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Vlado
- Trinta Anos Depois Documentário Vlado - Trinta Anos Depois será lançado dia 30 de setembro, em São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Em um longa-metragem
de 90 minutos, o cineasta João Batista de Andrade conta a história
do jornalista Vladimir Herzog, assassinado na prisão em 1975,
durante o regime militar. Os depoimentos trazem as lembranças
da viúva, Clarice Herzog, e de pessoas que conviveram com Vlado.
Em outubro também serão realizadas várias atividades
para marcar os 30 anos da morte de Vlado, inclusive um ato inter-religioso
na Catedral da Sé, com a participação de um coral
de mil vozes. O drama dos presos, os choques elétricos, os gritos que vêm das entranhas, o temido capuz preto, a "cadeira do Dragão", as imagens terríveis do DOI-CODI que ficarão para sempre. Cheiros, sensações e sons que acompanham e acompanharão para sempre pessoas que viveram a dura realidade da repressão militar. Tudo isso está no filme ao lado de imagens do culto ecumênico realizado em memória de Vlado na Catedral da Sé (dia 31 de outubro de 1975, com a participação de 8 mil pessoas, num protesto silencioso contra o regime), de depoimentos importantes como as lembranças da mulher, Clarice Herzog, no dia em que ele foi levado, ou o de José Mindlin, explicando que o próprio SNI analisou o currículo de Vlado antes de sua contratação como diretor de Jornalismo da TV Cultura. João Batista de Andrade diz que o filme é o resgate do que ele não conseguiu filmar na época, além de revelar com mais profundidade porque tudo o que aconteceu continua repercutindo até hoje: "Eu nunca me recuperei do impacto dessa perda. Nós éramos amigos, nossos filhos brincavam juntos. Eu me sentia desarvorado, assustado. Eu, que filmava tudo, não filmei nada naquele momento. O clima político era quase irrespirável e eu me sentia impotente, vendo, mais uma vez, a história desabar sobre nós com a sua força destruidora". Os depoimentos são fortes, surpreendem e envolvem. No documentário falam, entre outros, Clarice Herzog e o filho Ivo, D. Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel, Fernando Morais, José Mindlin, Ruy Ohtake, Clara Sharf, Paulo Markun, Alberto Dines, Sérgio Gomes, Diléia Frate, Mino Carta, João Bosco, Aldir Blanc e Rose Nogueira, entre muitos que compartilham as lembranças embaladas pela dor e pelo medo. Sinopse A morte de Vlado se dá num momento particularmente tenso da vida brasileira, com o acirramento das lutas internas entre os próprios militares, opondo, de um lado, os generais Geisel e Golbery, no poder, e, de outro, os setores militares comprometidos com a repressão e que se opunham a toda idéia de uma abertura política. No meio dessa guerra interna, os "duros" agem com truculência sobre a sociedade. E como já não há mais a guerrilha, derrotada militarmente, voltam-se agora para aqueles que acreditavam num processo democrático de derrota da ditadura. Centenas de pessoas são presas e torturadas, quando a sociedade julgava que a abertura política havia começado e nada a deteria. Entre os prisioneiros, muitos jornalistas, pelos quais se buscava denunciar a conivência do Governo Federal com a subversão. E entre os jornalistas, Vladmir Herzog. Entre o momento da apresentação de Vlado e sua morte, o filme revela, a partir de depoimentos de amigos, familiares, colegas que viveram com ele a história, a amplitude das perseguições daqueles momentos, a trajetória do jornalista, desde sua infância, na Yugoslávia, com sua família de origem judaica, fugindo da perseguição nazista, suas idéias políticas, sua militância, seu senso de ética, até sua posse como Diretor de Jornalismo na TV Cultura de São Paulo e a perseguição a ele iniciada naquele momento. E o horror dos porões do regime militar, onde imperavam a tortura e os assassinatos políticos. Diante da notícia da morte de Vlado, a reação é imediata, primeiro da própria Clarice, dos amigos e depois da sociedade, exigindo a apuração e recusando a farsa montada para a morte do jornalista. Essa reação, unindo forças sociais diversas e instituições importantes como a Imprensa, a Igreja e a própria Justiça, fez da morte de Vlado um marco na luta pela redemocratização do país. |
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