Islamismo e Taleban - duas coisas diferentes

Leia MaisXiitas e Sunitas Leia MaisO Regime Taleban

Dentre as várias religiões existentes no mundo, o Islamismo a segunda maior. 30% do mundo é muçulmano. Sempre houve, no ocidente, confusão desta religião com os grupos extremistas e terroristas árabes. Aliás, a confusão vai além, principalmente depois dos atentados aos EUA. Desde então, todo árabe virou muçulmano e todo o muçulmano virou terrorista. É claro que isto não é verdade. Há muitos árabes cristãos e muitos muçulmanos pacifistas. É preciso esclarecer e desfazer os preconceitos, que não levam a nada e, pelo contrário, multiplicam a intolerância entre os povos.

AlcoraoA palavra Islam, em árabe, pode significar submissão a Alah ou paz. O islamismo nasceu com o profeta Maomé (Muhammad, em árabe), que recebeu a palavra de Deus, expressa no livro sagrado Alcorão. Baseia-se em cinco princípios, que são a declaração de fé, as orações, que o fiel deve fazer cinco vezes ao dia, voltado para Meca e depois de ter feito as abulações, o jejum, durante o mês do Ramadan, o zakat, que é uma espécie de dízimo e a peregrinação à cidade sagrada de MecaMeca, na Arábia Saudita, pelo menos uma vez na vida. Além disto, proíbe a bebida, o jogo, a carne de porco e prega a prática da circuncisão. Aceitam o cristianismo e o judaísmo, pois as três religiões têm Abraão como patriarca. No entanto, por ser a última a surgir, no ano de 622, considera que as outras se afastaram das origens e que, portanto, ela lhes é superior.

Xiitas e Sunitas

Quando Maomé morreu, em 632, houve disputa pelo seu lugar. Ocorreu, então, a divisão do Islamismo em várias seitas, das quais as mais conhecidas são os sunitas e os xiitas. Os primeiros foram aqueles que aceitaram a sucessão do profeta da forma como se deu, e hoje são 85% dos muçulmanos. Os segundos, por sua vez, foram os seguidores de Ali, genro de Maomé que reivindicou o lugar para si. A associação dos xiitas com o radicalismo deu-se quando eles tomaram o poder no Irã, com o aiatolá Khomeini, e impuseram um regime extremamente conservador no que dizia respeito tanto à política internacional quanto aos costumes. Embora o fundamentalismo islâmico tenha sido associado a eles, uma coisa não é sinônimo da outra, pois o termo é usado para designar somente aqueles que seguem a sharia, lei islâmica, ao pé da letra, sem adaptações a tempo nem a época. Mesmo entre os fundamentalistas há os que são pacifistas e que não vêem no ódio ao ocidente um motivo justo para a jihad (guerra santa). Há também os que, como o grupo de Osama Bin Laden, o Al Qaeda, distorcem a Sunna e o Alcorão para justificar atos terroristas. Ressalte-se que grupos assim não tem o apoio da maioria dos muçulmanos tradicionais.

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O regime Taleban

Um bom exemplo para ilustrar a afirmação acima são os Talebans, milícia armada que controla 95% do território afegão e é sunita. A palavra taleban significa estudante, em idioma persa; o movimento político-religioso nasceu nas escolas na região da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão. O Afeganistão foi praticamente destruído pela guerra travada contra a União Soviética, que ocupou o país de 1979 a 1989, e pelas sucessivas guerras internas entre as várias milícias que disputavam o governo. Em 1997, com a colaboração do Paquistão, a milícia Taleban tomou o poder e logo passou a dominar quase todo o território afegão.

Caracterizados por um fundamentalismo extremo, impuseram um regime de horror ao país, principalmente para as mulheres, que perderam praticamente todos os direitos. São obrigadas a andar com o corpo absolutamente coberto, inclusive o rosto e os pés, perderam o direito à educação, não podem falar com ninguém, nem praticar esportes, nem usar roupas coloridas nem usar nenhum tipo de maquiagem. As regras são tão absurdas que chegam a ser inimagináveis para nós.

Por tudo isto tem de se mostrar claramente a diferença entre religião e fanatismo. E que isto se aplique a todo tipo de fanatismo, até ao esportivo, que estamos tão acostumados a ver em nosso país. É preciso que as famílias e as escolas ensinem às crianças a importância de respeitar o outro, respeitar as diferenças de cultura, de sexo, de raça, de credo. Seres humanos são únicos e diferentes entre si, individuais. Um mundo sem sectarismo só será possível com educação, e é com isto que queremos contribuir.

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