Perguntas e Respostas sobre Israel X Palestina

Solidariedade ao povo palestino
No dia 29 de novembro comemora-se o Dia Internacional de Solidariedade ao povo palestino.

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Colaboradora
Profª Geralda Braga
Professora de História e pós- graduada em Política Internacional pela FESP-SP
grbraga@uol.com.br


  1. Qual a origem do povo palestino e sua relação com os filisteus? - Resposta
  2. Sobre os motivos dos conflitos atuais: - Resposta
  3. Sobre a religião predominante em Israel: - Resposta
  4. O que é a Esplanada das Mesquitas? Por que a reivindicação de Jerusalém pelos dois povos? - Resposta


Bibliografia

1. Qual a origem do povo palestino e sua relação com os filisteus?

Devido as constantes invasões, o povo palestino é uma mistura de vários povos, sendo os mais importantes os filisteus, os cananeus, os cristãos (Cruzados) e a partir do século Vll , os árabes muçulmanos. A atual Faixa de Gaza corresponde ao território filisteu chamado Falistin pelos árabes , de onde vem o nome Palestina .O nome Falistin significa "Terra de Gigantes", daí a passagem sobre Davi e o "gigante" Golias, o filisteu.

Canaã , território dos caananitas ou cananeus , corresponde hoje a Cisjordânia. Os cananeus, habitavam a região desde há aproximadamente quatro mil anos. ( 1)

Os árabes têm sua origem em Ismael , filho de Hagar, a escrava egípcia de Abraão, expulsos para o deserto ( 2 ) quando Sarah (esposa de Abraão) dá a luz à Isaac, pai de Esaú e Jacó, mais tarde chamado Israel e "pai"das doze tribos que originaram o povo judeu ou israelita. ( 3).

No início do século VII da nossa Era, os árabes muçulmanos invadiram a Palestina e a dominaram, converteram os nativos ao islamismo, miscigenaram-se e estabeleceram-se. A linguagem , os costumes e arquitetura tornaram-se árabes "que não perdiam tempo exterminando os povos conquistados". (4)

Depois da conquista parcial dos Cruzados ( europeus) , no século X, e a cristianização da região por quase duzentos anos , os turcos otomanos também muçulmanos ) a reconquistaram em 1517 até 1918 , fim da Primeira Guerra Mundial, fortalecendo a língua, religião e os costumes árabes.

Portanto, embora o sangue tenha sido diluído em sangue estrangeiro através de várias invasões , o povo original permaneceu na Palestina , mas predominantemente árabe.

(1) l Crônicas, l- 11 e dos cananeus em l Crônicas 1-17.
(2) Gênesis 16, 1-16 ; Gênesis 21, 10-20 ; Gênesis 25, 5-6 ; Gênesis 25,12 – 18
(3) Com a morte de Salomão, por volta de 927 a.C o reino dividiu- se em dois : Judá e Israel , por isso até hoje são chamados judeus , das tribos de Judá e israelitas, das tribos de Israel. Israelenses são os nascidos no atual Estado de Israel ( 1948).
(4) Moshe Menuin - Judaísmo Hoje- RJ, Paralelo, 1969.

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2) Sobre os motivos dos conflitos atuais:

Apesar da partilha aprovada pela ONU em 29 de novembro de 1948, quando foram criados os Estados de Israel e da Palestina, o segundo jamais se realizou. À proclamação do Estado de Israel em 15 de maio de 1948 seguiram-se seis guerras, durante as quais os israelenses foram ocupando gradativa e violentamente o território do eventual Estado Palestino até a totalidade. Oficialmente, apenas existe o Estado de Israel.

Na década de 90 aconteceram os primeiros acordos de paz. Pelos Acordos de Oslo (1993), foi criada a Autoridade Nacional Palestina sob a liderança de Iasser Arafat , uma espécie de experiência de um governo parcial palestino em duas regiões : Faixa de Gaza e Cisjordânia,( por cinco anos) findos os quais, seria criado o Estado da Palestina. Vários acordos foram feitos e rompidos, outros, "congelados" pelo governo de Binyamin "Bibi" Netanyahu, do partido conservador Likud.

A eleição de Ehud Barak , do partido Trabalhista, em junho de 99 trouxe nova esperança de paz, necessária para a criação do Estado Palestino. Pelo acordo original, o prazo venceu em maio de 1999, adiado pela Autoridade Palestina para esperar a posse de Barak. . Como as partes não chegaram a um consenso sobre várias questões como a retirada das tropas israelenses das áreas ocupadas e principalmente a questão sobre Jerusalém, a realização do acordo foi adiada novamente para maio de 2.000, o que não aconteceu também.

Iasser Arafat comunicou a proclamação do Estado da Palestina para 13 de setembro de 2.000, ?com ou sem acordo" porém não alcançou êxito. Frustrados e desiludidos , os palestinos reagiram , especialmente após a visita do general Ariel Sharon, ( comandante de diversos massacres contra os palestinos) `a esplanada das Mesquitas. O general entrou na mesquita com seus seguranças sem tirar os sapatos, o que é considerado pelos muçulmanos falta de respeito. Curiosa foi a reação de Israel contra o protesto: com tanques, helicópteros e balas de verdade. Daí, a generalização do conflito.

