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Vieira
de Mello, um servidor da ONU.
Gilberto Rodrigues
A destruição física da ONU, a morte de Viera de Mello e de outros destemidos funcionários da organização, mostra claramente que as tropas norte-americanas estão perdidas no labirinto de Bagdá. Mostra igualmente que a proposta de um trabalho conjunto da ONU com os invasores não foi honrada por estes. A quem competia a segurança? Aos EUA. Esse fatídico ato terrorista é um golpe mortal na estratégia de fazer do Iraque um lugar controlado, um novo oásis ocidental na região. As Nações Unidas foram a Bagdá com um objetivo: atuar na frente humanitária, dialogar com as facções e com os grupos esfacelados pela guerra, o que os norte-americanos não poderiam e não saberiam fazer, e somente a ONU teria condição de fazê-lo. E dentro da ONU, a indicação de Vieira de Mello foi sugerida pelos próprios norte-americanos a Koffi Annan. Talvez aí tenha sido o maior erro do Secretário-Geral e de seu fiel servidor: aceitar as bençãos públicas do invasor. Viera de Mello era conhecido por sua incrível habilidade, competência e indisfarçável gosto pelo perigo. Nas missões mais difíceis, fora do eixo Nova Yorque-Genebra, lá estava ele, e assim foi conquistando respeitabilidade dentro e fora da ONU. Seu nome já circulava como possível candidato a Secretário-Geral. Mas, apesar de sua mente brilhante, de sua condição de brasileiro - favoravelmente neutra na resolução de conflitos internacionais - os terroristas o atingiram e assim deram um recado ensurdecedor. A eles e aos invasores restam as culpas e responsabilidades. A nós, o luto.
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