| Fome Zero! Programa de Governo também é Programa de estudantes
” Brasília, 17 - Em breve, as 150 comunidades remanescentes de quilombos atendidas com ações pelo Programa Fome Zero, do Governo Federal, poderão contar com um conjunto de ações estruturantes para assegurar o desenvolvimento sustentável. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome repassa recursos no valor de R$ 3.392.666,66. A quantia é relativa ao Termo Aditivo nº 1, do Convênio 006/2003, que determina apoio e melhoria das condições sócio-econômicas das famílias remanescentes de quilombos.” (matéria publicada no site Palmares no dia 28 de julho). Não é só o Governo Federal que está preocupado com a fome que assola as comunidades quilombolas e indígenas no País. A questão da fome no Brasil invade as salas de aula e exige dos estudantes ações diretas de intervenção em busca de soluções que visem um desenvolvimento sustentável dessas comunidades. Prova disso são os estudantes de 8a série do Colégio Magno, zona sul da capital. Neste próximo dia 4, quarta-feira, os alunos estarão atuando junto à aldeia indígena Guarani e quilombola na região de Boracéia, sul do estado, para obterem dados e elaborarem um projeto que vise o escoamento do artesanato local a venda do fruto, semente e polpa do açaí e palmito de pupunha. No primeiro semestre, os alunos do Colégio Magno visitaram, aprenderam e conviveram com pessoas de uma comunidade remanescente de quilombo na praia de Cambury, litoral norte do estado de São Paulo. Este foi o primeiro contato dos alunos com os quilombolas. Os alunos puderam conhecer a cultura, as moradias de pau-a-pique, onde não há luz elétrica e água encanada, o artesanato, a pesca artesanal, as roças, a casa da farinha comunitária, entre outras coisas. Para conhecer a rotina da população, os alunos fizeram, inclusive o mesmo trajeto seguido pelos quilombolas para acessar os poucos serviços que existem na região, como ir ao posto de saúde e à escola. A escola, que fica na vila, só tem ensino até a 4ª série do Ensino Fundamental. Para continuar estudando, os alunos precisam freqüentar outra escola, que fica a 10 km da comunidade. Não há condução no local. A maioria da população vive da economia de subsistência e de pesca artesanal. A povoação no local foi iniciada em 1750 pelos escravos que fugiam das fazendas de Paraty. Hoje, está localizada próxima ao Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Picinguaba. Depois de conhecerem os principais problemas existentes na região, os alunos iniciaram a elaboração de projetos de intervenção. Algumas idéias surgiram: auxiliar na montagem de uma biblioteca na escola, ainda inexistente; propor soluções práticas aos problemas de falta de transporte e resgatar o máximo da cultura dos quilombolas. Agora, os alunos começam a confrontá-las com a realidade. Esse é o primeiro passo para transformar sonhos em projetos e ajudar a mudar o Brasil! No dia 4 de agosto, além de conhecerem a aldeia indígena e quilombola na região de Boracéia, os alunos também visitarão os estudantes da Escola bilíngüe ( português e guarani) Nhembo e a Porá, quando conferirão in loco a cultura dos estudantes indígenas e viabilizarão um projeto para a restauração da biblioteca dos guaranis. Segundo a direção da escola guarani, os estudantes indígenas não dispõem de acesso direto à internet porque o Conselho teme uma influência grande na cultura indígena, que deve ser preservada. O trabalho dos alunos do Magno se insere no projeto Você tem fome de quê? , que será desenvolvido ao longo de todo o ano de 2004, como conclusão de curso. A exemplo do que já ocorreu em anos anteriores, o projeto de conclusão de curso da 8ª série visa iniciar os alunos nos princípios da pesquisa e, principalmente, encontrar elos entre o que se aprende na escola e o mundo real. O objetivo é levar os alunos a se envolverem com diferentes grupos sociais e diferentes culturas, buscando soluções para problemas vividos pelas comunidades. Dessa vez, a idéia é levar os alunos a expandirem as questões do Fome Zero, relacionando a fome não apenas à carência de alimentos, mas a todas as necessidades básicas do ser humano: fome de comida, fome de habitação, fome de afeto, fome de cultura, fome de conhecimento. Baseados num mapa de contexto, o primeiro passo para o trabalho de intervenção comunitária foi definir o público alvo do projeto, incluindo fatores que influenciam a formação da identidade comunitária, como as relações familiares, o suporte das instituições oficiais e organizações como escolas e postos de saúde.
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