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3) Sobre a religião predominante em Israel:

O território oficial de Israel ,(chamado Palestina pelos árabes) abriga as três maiores religiões monoteístas, os chamados "povos dos Livros " : a religião Judaica ( Judaísmo ou Israelita), a religião Islâmica ( ou Muçulmana , de Muslin, "fiéis ao Islã") e a religião Cristã. Atualmente, pelas invasões de Israel e a conseqüente expulsão do povo palestino e a proibição de seu retorno, a religião predominante no território é a religião Judaica. Os cristãos são minoria. Todos seguem o mesmo Deus, com nomes diferentes: Yahveh (Javé ), para os judeus, Allah , para os islâmicos e simplesmente Deus, para os cristãos, pois admitem a existência de uma só divindade, o Todo Poderoso. os nomes de Deus se traduzem apenas por "Aquele que é".

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4) O que é a Esplanada das Mesquitas? Por que a reivindicação de Jerusalém pelos dois povos?

A cidade de Jerusalém é o principal ponto de discórdia entre israelenses e palestinos (1). A partilha aprovada pela ONU, em 1948, determinou que Jerusalém seria internacionalizada por ser sagrada para as três religiões e administrada pela ONU.

Na Cidade Santa encontram-se as ruínas do Templo de Salomão, sendo o Muro das Lamentações, o que restou dele na esplanada , sagrado para os judeus (2) . Para os cristãos, é sagrada por abrigar o Santo Sepulcro ( túmulo de Cristo), o Calvário (onde Jesus Cristo foi crucificado ) e as várias igrejas representando os passos da Via Sacra. Com a ocupação árabe-islâmica em 637 , foi declarada Al Quds ( Santa) e na esplanada onde outrora havia o Templo de Salomão foram construídas duas mesquitas : a Mesquita do Domo do Rochedo , de onde, segundo a crença islâmica, o Profeta Mohammad (3) teria sido levado para encontrar-se com Moisés e Jesus , filho de Maria, e a impressionante Mesquita de Omar, com sua cúpula dourada (4), formando as duas, o terceiro Al - Aqsa "local para rezar", (o primeiro é em Mecca e o segundo em Medina ambos na atual Arábia Saudita)

Ocupada totalmente por Israel em decorrência da Guerra dos Seis Dias (1967 ), a Cidade Santa foi dividida , pelos Acordos da década de 90, em Jerusalém Oriental (árabe) e Jerusalém Ocidental (judia). Para os fundamentalistas judeus e muçulmanos, Jerusalém é indivisível , por isso, os líderes não conseguem chegar a um consenso.

(1) Para os judeus, Jerusalém foi fundada pelo rei Davi,( ano 1.000 a.C.) para os palestinos, foi fundada pelos cananeus por volta do século X Vlll a.C. Recentes descobertas arqueológicas confirmam que Jerusalém já existia há pelo menos 800 anos antes do reinado de Davi.
(2) O rei Salomão, filho e sucessor do rei Davi mandou construir o Templo que foi destruído em 587 a.C pelos Babilônios, que levaram os judeus como escravos. Cinqüenta anos depois, a Babilônia foi subjugada pelos persas e o Templo reconstruído. Jerusalém foi praticamente destruída pelos romanos em 70 d.C. Em 132-135 o imperador romano Adriano mandou construir uma nova cidade sobre as ruínas, proibindo os judeus de nela entrarem. O que restava do Templo desapareceu num terremoto.
(3) traduzido como Maomé, o que não é do agrado dos muçulmanos, por considerar esta expressão falta de respeito.
(4) erigida em memória de Omar ,segundo sucessor do Profeta Mohammad, o Califa Omar Ibn Al Khattab, que tomara Jerusalém dos romanos, em 637.

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Bibliografia

Época. São Paulo: Coleção Polêmica, Moderna, 1994.
AKCELRUD, Isaac. O Oriente Médio. São Paulo: Coleção Discutindo a História, Atual, 1985.
BRENNER, Jayme. Ferida Aberta - O Oriente Médio e a nova ordem mundial. São Paulo: Série História Viva, Atual, 1993.
DEL PINO, Domingo. A tragédia do Líbano. São Paulo: Clube do Livro.
FREIGNIER, Michel. Guerra e paz no Oriente Médio. São Paulo: Coleção História em Movimento, Ática, 1994. HADDAD, Jamil Al Mansur. O que é Islamismo ? São Paulo: Coleção Primeiros Passos, Brasiliense, 1994.
HOURANI, Albert. Uma história dos povos árabes. São Paulo: Cia. Das Letras, 1994.
JORNAL " Al Urubat " - publicado pela Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo.
KHALID, Walid. Palestinos antes de sua diáspora. Paris: Les Editions de la Revue d'etudes palestiniennes,( Edición española, 1987.)
KEPEL, Giles. A revanche de Deus. São Paulo: Siciliano, 1992.
MAALOUF,Amin. As cruzadas vistas pelos árabes. São Paulo: Brasiliense,1988
MASSOULIÉ, François. Os conflitos do Oriente Médio. São Paulo: série Século XX, Ática, 1996.
MENUHIN, Moshe. Judaísmo Hoje - Palestina, árabes e judeus. Rio de Janeiro Paralelo, 1969.
YASBEK, Mustafá. Palestinos em busca da pátria. São Paulo: série História em Movimento, Ática, 1995.
Textos e Documentos obtidos junto à Delegação Palestina no Brasil - Brasília – DF
AUTORIDADE Palestina. "A Palestina antes de 1917".
CATTAN, Henry. "A Palestina e o Direito Internacional" - seção 6.
CATTAN, Henry. "The Palestine Question". ONU: (Missão Palestina de Observação Permanente): "Os Acordos de Oslo".
ONU: "Recomendación de las Naciones Unidas para el plan de partición de 29 de noviembre de 1947".
ONU: Resoluções - Jerusalém.

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