ANALFABETISMO ATINGE UNIÃO EUROPÉIA


Gilberto Rodrigues


O Parlamento Europeu acaba de divulgar um estudo que aponta a existência de analfabetismo na União Européia. Os dados são surpreendentes: cerca de 20% - um quinto - da população do Bloco não sabe ler nem escrever.

A heterogeneidade da Europa dos 15 fica bem visível nesse estudo, uma vez que o analfabetismo vai de 14% na Alemanha a 50% em Portugal. Esse problema atinge bem menos os países nórdicos membros da UE, Dinamarca, Finlândia e Suécia.

Qualquer leigo ficaria espantado diante desses números, considerando a importância e o incentivo que a UE concede à educação, sendo a própria Europa berço de civilizações e das mais antigas universidades do Ocidente. Há, porém, algumas razões concretas para explicar esse quadro.

Imigrantes - sabe-se que a Europa é um dos locais de maior afluência de imigração planetária. Muitos desses migrantes não passaram por educação formal em seus países de origem, na Ásia, África ou América Latina. Somente na França há mais de três milhões de imigrantes, na Alemanha são mais de quatro milhões.

Heterogeneidade - O alto índice de analfabetismo em Portugal mostra que alguns países de economia fraca, que viviam fechados, e que ingressaram mais tarde na União Européia, ainda têm um largo caminho a percorrer nesta área. No caso da Itália, que apresentou 30% de analfabetismo, o problema é mais grave e relaciona-se às marcadas diferenças regionais, entre o Norte e o Sul do país.

Idosos - Sendo uma região onde expectativa de vida é das mais altas, a União Européia tem um enorme contingente de idosos, da terceira e quarta idades que, por diversos motivos, vão se distanciando do universo letrado, seja porque estão isolados no mundo rural (sim, ainda é possível estar isolado apesar da globalização...), seja porque as transformações são muito rápidas e não permitem ser acompanhadas a tempo.

Esta estudo deverá causar impacto nas políticas públicas da UE. Mais recursos financeiros e humanos deverão ser canalizados para erradicar aquele que é considerado um dos principais flagelos da humanidade. Direito humano fundamental, o direito à educação é prioridade na agenda dos países desenvolvidos e se novos candidatos da Europa do Leste - Polônia, Eslovênia e Hungria (onde um terço da população é analfabeta) - ingressarem no Bloco, o desafio de alfabetizar aumentará em grandes proporções.

 

Gilberto Rodrigues é professor de Direito Internacional da UniSantos e Universidade São Judas Tadeu, autor de O que são relações internacionais (Brasiliense) e de Globalização a olho nu (Moderna)

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