Pesquisa violência nas escolas - 2000
Incidência, causas, conseqüências e sugestões



A UDEMO realizou, no final do ano de 2000, uma nova pesquisa sobre violência nas escolas, a exemplo do que vem fazendo desde 1995. Dessa vez, no entanto, a pesquisa foi ampliada, elevando de seis para treze itens, incluindo dados sobre indisciplina, comunidade e módulo escolar.
Foram estudadas 496 escolas da rede pública estadual, representando as diversas regiões do Estado: Capital, Grande São Paulo, Interior e Litoral.
Os resultados foram distribuídos em três partes, para facilitar o estudo: tabulação, comentários e análise. No final, foram acrescentadas algumas conclusões a que se chegou, após a leitura e exame de todo o material enviado pelas escolas envolvidas.
Essa é mais uma ação de uma entidade que se preocupa, cada vez mais, com os destinos da escola pública estadual e, principalmente, com a educação escolar pública, gratuita e de qualidade no Estado de São Paulo.


Foram pesquisadas 496 escolas da rede pública estadual. Destas, 404 (81%) sofreram algum tipo de violência no ano de 2000.

Dados da pesquisa

Foram pesquisadas 496 escolas da rede pública estadual. Destas, 404 (81%) sofreram algum tipo de violência no ano de 2000.

Tipos de violência sofrida pelas escolas Indisciplina dos alunos
Turnos e períodos em que ocorreu a violência A violência interfere na qualidade do ensino e no projeto pedagógico?
Em relação aos anos anteriores Sugestões das escolas para solucionar/minimizar o problema da violência
Policiamento
Comentários sobre os resultados da pesquisa
Com relação ao patrimônio Com relação à disciplina
Com relação às pessoas  
Análise dos resultados da pesquisa
Em relação à comunidade onde está localizada a escola Em relação aos professores
Em relação à família Em relação ao Sistema Educacional
Em relação ao aluno
Conclusão

Tipos de violência sofrida pelas escolas

A) Em relação a bens materiais Percentual de escolas envolvidas
1. Depredações no prédio (mobiliários, lâmpadas, torneiras, vidros, apedrejamento, alambrados, extintor de incêndios, aparelhos de TV, ventiladores, alarmes, etc..) 52%
2. Arrombamentos (portões, cadeados, vitrôs, etc.) 51%
3. Pichações na parte externa. 45%
4. Pichações na parte interna 37%
5. Furtos (TV, vídeo cassete, som, cantina, veículos, material didático, antena parabólica, etc.) 36%
6. Explosão de bombas dentro da escola (em banheiros, telhados) 34%
7. Danificações de veículos 33%
8. Incêndio provocado dentro do prédio escolar (em cortinas, cartazes, murais, etc.) 19%
9. Blecautes provocados por alunos 18%
10. Colocação de explosivos (inclusive granada) dentro da U.E. (mas que não explodiram) 3%
11. Disparos contra o prédio escolar 3%

B) Em relação às pessoas
1. Desacato, agressões (físicas ou verbais) a Professores (por parte dos alunos, pais ou responsáveis) 84%
2. Brigas internas (envolvendo apenas alunos) 68%
3. Desacato, agressões (físicas ou verbais) a Funcionários da escola (por parte dos alunos, pais ou responsáveis) 64%
4. Desacato, agressões (físicas ou verbais) a Diretor (por parte dos alunos, pais ou responsáveis) 49%
5. Tráfico e consumo de drogas nas imediações da escola 48%
6. Brigas internas (envolvendo alunos e estranhos) 34%
7. Porte e consumo de bebidas alcoólicas dentro da U.E. 27%
8. Conflitos entre pais, no interior da escola, em função dos filhos 25%
9. Tráfico e consumo de drogas dentro da escola 24%
10. Ameaças de morte (a alunos, funcionários, professores, direção) 22%
11. Invasão de estranhos na U.E. (para agressão, tráfico de drogas, assalto, etc.) 19%
12. Uso de armas por alunos (qualquer tipo de arma) 18%
13. Tiroteio nas imediações da escola (colocando em risco os alunos) 13%
14. Morte de aluno (homicídio) 4%
15. Tiroteio no portão de entrada da escola (colocando em risco os alunos) 3%
16. Estupro e/ou abuso sexual contra alunos 3%
17. Brigas externas à escola (envolvendo alunos) 2%
18. Tiroteio dentro da escola (colocando em risco os alunos) 0,9%
19. Estupro e/ou abuso sexual contra professores / funcionários 0,4%
20. Seqüestro relâmpago (Diretor/Professor) 0,4%
21. Furto de armas de policiais femininas 0,2%
22. Suicídios (alunos, professores ou funcionários) 0,2%

