Alfabetização Solidária em Cabo Verde

Nova fase consolida resultados do trabalho desenvolvido pela ONG brasileira desde 2002, que já atendeu cerca de três mil jovens e adultos cabo-verdianos excluídos do sistema formal de ensino

A Alfabetização Solidária está desenvolvendo mais uma missão internacional, com o objetivo de intensificar seu trabalho além das fronteiras brasileiras, em prol da diminuição dos índices de analfabetismo e da fomentação de novas oportunidades de EJA - Educação Continuada para Jovens e Adultos. A ONG é a única da área educacional convidada a integrar a comitiva ministerial brasileira em visita a Trinidad & Tobago e alguns países da África até 19 de janeiro. A missão, chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pretende estreitar as relações entre o Brasil e os países visitados, por meio da assinatura de alguns acordos de cooperação técnica bilateral, especialmente nas áreas da Educação e Saúde.

A superintendente adjunta da Alfabetização Solidária, Juliana Opipari, e o ministro Celso Amorim assinaram no dia 14, na cidade de Praia, capital de Cabo Verde, o termo de implantação da III Fase da Alfabetização Solidária no país. O projeto integra o conjunto das principais iniciativas do governo brasileiro na área educacional e propõe a transferência de metodologias, suporte técnico e troca de experiências entre Brasil e Cabo Verde. Na mesma cerimônia, foram assinados também acordos pelos quais o Brasil se comprometerá a apoiar a criação da primeira universidade pública cabo-verdiana e a instalação de um centro de formação profissional naquele país.

Alfasol em Cabo Verde
A nova fase do trabalho da Alfasol em Cabo Verde consolida os resultados das fases anteriores e incrementa o trabalho desenvolvido desde 2002 pela entidade. Única organização não-governamental a trabalhar na educação de jovens e adultos de Cabo Verde com o apoio do governo brasileiro, através da Agência Brasileira de Cooperação, a Alfabetização Solidária já atendeu cerca de três mil jovens e adultos cabo-verdianos, em cerca de cem salas de aula - 64 na capital Praia e outras 36 na cidade de Mindelo.

Para o sucesso do projeto, a parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tem sido fundamental. Além do repasse da metodologia, adequada às características e necessidades de Cabo Verde, a Alfasol e as universidades parceiras capacitam os alfabetizadores, visitam periodicamente o país, acompanham o desempenho local dos módulos de aulas e se reúnem periodicamente com a coordenação nacional do projeto.

Pelo termo de implantação da fase III, a Alfabetização Solidária dará sustentação à continuação do atendimento às cem salas de aula do projeto, fazendo a capacitação continuada dos cem alfabetizadores cabo-verdianos, apoiando a adaptação do material didático às necessidades locais e promovendo a capacitação da equipe de gestão cabo-verdiana, que deve fazer nova visita ao Brasil em 2005.

Experiência em outros países
O início do trabalho internacional da Alfasol se deu em novembro de 2000, no Timor Leste. No segundo semestre de 2001, a experiência da entidade brasileira chegou também a Moçambique e a São Tomé e Príncipe, países africanos de língua portuguesa. No segundo semestre de 2002, a Alfabetização Solidária foi adotada como Programa Nacional de Combate ao Analfabetismo em Cabo Verde. Em 2003 chegou à Guatemala, primeiro país de língua espanhola a adotar a Alfabetização Solidária.

Prêmios recebidos
O empenho em diminuir os índices de analfabetismo e fomentar a EJA, inclusive além das fronteiras brasileiras, tem garantido à Alfasol reconhecimento internacional constante. Em 2004, a entidade recebeu o prêmio Innovemos - Rede de Inovações Educacionais para a América Latina e o Caribe, que prevê a difusão pela Unesco das metodologias e resultados da Alfasol entre os demais membros da rede - outros 14 países da América Latina e Caribe. E em maio passado, a Alfabetização Solidária recebeu o Rei Sejong, concedido pela Unesco pelo trabalho da Alfasol na educação e alfabetização de jovens e adultos, "em benefício de populações urbanas e rurais, estimulando a participação das mulheres em geral e tentando chegar às áreas mais pobres e isoladas".

A Alfabetização Solidária é uma organização não-governamental, criada em 1997 com objetivo reduzir os altos índices de analfabetismo e ampliar a oferta pública de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil. Com o apoio de 144 empresas parceiras que investem em educação e de 209 instituições de ensino superior, e contando ainda com o trabalho de 210 mil alfabetizadores capacitados, a Alfabetização Solidária chegou ao final de 2004 totalizando 4,9 milhões de alunos, jovens e adultos, atendidos em 2.050 municípios brasileiros.

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