|
Educação
segura o Brasil
Nenhum país avançou mais que o Brasil no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) desde 1975. A despeito de integrar o time das dez nações mais desiguais do planeta, o Brasil conseguiu, em 26 anos, ganhar 16 posições e chegar em 2001 como 65 colocado na lista que compara as condições de vida em 175 países dos cinco continentes. Foram dez posições nas décadas de 70 e 80; duas nos anos 90; e quatro entre 2000 e 2001, informa a edição 2003 do Relatório do Desenvolvimento Humano Mundial. Na publicação que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) lança oficialmente hoje em todo o mundo, sobram referências ao Brasil. Ao todo, foram inéditas 45 citações. Nem todas elogiosas. Mesmo reconhecendo os avanços nas áreas de educação e saúde, o documento ataca duramente a desigualdade de renda e o desempenho medíocre, na palavras da própria ONU, do Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Os autores destacam que, entre 1975 e 2001, a renda per capita no país aumentou 0,8% ao ano. O desempenho foi inferior ao da média mundial (1,2% anuais) e cerca de um terço do registrado nas nações desenvolvidas (2,3% ao ano). A renda foi o elemento que menos contribuiu para a escalada no ranking , no qual o país ainda ocupa posição muito inferior à de vizinhos latino-americanos, como Argentina (34), Uruguai (40), Chile (43). Na lista, o Brasil (IDH de 0,777) aparece entre a Colômbia (0,779) e a Bósnia (0,777). O país salvou-se pela melhora em educação e longevidade. E foi particularmente beneficiado pela mudança no cálculo da taxa bruta de matrículas. Responsável pelos dados, a Unesco passou a considerar as informações fornecidas pelos governos, em vez de sua própria base de dados. Com isso, a proporção de alunos matriculados foi incluída em sua totalidade, sem subtrair, por exemplo, o número de estudantes com mais de 14 anos que ainda não saíram do ensino fundamental. Em duas décadas e meia, a taxa de matrícula no ensino básico saltou 86% para 97%; e no médio, de 15% para 71%. O índice de alfabetização de adultos passou de 82% para 87,3%. E desde os anos 70, os brasileiros adicionaram oito anos na sua esperança de vida ao nascer: de 59,5 para 67,8 anos. O Pnud encontrou evolução nos indicadores sociais brasileiros mesmo num período curto de análise. Entre 2000 e 2001, a proporção de matrículas nos três níveis de ensino passou de 92,9% para 95,1%. O total de alfabetizados com mais de 15 anos de idade subiu de 86,9% para 87,3%; e a expectativa de vida, de 67,6 para 67,8 anos. No mesmo período, a renda per capita medida pela paridade do poder de compra (metodologia que anula a variação cambial e permite comparar o poder aquisitivo de diferentes países) passou de US$ 7.349 para US$ 7.360. As informações de renda seguram o Brasil no time dos países de médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,5 e 0,8), enquanto as de educação o aproxima das nações mais ricas. Já a longevidade, embora tenha crescimento, é um traço forte de subdesenvolvimento: o Brasil é o 110 numa lista em que o líder Japão apresenta esperança de vida de 81,3 anos. México
alcança alto desenvolvimento No extremo oposto,
Serra Leoa manteve a última posição. O Pnud chama
a atenção para o fato de 21 países terem apresentado
queda no IDH nos anos 90, contra quatro na década anterior. Nada
menos que 54 países em desenvolvimento tiveram queda na renda
per capita - a maioria deles na África e na América
Latina. Apesar da crise, a Argentina manteve sua posição
no ranking , enquanto o México foi içado ao grupo
de países de alto desenvolvimento.
|
|
|
|
|