Voltar

Turnos e períodos em que ocorreu a violência  
Manhã 12%
Tarde 27%
Noite 24%
Mesma freqüência, em todos os turnos 25%
Fora dos turnos (fins de semana e feriados) 12%

Em relação aos anos anteriores  
Aumentou 44%
Manteve o mesmo nível 34%
Diminuiu 22%

Policiamento
88% não possuíam policiamento feminino
12% possuíam policiamento feminino
65% das escolas gostariam de ter policiamento apenas preventivo
23% gostariam de ter, ao mesmo tempo, policiamento preventivo e repressivo
10,75% não vêem vantagem nesse tipo de policiamento
0,25% gostariam de ter policiamento apenas repressivo

Voltar

76% das escolas já fizeram uso de Boletins de Ocorrência, enquanto os outros 24% nunca registraram algum

Indisciplina dos alunos
55% das escolas afirmaram que está suportável
28% afirmaram que está assustadora
15% afirmaram que está se tornando incontrolável
2% afirmaram não ter esse problema

Comparando a indisciplina com o ano de 1999:
51% das escolas afirmaram que ela aumentou
33% afirmaram que está igual
16% afirmaram que diminuiu

Na opinião da direção e do Conselho de Escola, as principais causas
1. Com relação à família:  
Motivos %
1.1. desagregação familiar: separações, mortes, consumo de drogas, falta ou inversão de valores morais e éticos, desprestígio da educação, carência afetiva dos filhos 51%
1.2. pais omissos: ausentes dos problemas escolares, coniventes com os erros dos filhos, não incentivando os estudos, não impondo limites aos filhos, jogando para a escola a responsabilidade da família 50%
1.3. carências múltiplas: desemprego, miséria, exclusão social, falta de tempo para os filhos 27%
1.4. falta de religiosidade 6%
1.5. falta de apoio psicológico e assistência social 2%

2. Com relação aos alunos:  
Motivos %
2.1. falta de perspectivas, descrença nas instituições, desinteresse pela escola, falta de identificação com os professores e com a escola 32%
2.2. interpretação errônea do ECA (direitos supervalorizados sem a contrapartida dos deveres), não-obediência às regras e normas de convivência, sentimento de impunidade, leis excessivamente permissivas, falta de padrões comportamentais positivos no grupo 24%
2.3. dificuldades de aprendizagem, fracasso escolar 10%
2.4. influência negativa da mídia e banalização da violência 8%
2.5. consumo de drogas 7%
2.6. ociosidade das crianças e dos adolescentes associada à falta de projetos multi-disciplinares, extra-curriculares (prática de esportes, prática musical, exercício da solidariedade, trabalhos comunitários, etc...) 6%

3. Com relação aos professores e à escola:  
Motivos %
3.1. falta de professores, faltas dos professores, desestímulo, descompromisso, baixos salários, jornada excessiva de trabalho, formação deficiente, falta de habilitação, metodologia inadequada, rotatividade excessiva, falta de treinamento e capacitação 23%
3.2. falta de espaços físicos adequados para as atividades cotidianas 5%

4. Com relação ao sistema:  
Motivos %
4.1. problemas com o sistema escolar: mudanças bruscas sem o prévio preparo, currículo defasado, inadequado e restritivo, módulo incompleto, descaracterização da progressão continuada em promoção automática, centralização excessiva das decisões (nos órgãos superiores) 15%
4.2. Conselho Tutelar pouco atuante ou agindo contra os interesses da escola 1%

Participação dos pais e da comunidade
52% das escolas, essa participação é razoável
21% essa participação é boa
20% essa participação é ruim
5% essa participação é péssima
2% essa participação é ótima

A violência interfere na qualidade do ensino e no projeto pedagógico?
Segundo as escolas pesquisadas, a violência interfere na qualidade do ensino e no projeto pedagógico, devido a:

