Woodstock


imagem:http://www.janisjoplin.netO final dos anos 60 foi conturbado. Em maio de 68, estudantes franceses protestaram, nas ruas de Paris, contra os valores estabelecidos na sociedade, contando com a simpatia de intelectuais do existencialismo francês, como Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, esta última, autora do livro O Segundo Sexo, uma das bíblias do feminismo. O Brasil vivia a ditadura militar instaurada pelo golpe militar de 1964. O movimento estudantil, sindical, artistas e intelectuais lutavam contra o regime. Nasceram a Tropicália (leia mais à esquerda) e os festivais de música. Em 1968, o AI 5 (veja quadro à esquerda) tolhia de vez a liberdade de expressão no país.

Os movimentos pacifistas e anti-racismo nos EUA, a explosão do feminismo, a liberação gay, tudo acontecia ao mesmo tempo. Paralela a isto, a música, extremamente influenciada pelo psicodelismo (em parte vindo do LSD), atingia uma criatividade notável. O caldeirão cultural aí originado, questionador e polêmico, ficou conhecido como contracultura.

A música, na verdade, refletiu grandemente o espírito da época. Não era só criativa e diferente, era uma música de protesto, tinha idéias próprias, propunha uma nova visão de mundo. Trazia todo o afã do movimento de acabar com a pobreza, o racismo, o desrespeito à natureza. O primeiro grande festival de rock, que funcionou quase como uma prévia do Woodstock, foi o Monterey Pop Festival, de 16 a 18 de 1967. Nele o mundo viu nascer duas das maiores estrelas daquela época – Jimi Hendrix e Janis Joplin.

Woodstock foi imaginado por quatro jovens – John Roberts, 26 anos, Joel Rosenman, 24 anos, Artie Kornfeld, 25 anos e Michael Lang, 23 anos. O festival aconteceu em uma fazenda de Bethel, no estado de New York. Os protestos dos habitantes da pequena cidade e arredores só serviram para aumentar ainda mais a publicidade em torno do grande show, que esperava abrigar 50.000 pessoas e acabou recebendo 500.000. Obviamente não havia ingressos para e, no segundo dia do festival, os organizadores mandaram cortar a cerca e permitir que todos entrassem. Mais tarde, muitos que pagaram pelo ingresso acabaram processando a empresa.

A Hog Farm havia sido contratada para cuidar da comida, mas ninguém esperava tanta gente e um caminhão de mantimentos ficou preso em um congestionamento (causado pelo festival). Uma comunidade judaica próxima colaborou com a distribuição de sanduíches e até o exército ajudou, levando comida de helicóptero. Foi montada uma lona de circo para servir de hospital. Houve três mortes e três nascimentos.

O Slogan do festival – Três dias de paz e de música – foi proposital. Os realizadores imaginaram que a palavra paz ajudaria a evitar a violência durante o evento e ainda o ligaria ao sentimento anti-guerra predominante na época. O sistema de som foi montado de tal forma que, no volume mínimo, doíam os ouvidos de quem estivesse a menos de três metros das caixas.

Um dos pontos mais altos do show foi a apresentação de Jimi Hendrix, que tocou o hino dos EUA na guitarra, incluindo o som de granadas e bombas, em sinal de protesto contra a Guerra do Vietnã. A música dos hippies correu mundo, gente como o próprio Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joan Baez, Carlos Santana continuam sendo ouvidas nos dias de hoje. Esta foi, com toda a certeza, a maior contribuição hippie ao mundo.

Para saber mais
http://www.janisjoplin.net
http://www.jimi-hendrix.com
http://www.woodstock69.com
http://www.santana.com

Não deixe de ver o filme Woodstock, de Michael Wadleigh, que conta toda a história do grande festival. Veja mais indicações na seção Livros e Afins.

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