Grande Sertão: Veredas, no Rio de Janeiro

Foto: Divulgação O sertão de Guimarães Rosa chega ao Rio de Janeiro. A exposição criada por Bia Lessa foi um dos principais destaques do Museu da Língua Portuguesa, visitado por cerca de 550 mil pessoas desde a sua inauguração em março de 2006, em São Paulo.

A montagem carioca vai ocupar o MAM de 3 de agosto até 28 de outubro e traz para a cidade o cenário rústico criado pela artista. A exposição conta ainda com a participação especial da cantora Maria Bethânia, numa gravação da leitura que fez das últimas 14 páginas do livro.

A instalação é uma exposição sem qualquer foto ou imagem: ela é toda constituída por palavras. Trechos do texto de Guimarães Rosa estão por toda parte. Porém, para ler, os visitantes vão ter que entender o "olhar" da artista.

Pelos cantos, montes de entulhos com frases aparentemente sem sentido, exigem que os visitantes subam em uma espécie de mirante para compreendê-las. Só do alto, com o auxílio de uma mira de metal, é possível ler a frase toda e reconhecer passagens da obra. O mesmo acontece nos painéis de acrílico. As placas mostram caracteres que nem letras formam. Novamente, o espectador vai precisar do auxílio das miras - estrategicamente posicionadas - para que possa compreender o que está escrito.

No teto, varais com "bandeiras" retangulares feitas de tecido. De cada uma delas, pende uma fita com um número, que indica a página do livro que está reproduzido na bandeira. Esse gigantesco varal forma a terceira edição datilografada do romance, ainda batizado de "Veredas mortas". Toda revisada em lápis de cor pelo autor, ela evidencia o processo de criação de Rosa e foi emprestada pelo bibliófilo José Mindlin, o maior colecionador de livros raros do país.

Presas ao teto por uma roldana, as "bandeiras" descem à altura da visão quando o espectador puxa a fita. Dois saquinhos de terra recolhida na região de Minas, onde Rosa ambienta seu romance, servem de contrapeso para acionar a engenhoca. Parte do acervo do Instituto de Estudos Brasileiros, os sons da região de "Grande sertão" - como o trote dos cavalos e o barulho dos rios das cidades que fazem parte do roteiro traçado por Rosa - foram incluídos na trilha sonora da exposição, assinada por Dany Roland.

Por onde passa, o visitante vai precisar mudar seu ângulo de visão para encontrar a mensagem. Algumas vezes, ela está escondida. Em outras, apenas invertida. É o caso dos grandes tonéis de água. Ao olhá-los, nota-se uma frase escrita. Mas é preciso usar o espelhinho que fica ao lado para inverter o texto e conseguir ler a mensagem.

Ao final, o espectador ouve a leitura que Maria Bethânia fez das páginas finais de "Grande Sertão: Veredas". A cantora foi escolhida por sua forte relação com a literatura e a familiaridade com a prosa de Guimarães Rosa. Telas mostram uma imagem de Bethânia respirando, ofegante, momentos antes de entrar no palco. Misturadas à audição das horas finais de Diadorim, elas repetem o sentido que norteia toda a mostra: tudo é recomeço, é sempre possível ler de novo, conhecer de novo, em busca de um outro entendimento.

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Exposição Instalação Grande Sertão: Veredas

Onde: Museu de Arte Moderna Rio de Janeiro.
Endereço: Av Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro - RJ.
Quando: de terça a sexta-feira das 12h às 18h; sábados, domingos e feriados das 12h às 19h.
Quanto: R$ 5,00; estudantes, maiores de 60 anos e crianças de até 12 anos em grupos R$ 2,00; ingresso família aos domingos R$5,00.

Informações: (21) 2240-4944 ou (21) 2240-4899
www.mamrio.org.br

 

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