Oficina do Olhar leva jovens carentes a refletir sobre cidadania por meio de fotografia

 

Despertar a consciência sobre a importância das atitudes cidadãs e do papel de cada indivíduo na sociedade por meio das lentes de máquinas fotográficas alternativas. Essa é proposta da Oficina do Olhar, iniciativa desenvolvida pela Organização Não Governamental (ONG) Ação Forte. Utilizando o processo de Fotografia Pinhole - método alternativo de se fazer fotografia sem a necessidade do uso de equipamentos convencionais – adolescentes com idade entre 15 e 17 anos aprendem a capturar cenas do cotidiano nos bairros em que vivem e expressar um pouco da visão de cada um sobre a condição humana. “Os freqüentadores do curso não só aprendem uma arte, a da fotografia, como também aprendem a ver o seu cotidiano com uma nova perspectiva”, ressalta Élide Augusto, coordenadora do Ação Forte.

Como o todo o material empregado na fotografia convencional é muito caro, os participantes são convidados a conhecer alternativas que tornem viáveis seus propósitos. Por meio do uso de materiais como caixas de sapatos, latas de tinta ou caixas de madeira, tinta preta ou papel cartão, fita adesiva, entre outros componentes básicos, os integrantes do curso constroem suas próprias máquinas fotográficas, produzem e revelam suas fotos. “O curso também demonstra aos adolescentes que, com criatividade e empenho, é possível encontrar alternativas que tornem viáveis nossos empreendimentos”, acrescenta Élide.

Pinhole é como ficou popularmente conhecida a câmera fotográfica estenopéica, equipamento construído facilmente de materiais alternativos e de poucos elementos. O nome vem do inglês “pin – hole” - ou “buraco de agulha”, pelo fato da câmera não possuir lentes e ter um pequeno orifício que exerce a função de lente e diafragma. Uma etapa importante da construção é garantir que não exista nenhum outro ponto em que a luminosidade externa possa entrar além do orifício já feito. “Vale acrescentar que, nessa oficina, os alunos são levados a uma reflexão crítica dos problemas das comunidades nas quais vivem e da importância de buscar o crescimento pessoal e da coletividade”, comenta a coordenadora da instituição, fundada em 2001, com o objetivo de despertar nos adolescentes valores éticos, morais e sociais, formando cidadãos conscientes, preparando-os para o mercado de trabalho e desenvolvendo o seu espírito empreendedor.

Ação Forte
A Oficina do Olhar é apenas uma das disciplinas dentro do Programa Jovens Empresários. Voltado para adolescentes com idade entre 15 e 17 anos, o programa oferece ainda aulas de informática, comunicação e expressão, inglês e matemática, ministradas por voluntários. A Ação Forte tem por objetivo propor aos adolescentes vivência nas práticas de negócios, através da organização e operação de uma mini-empresa.

“Eu tenho aprendido bastante, principalmente inglês e fotografia. É legal porque me faz sentir diferente dos demais colegas que não estão no projeto”, comenta Camila dos Santos Benedette, uma das alunas do Ação Forte.

O trabalho de conclusão fica por conta da apresentação dos resultados obtidos com a mini-empresa. Além de todas as atividades, o Programa Jovens Empresários propõe ainda discussões e reflexões de outros assuntos que sejam de interesse dos adolescentes, como sexualidade, orientação vocacional, entre outros, através de palestras.

O Programa Jovens Empresários mantém-se de investimentos de parceiros que acreditam no projeto. São eles: Fort Dodge Saúde Animal, White Martins Gases Industriais, Grupo J & J, Imagemagica, Microsiga – Instituto de Oportunidade Social, Ltda – Idiomas, Junior Achivement e Big Staff. “O que eu gostaria de dizer a todos os financiadores do projeto é que a verba de auxílio não é em vão e que eu vou torcer para que eles invistam por muito tempo no Ação Forte porque dessa forma darão oportunidades a outros adolescentes que também precisam dela”, diz o aluno Danilo Henrique Manoel.

Segundo Élide Augusto, é dessa maneira que o projeto tem contribuído para formar cidadãos responsáveis para o mundo e ainda prepará-los para o mercado de trabalho. A proposta tem se cumprido. “Adolescentes que iniciaram no projeto sem qualquer expectativa de futuro, atualmente, discutem as dificuldades da comunidade onde vivem, propõem melhorias e planejam o futuro pensando desde já na faculdade que irão cursar”, explica Élide.

Com duração de um ano e aulas de segunda a sexta-feira, o curso oferece ainda outras oficinas como a de Auto-Desenvolvimento, que promove a integração entre o grupo e a Oficina do Olhar, que desperta conceitos de cidadania através da fotografia.

Terceiro Setor
Segundo dados divulgados pela Gazeta Mercantil, em 2002, o Terceiro Setor movimentou cerca de US$ 10 bilhões no país. Foram mais de 86 mil postos de trabalho gerados somente pelas 400 maiores entidades brasileiras beneficentes, no ano de 2000, conforme revela o 5º Censo do segmento.

O Terceiro Setor é uma alternativa às ações governamentais e à geração de lucro no mundo empresarial. Apesar de ser a 10ª maior economia do mundo, o Brasil é o 69º no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. É através desse segmento que o “país dos contrastes” vem tentando reverter a situação e diminuir as diferenças sociais. Constituído de organizações sem fins lucrativos, o Terceiro Setor tem a finalidade de ajudar o Estado, que sozinho não consegue suprir a demanda de serviços sociais, devido ao grande crescimento da população de necessitados.

ONGs, fundações, associações civis, unidades assistenciais e voluntários têm realizado trabalhos com crianças, jovens e idosos, que tem feito a diferença nas comunidades onde atuam. O Ação Forte é apenas um dos exemplos de boa vontade, dedicação e resultado.

 

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