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Sertão: Veredas, no Rio de Janeiro A instalação é uma exposição sem qualquer foto ou imagem: ela é toda constituída por palavras. Trechos do texto de Guimarães Rosa estão por toda parte. Porém, para ler, os visitantes vão ter que entender o "olhar" da artista. Pelos cantos, montes de entulhos com frases aparentemente sem sentido, exigem que os visitantes subam em uma espécie de mirante para compreendê-las. Só do alto, com o auxílio de uma mira de metal, é possível ler a frase toda e reconhecer passagens da obra. O mesmo acontece nos painéis de acrílico. As placas mostram caracteres que nem letras formam. Novamente, o espectador vai precisar do auxílio das miras - estrategicamente posicionadas - para que possa compreender o que está escrito. No teto, varais com "bandeiras" retangulares feitas de tecido. De cada uma delas, pende uma fita com um número, que indica a página do livro que está reproduzido na bandeira. Esse gigantesco varal forma a terceira edição datilografada do romance, ainda batizado de "Veredas mortas". Toda revisada em lápis de cor pelo autor, ela evidencia o processo de criação de Rosa e foi emprestada pelo bibliófilo José Mindlin, o maior colecionador de livros raros do país. Presas ao teto por uma roldana, as "bandeiras" descem à altura da visão quando o espectador puxa a fita. Dois saquinhos de terra recolhida na região de Minas, onde Rosa ambienta seu romance, servem de contrapeso para acionar a engenhoca. Parte do acervo do Instituto de Estudos Brasileiros, os sons da região de "Grande sertão" - como o trote dos cavalos e o barulho dos rios das cidades que fazem parte do roteiro traçado por Rosa - foram incluídos na trilha sonora da exposição, assinada por Dany Roland. Por onde passa, o visitante vai precisar mudar seu ângulo de visão para encontrar a mensagem. Algumas vezes, ela está escondida. Em outras, apenas invertida. É o caso dos grandes tonéis de água. Ao olhá-los, nota-se uma frase escrita. Mas é preciso usar o espelhinho que fica ao lado para inverter o texto e conseguir ler a mensagem. Ao
final, o espectador ouve a leitura que Maria Bethânia fez das páginas
finais de "Grande Sertão: Veredas". A cantora foi escolhida por
sua forte relação com a literatura e a familiaridade com a prosa
de Guimarães Rosa. Telas mostram uma imagem de Bethânia respirando,
ofegante, momentos antes de entrar no palco. Misturadas à audição
das horas finais de Diadorim, elas repetem o sentido que norteia toda a mostra:
tudo é recomeço, é sempre possível ler de novo, conhecer
de novo, em busca de um outro entendimento.
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