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Atentado
em Madrid confunde governo. (*) Gilberto M. A. Rodrigues
O brutal atentado à bomba realizado nos trens urbanos de Madrid atingiu implacavelmente o povo da Espanha e da Europa, e confundiu as autoridades espanholas. Em princípio, o governo de José Maria Aznar acusou, sem titubear, o Grupo Separatista Basco ETA de ser o autor da barbárie. Mas nem a organização assumiu o atentado nem o perfil dos ataques se encaixa com as tradicionais ações etarras. Ao fim do dia, a Al Qaeda reivindicou a ação terrorista e inaugurou uma nova peça no tabuleiro europeu. A Espanha de Aznar tem sido apoiadora incondicional do combate ao terrorismo, e entusiasta de primeira hora da invasão do Iraque por parte do governo Bush. Foi na Espanha que aconteceram as maiores manifestações populares contra a Guerra e contra o apoio espanhol. O governo tratou de aproveitar a onda antiterror para eliminar de vez o ETA, sem deixar-lhe qualquer espaço para respirar. Nem mesmo a possibilidade de um Partido Separatista,o Batasuna, foi permitida pela Justiça espanhola. Esses eventos agora parecem indicar que a linha dura de Aznar transformou a Espanha num país vulnerável às manobras da Al Qaeda, cujos objetivos são diferentes do ETA, embora possam ser aliados ocasionais, pois no mundo do terrorismo assim como no do crime tais alianças podem se dar. Mas reduzir as ações do ETA ou enquadrá-lo automaticamente no terrorismo internacional não parece ser correto, pois há razoes históricas na Espanha, aprofundadas na ditadura franqueza, para esse movimento terrorista hoje rechaçado pela maioria dos próprios bascos. A Espanha, depois do dia 11 de março, e em vésperas de eleições gerais, vive novamente o desafio de manter sua democracia viva e lúcida. A partir de Madri, os desdobramentos desse atentado serão cruciais para medir com que pulso a União Européia irá se relacionar com esse novo e condenável evento no cenário europeu.
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