Motivos %
a) Gerar indisciplina, prejudicando o clima indispensável à realização do processo ensino-aprendizagem; afastar alunos e professores dos projetos extra-classe; tomar muito tempo útil da direção e dos professores; danificar o material didático, prejudicando o desenvolvimento das aulas e dos projetos; consumir verbas que poderiam ter melhor aplicação e que acabam sendo gastas em consertos do patrimônio escolar ou recompras de material pedagógico 41%
b) Causar nos alunos: ansiedade, insegurança, queda na auto-estima, desinteresse, desmotivação, reação de auto-defesa, apatia, agressividade, dificuldade de relacionamento 23%
c) Causar nos docentes: estresse, medo, ansiedade, angústia, insegurança, desmotivação, sentimento de impotência 15%
d) Levar alunos à evasão e à repetência, estimular a falta às aulas, gerar intrigas e desrespeito, criar situações vexaminosas e constrangedoras para os alunos 9%
e) Prejudicar o relacionamento aluno/aluno, aluno/professor, aluno/direção e escola/comunidade 8%
f) Prejudicar as Horas de Trabalho Pedagógico Coletivas (HTPCs), pois essas reuniões acabam virando debates sobre indisciplina e violência na unidade escolar, ao invés de servirem para otimizar a execução do projeto pedagógico 7%

Voltar

Sugestões das escolas para solucionar/minimizar o problema da violência
Sugestões Percentual de escolas envolvidas
1. Projetos de conscientização e valorização da escola envolvendo pais, alunos e comunidade em geral
55%
2. Policiamento permanente e intensivo 52%
3. Contratação de psicólogos para as escolas 47%
4. Contratação de vigias, porteiros e inspetores de alunos 47%
5. Uso de uniforme como elemento de identificação do aluno 46%
6. Instalação de centros de lazer, esportes e cultura na escola, no bairro e/ou comunidade 45%
7. Alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente 37%
8. Punições para os alunos infratores, incluindo comunicação ao Juízo da Infância e da Juventude 34%
9. Redução do n.º de alunos por classe
33%
10. Exigir maior presença dos pais na escola 31%
11. Instituir projetos extracurriculares (com remuneração dos profissionais) para manter os alunos ocupados 30%
12. Proibição da permanência de pessoas ou grupos estranhos na entrada / saída de alunos 30%
13. Criação de Centros de Apoio ao menor de rua, com atividades dirigidas 25%
14. Instalação de cursos profissionalizantes 22%
15. Construção de zeladorias 20%
16. Introdução urgente do Projeto Renda Mínima (para as famílias carentes) 20%
17. Contratação de Assistentes Sociais 17%
18. Viabilização das aulas de Religião 17%
19. Instalação da Biblioteca, com a respectiva contratação de uma Bibliotecária 17%
20. Iluminação adequada nos arredores do prédio escolar 16%
21. Colocação de postos policiais próximos às escolas de periferia 14%
22. Crianças iniciando aprendizado profissional mais cedo 12%
23. Reforço do prédio escolar c/ colocação de grades de ferro, cadeados, alambrados, alarmes, etc 11%
24. Redução do nº de salas de aula (tornando as escolas menores) 8%
25. Adoção de teste anti-drogas nos alunos 5%
26. Mudança urgente da grade curricular do ensino médio 5%
27. Instituir a revista pessoal na entrada e saída dos alunos 3%
28. Aulas sobre valores humanos 0,2%
 

Comentários sobre os resultados da pesquisa

A pesquisa revelou que a violência é uma constante na vida das escolas, tendo conseqüências diretas em três itens básicos:

Com relação ao patrimônio
São comuns (e preocupantes) dentre outros, os casos de depredação da escola, pichações, arrombamentos, furtos, danos a veículos, incêndios, explosão de bombas, disparos contra o prédio.
Cerca de 18% das escolas pesquisadas acusaram ocorrências de blecautes, ou seja, queda de energia elétrica provocada pelos próprios alunos.

