Pneumonia asiática desafia governos


Gilberto Rodrigues


A primeira epidemia global do século XXI. Assim está sendo considerada a síndrome respiratória aguda grave (SARS, em inglês), conhecida como pneumonia asiática. Autoridades sanitárias em todas as partes estão se mobilizando para prevenir, isolar e combater esta nova doença mortal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), organismo do sistema da ONU com sede em Genebra, tem um papel fundamental nesse tema. É ela que estabelece as regras para o controle de epidemias no planeta. Por isso, causou grande impacto a recomendação feita pela OMS para evitarem-se viagens a Hong Kong e Pequim, na China, e Toronto, no Canadá, onde a doença está se alastrando rapidamente.

O reconhecimento oficial deste risco de contágio pela OMS está produzindo enorme abalo nas economias dos países afetados. Com a perspectiva de cancelamento de milhares de viagens de turismo e de negócios, a China e outros países do continente asiático sofrerão perdas ainda inestimáveis.

É interessante notar que esse episódio coloca por terra a maior parte das previsões e profecias otimistas sobre o futuro da China, cada vez mais apresentada como gigante econômico imbatível. Mas foi a falta de democracia que impediu, de forma criminosa, que as autoridades chinesas reconhecessem o problema a tempo de se tomar medidas preventivas mundiais.


Ameaça - Cientistas e pesquisadores trabalham freneticamente para encontrar vacinas e medicamentos para debelar esta nova ameaça à saúde planetária. Sabe-se que a SARS é produto de um vazamento ocorrido em laboratórios, a partir de pesquisas genéticas realizadas na China, o que reforça a idéia de que a biotecnologia representará tanto o caminho da cura quanto o risco de novas doenças letais neste século.

O caso da epidemia asiática revela a necessidade de a OMS e de outros organismos internacionais exercerem ações diretas mais fortes sobre os governos. O imperativo de cuidar da saúde pública global deverá favorecer a criação de novos mecanismos de cooperação internacional. Caso contrário, o isolamento sanitário de países poderá vir a ser realidade em pouco tempo.



Gilberto Marcos Antonio Rodrigues é professor de Direito Internacional da Universidade Católica de Santos, autor de O que são relações internacionais (Brasiliense) e co-autor de Globalização a olho nu (Moderna). E-mail: professor@gilberto.adv.br

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