdá sem o aval da ONU e assumindo a tutela
do Iraque, por um plano desenhado no Pentágono?
Gilberto Rodrigues é professor de Direito Internacional da Universidade Católica de Santos, autor de O que são relações internacionais (Brasiliense) e co-autor de Globalização a olho nu (Moderna). E-mail: professor@gilberto.adv.br |
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