Quatro pessoas unidas pelo talento e pela deficiência


Sem ouvir, falar, ver, andar e com um órgão transplantado ainda é possível encantar a sociedade. Quatro artistas provam isso na exposição Espaço Alternativo, que começou no dia 15 de julho, no Cantinho Cultural do Iprem. Com o apoio do curador e radialista Edson Natale, essas pessoas, muitas vezes, deixadas de lado, provam que têm talento e acreditam na beleza da vida.

Os números do IBGE espantam: são 25,4 milhões de brasileiros portadores de deficiência. Os personagens da exposição têm algo em comum, lutam para ter seus trabalhos reconhecidos pelo talento e não pela piedade. Pérola tem a audição comprometida. Lídia, anã e paraplégica, tem osteogênesis imperfecta - doença conhecida como "ossos de vidro". Désirre é deficiente visual e Rivalino sofreu transplante renal. Cada um com uma história e um jeito de encarar a vida. Todos eles reunidos no Cantinho Cultural do Iprem. Uma exposição imperdível e emocionante.

A deficiente auditiva Hudla Perla Venturas, 57, ou Pérola como prefere ser chamada, começou a pintar aos 17 anos, antes mesmo de cursar Artes Plásticas pela FAAP. No primeiro período em que pintou (1963-1976) ganhou prêmios em cidades como São Paulo, Campinas e Belo Horizonte. Após uma pausa de mais de 25 anos, voltou às atividades no ano passado, o que rendeu-lhe algumas exposições. Em uma delas, o renomado artista plástico Yutaka Toyota adquiriu um de seus quadros.

O transplantado renal Rivalino Soares Neto, 45 - também conhecido como Riva Sam, aos 13 anos conheceu o japonês Édson Hirano, cuja amizade rendeu-lhe o contato com a arte floral. Riva especializou-se em arranjos japoneses e já aprendeu dois dos três tipos de escrita nipônica. No momento explora novos horizontes. "Já fiz florais europeus e estou começando a trabalhar com arranjos africanos", afirma. Seus trabalhos ganharam elogios do cantor Ronnie Von, que o elegeu como o melhor florista do país.

Mesmo tão pequena, Lídia Nicácio, 60, que sofre de osteogênesis imperfecta, aprendeu bordado aos 20 anos de idade para custear seu tratamento. Com o tempo passou a dedicar-se à pintura porcelanizada. Sobre uma cadeira de rodas Lídia faz desde toalhas a jogos de banho e diz gostar do que faz: "Adoro pintar quando acordo inspirada".

Désirre Rodrigues, 39, é deficiente visual e desenvolve trabalhos com tinta a óleo e massa acrílica, utilizando materiais como grãos de arroz, conchas e farinha de trigo, para que o cego total possa ter a percepção do seu trabalho. Suas obras são especialmente veiculadas ao imaginário e à exteriorização de seus sentimentos. "Pinto tudo aquilo que busco dentro de mim", afirma.

Quatro experiências que viveram por caminhos distintos, mas que agora estão juntas em um mesmo local

Exposição "Espaço Alternativo"
Cantinho Cultural do Iprem - Av. Zaki Narchi, 536 - Santana - SP - Telefone: (11)6224-7500
De 15 de julho a 14 de agosto, segunda a sexta, das 9h às 16h.
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