Voltar

Com relação às pessoas
cotidiano escolar está impregnado de brigas, discussões, agressões, ameaças, desacatos e conflitos, envolvendo, ainda, os pais dos alunos. Direção, professores e funcionários são alvos constantes de agressões (físicas e verbais) por parte de alunos e pais.
tráfico e o consumo de drogas, dentro e fora da escola, sofreram um aumento, com relação ao ano anterior.
27% das escolas pesquisadas relataram que alunos portavam e consumiam bebidas alcoólicas durante as aulas. 19% das escolas foram invadidas por estranhos, com objetivo de furto, roubo, estupro, tráfico, de drogas. 18% acusaram porte ilegal de armas, por parte dos alunos.
A violência ocorreu com maior freqüência no período da tarde (27%), o que é novidade. Em seguida, vem a violência que ocorre com a mesma freqüência em todos os turnos (25%). O período noturno, geralmente mais complicado, aparece em terceiro lugar (24%). Muitas escolas têm problemas nos finais de semana e feriados (12%). Como já era esperado, o período da manhã é o menos problemático (12%).
Um número muito grande de escolas (81%) ainda sofrem com a violência. Dessas, 44% responderam que a violência aumentou em relação aos anos anteriores; 34% responderam que ela se manteve no mesmo nível; 22% responderam que ela diminuiu, mas não desapareceu.
76% das escolas já registraram ao menos um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia. Isso mostra que as unidades escolares vêm procurando as delegacias para registrar ocorrências, o que é positivo.
Das 496 escolas pesquisadas, 88% não tinham policiamento feminino. Dessas, 90% queriam algum tipo de policiamento. As escolas que tiveram policiamento especializado sentiram-se mais seguras.

Para tentar solucionar o problema da violência e desenvolver um trabalho educativo, as escolas apresentaram sugestões de ordem variada: políticas de segurança, atendimento especializado às famílias desagregadas, atendimento psicológico, assistência social, construção de centros de lazer na comunidade, ampliação dos eventos culturais e esportivos, uso do uniforme, interpretação e aplicação sensata do Estatuto da Criança e do Adolescente, redução do número de alunos por sala de aula, redução do tamanho das escolas, projetos de conscientização dos alunos e dos pais, campanhas de valorização da escola.

Voltar

Com relação à disciplina
55% das escolas pesquisadas afirmaram que a indisciplina dos alunos está no nível do "suportável"; para 28% , a indisciplina é "assustadora" e para 15%, ela está no nível do "incontrolável". Apenas 2% das escolas pesquisadas não se queixaram da indisciplina. São escolas de 1ª à 4ª série, com boa infra-estrutura e um número reduzido de alunos.
A pesquisa mostra que a indisciplina tem aumentado nos últimos anos. As escolas vinculam esse aumento aos problemas familiares e sociais (desagregação familiar, desemprego, omissão dos pais, carências múltiplas).

Voltar

Análise dos resultados da pesquisa

Após a leitura e tabulação dos dados pudemos constatar algumas situações-problema, além da violência em si, que impedem ou dificultam a execução do projeto pedagógico da escola:

Em relação à comunidade onde está localizada a escola
Falta de participação da comunidade.
A comunidade precisa participar ativamente na escola, através de reuniões, cursos, palestras, jogos debates, etc... A escola, por sua vez, deve oferecer à comunidade projetos coletivos (culturais e de lazer), para estimular as ações sociais, a solidariedade e desenvolver regras de convivência, criando um certo "pacto coletivo" que legitime a importância da instituição escolar.

É necessário, ainda, que a comunidade tenha à sua disposição, e gratuitamente (através, por exemplo, das Unidades Básicas de Saúde e das Diretorias de Ensino), profissionais habilitados que possam colaborar na área da Psicologia, Assistência Social, Terapia Ocupacional, Orientação quanto às drogas lícitas e ilícitas, Economia Doméstica, Planejamento Familiar, Papel da família na educação do filhos. Uma boa iniciativa, nesse campo, é o PROERD - Programa Educacional de Resistência às Drogas (projeto da Polícia Militar do Estado de São Paulo).

Voltar

Em relação à família
Pouca participação da família na educação dos filhos
É imprescindível que a família acompanhe o trabalho escolar. Os pais devem estimular a vida escolar dos filhos, participar, e conscientizá-los da importância da escola, dos professores e da educação como um todo. Por outro lado, é inútil querer transferir para a escolas a parte que cabe à família, na educação.
Há uma grande preocupação com as drogas, as violências que nascem em casa, as lacunas nas normas de convivência e com a fixação de regras e limites para os alunos/filhos.

As escolas que recebem alunos oriundos de acampamentos dos Sem-Terra enfrentam uma situação muito peculiar: os pais não participam da vida escolar. No geral, os alunos faltam muito, são revoltados, apáticos, desinteressados, carentes e com sérias defasagens de aprendizado. Além disso, a rotatividade e o constante deslocamento das famílias são prejudiciais à educação escolar.

