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Quatro pessoas unidas pelo talento e pela deficiência
Os números do IBGE espantam: são 25,4 milhões de brasileiros portadores de deficiência. Os personagens da exposição têm algo em comum, lutam para ter seus trabalhos reconhecidos pelo talento e não pela piedade. Pérola tem a audição comprometida. Lídia, anã e paraplégica, tem osteogênesis imperfecta - doença conhecida como "ossos de vidro". Désirre é deficiente visual e Rivalino sofreu transplante renal. Cada um com uma história e um jeito de encarar a vida. Todos eles reunidos no Cantinho Cultural do Iprem. Uma exposição imperdível e emocionante. A deficiente auditiva Hudla Perla Venturas, 57, ou Pérola como prefere ser chamada, começou a pintar aos 17 anos, antes mesmo de cursar Artes Plásticas pela FAAP. No primeiro período em que pintou (1963-1976) ganhou prêmios em cidades como São Paulo, Campinas e Belo Horizonte. Após uma pausa de mais de 25 anos, voltou às atividades no ano passado, o que rendeu-lhe algumas exposições. Em uma delas, o renomado artista plástico Yutaka Toyota adquiriu um de seus quadros. O transplantado renal Rivalino Soares Neto, 45 - também conhecido como Riva Sam, aos 13 anos conheceu o japonês Édson Hirano, cuja amizade rendeu-lhe o contato com a arte floral. Riva especializou-se em arranjos japoneses e já aprendeu dois dos três tipos de escrita nipônica. No momento explora novos horizontes. "Já fiz florais europeus e estou começando a trabalhar com arranjos africanos", afirma. Seus trabalhos ganharam elogios do cantor Ronnie Von, que o elegeu como o melhor florista do país. Mesmo tão pequena, Lídia Nicácio, 60, que sofre de osteogênesis imperfecta, aprendeu bordado aos 20 anos de idade para custear seu tratamento. Com o tempo passou a dedicar-se à pintura porcelanizada. Sobre uma cadeira de rodas Lídia faz desde toalhas a jogos de banho e diz gostar do que faz: "Adoro pintar quando acordo inspirada". Désirre Rodrigues, 39, é deficiente visual e desenvolve trabalhos com tinta a óleo e massa acrílica, utilizando materiais como grãos de arroz, conchas e farinha de trigo, para que o cego total possa ter a percepção do seu trabalho. Suas obras são especialmente veiculadas ao imaginário e à exteriorização de seus sentimentos. "Pinto tudo aquilo que busco dentro de mim", afirma. Quatro experiências que viveram por caminhos distintos, mas que agora estão juntas em um mesmo local
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