Voltar

Em relação à escola
Como regra, a escola não está equipada e preparada para trabalhar todas essas questões. Muitas vezes, os problemas sócio-educacionais se apresentam como insolúveis, como obstáculos intransponíveis para a realização da tarefa educacional. Na ótica da direção, os professores passam por situações constrangedoras, uma vez que têm uma jornada árdua, muitas vezes uma formação deficitária e um salário incompatível com sua função. Sentem-se desestimulados e impotentes para resolver a questão educacional, uma vez que os problemas são de ordem familiar, política, estrutural, social e econômica. Além disso, o professor fica muito pouco tempo com o aluno. A escola parece não ter mais utilidade para os alunos; eles a encaram antes como local de "lazer" e não como ambiente sócio-cultural (e de trabalho).

A pesquisa aponta para a necessidade de resgatar o papel do professor enquanto Educador: revisão de jornada e salário, treinamentos, aperfeiçoamentos, criação de condições para que os docentes se fixem numa única unidade escolar, aproximando-os mais da comunidade.

Do trabalho do Diretor de Escola e de sua liderança depende a eficácia da atividade escolar. É urgente que o poder público valorize e apóie esse profissional.

Voltar

Em relação ao aluno
A pesquisa indica que os alunos estão um tanto desorientados quanto à postura na escola, no grupo de amigos e na própria família, tendo uma visão equivocada de direitos e deveres. Acreditam nos seus direitos, mesmo quando em detrimento da vida coletiva. Crêem que são impunes, frente ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Falta orientação sobre sexo, drogas e vida em grupo. Os conflitos de gangues tornam-se cada vez mais freqüentes. Como estímulos negativos (e fatores desmotivadores), têm muito peso a violência, as notícias sobre corrupção no país e o desemprego. A indisciplina geralmente é fomentada pela ação eficiente de pequenos grupos. Na sua grande maioria, no entanto, os alunos pedem um sistema justo e pacífico de convivência social, segundo as escolas.

Voltar

Em relação aos professores
Alta rotatividade, excesso de faltas, despreparo, desmotivação, descompromisso, insegurança, deficiências, jornadas extenuantes, baixos salários, são os principais pontos levantados pela pesquisa, no que diz respeito aos professores. Estes reclamam, ainda, que gastam muito tempo com problemas disciplinares, em detrimento do trabalho pedagógico.

Os professores ressentem-se, ainda, de não terem o seu trabalho valorizado pelos alunos e seus pais. Precisam ter um piso salarial digno, uma jornada de trabalho compatível e uma política de formação/capacitação em serviço, que lhes possibilite acessar os recursos mais diversos para desenvolverem seu trabalho, com sucesso.

Voltar

Em relação ao Sistema Educacional
A pesquisa aponta para a revisão urgente da progressão continuada (sistema que não prevê retenção por falta de aproveitamento). Sem poder ser viabilizada, por falta de condições (espaço físico, infra-estrutura, treinamentos, classes numerosas), a progressão continuada é tida como promoção automática. Isso desagrada a todos, alunos, pais e professores. Não há boa perspectiva de futuro sem o real progresso dos alunos.

Deve haver a instalação e o oferecimento de projetos extra-classe, multi-curriculares e inter-disciplinares (nos finais de semana), para toda a comunidade escolar, com a participação de profissionais especializados e remunerados. Esses projetos constariam de lazer orientado, esportes e atividades culturais múltiplas (teatro, cinema, oficina de pintura, leitura e interpretação de histórias). Essa prática melhoraria o relacionamento entre escola e comunidade, além de tornar a escola mais atrativa.

O Sistema tem que repensar a questão do policiamento preventivo. As escolas que possuíam o policiamento ostensivo feminino registraram uma queda nas ocorrências e na presença de traficantes e marginais. Suspenso o policiamento, houve um retorno assustador das ocorrências. O governo precisa se conscientizar de que a Escola é o referencial, muitas vezes único, de esperança, apoio e ocupação na vida de uma criança ou adolescente. Para muitos alunos, ela é o único espaço de acesso ao saber universal e sistematizado, necessário ao desenvolvimento de uma identidade social, cultural e humana que espelha a vida do cotidiano, visando o futuro pleno do cidadão. E ali, na escola, esse cidadão precisa ter segurança.

O Sistema deve, ainda, entender que os alunos precisam freqüentar uma escola que fique dentro de sua comunidade. Quando são oriundos de outra comunidade, os alunos não sentem a escola como sua e muitas vezes são vistos como invasores. A distância, também, pode impossibilitar a presença dos pais nas reuniões e outras atividades escolares.

As escolas que atendem apenas a sua comunidade e que realizam um trabalho de aproximação, minimizam e diminuem os impactos da violência (tanto patrimonial quanto pessoal).

Voltar

Conclusão

Da pesquisa realizada junto às escolas, pode-se concluir que:
a maioria das escolas sofre ações de violência, seja com relação ao patrimônio, seja com relação ao seu pessoal.
nas escolas que atendem apenas alunos de 1ª a 4ª séries, os problemas são menos graves, mas também ali as drogas já estão chegando, o que é preocupante.
as escolas, de um modo geral, estão muito preocupadas com o fato de não conseguirem desenvolver todo o seu potencial criativo (para uma educação de qualidade), devido à falta de infra-estrutura (verbas, quadras esportivas, salas ambiente, laboratórios, inclusive de informática, materiais didáticos), falta de uma grade curricular adequada, de professores com dedicação exclusiva (bem preparados, capacitados e compromissados) e de um calendário escolar adequado, flexível, que favoreça o desenvolvimento das atividades curriculares.
em algumas escolas, o Projeto Pedagógico chega a tornar-se inviável, em decorrência do alto índice de violência e indisciplina.
a desagregação familiar e o desemprego interferem seriamente na educação, pois geram violência no interior da família.
crianças ociosas tendem a ter mais problemas com drogas, daí a importância da criação de Centros Comunitários, para atividades culturais e esportivas, num trabalho conjunto com a escola.
são poucos os jovens que demonstram crença num futuro melhor, via educação. Por isso, a escola deve ser mais atraente, mais interessante para conseguir a participação desses jovens e fazê-los vislumbrar uma vida melhor, pela educação. Esse trabalho, no entanto, tem de ser não apenas da escola, mas também da comunidade e da sociedade.
o Estatuto da Criança e do Adolescente precisa ser revisto. Os Juízes, os Promotores de Justiça e os Conselhos Tutelares têm que desenvolver um trabalho conjunto com a escola. Se o aluno infrator não tem como conviver com o ambiente escolar, é preciso afastá-lo, para que os outros alunos não sejam prejudicados. Esse aluno deveria ser encaminhado para ´"Centros de Reeducação".
deve-se criar campanhas envolvendo toda a mídia, as famílias, as escolas, as entidades de classe e a sociedade em geral, para valorizar a educação escolar, a ética, os direitos, os deveres, a responsabilidade e o compromisso no convívio social.
algumas escolas defendem a Educação Física e o Ensino da Arte (música, teatro, trabalhos manuais, etc..) como meios de conseguir a participação dos alunos e da comunidade.
a recuperação nas férias constitui uma aberração didática pois, sem nenhum planejamento, alunos vão encontrar docentes que nunca viram, para trabalhar aquilo que nunca aprenderam (ao longo do ano letivo), num espaço de tempo que nunca foi o suficiente (cerca de vinte dias úteis).
o módulo de funcionários, ou seja, a relação entre o número de funcionários e o de alunos/classes, está defasado e descaracterizado. Todas as escolas, independentemente do número de classes e/ou alunos, deveriam ter vice-diretor, professor-coordenador e funcionários concursados.
quanto maior o número de alunos adolescentes, maior é o índice de violência. O Estado deve repensar seus projetos: as escolas não podem ser grandes, as classes não podem ser numerosas.
deve-se investir na criação, manutenção e expansão dos cursos profissionalizantes, sem detrimento da formação geral dos alunos.
A escola é do povo e para o povo. Deveria haver uma campanha publicitária visando à conscientização de que educação é investimento para a VIDA. Os pais precisam assumir seus filhos, assim como a comunidade deve "assumir" a ESCOLA, e a sociedade, a EDUCAÇÃO.

Voltar


Voltar para a Seção Organizações
Leia MaisApeoesp
Leia MaisUdemo
Leia MaisInternacional da Educação
Voltar para a Página Principal