Colégio cria projeto para alunos despertarem sua consciência sobre consumismo e planejamento econômico

Projeto Salário Mínimo é aplicado na aula de história e tem o objetivo de fazer os estudantes compreenderem as reais possibilidades do salário mínimo

Característica vergonhosa de nosso país, o abismo na desigualdade social é uma ferida crônica que acompanha o Brasil desde a colonização e que hoje nos faz ter uma das piores distribuições de renda do mundo. Obrigadas a adaptar-se a baixíssimas condições salariais, muitas famílias brasileiras têm de viver com apenas um salário mínimo.

Foi com o objetivo de trazer essa dura realidade aos seus alunos que o Colégio Domus Sapientiae, localizado no Itaim, zona sul de São Paulo, criou o Projeto Salário Mínimo, voltado aos estudantes de 7ª e 8ª séries.

O projeto, que está sendo coordenado pelo professor de história Fernando Castilho em parceria com a professora de matemática Luiza Serafini e Daniela Nagano, de geografia, tem dois objetivos. Um é o de trazer para a realidade dos alunos, que vêm de uma classe social elevada, quais são as possibilidades de uma família que sobrevive com o salário mínimo. A outra é a de relacionar esse projeto à aula de história, já que os alunos estão estudando o período do governo Vargas, presidente que instituiu o salário mínimo no Brasil.

No Salário Mínimo, os alunos se dividem em dois grupos e trabalham em duplas. A um dos grupos será conferida a quantia imaginária de três salários mínimos e ao outro dez. Os alunos têm que criar, em forma de redação, uma biografia de uma família virtual formada por pai, mãe e um filho de até três anos. Ao mesmo tempo em que analisam as limitadas possibilidades dessas famílias com relação a seus gastos e prioridades, eles entregam periodicamente planilhas de custos relativas aos consumos e benefícios sugeridos pelo professor Fernando Castilho.

Quinzenalmente, o educador cria problemas para os alunos relacionados à realidade brasileira como aumento de aluguel, despesas domésticas, gastos com medicamentos, transporte e outros custos de ordem diária que angustiam principalmente as classes sociais mais baixas.

Com essa didática, o Colégio Domus Sapientiae está promovendo o despertar da consciência sobre consumo e consumismo e capacitando os alunos para valorizar o trabalho e o uso do dinheiro. Da mesma forma, os alunos têm que se adaptar à realidade da grande maioria do povo brasileiro, sendo estimulados a refletirem sobre o padrão de vida que têm e as dificuldades e possibilidades das famílias de baixa renda, além de aprenderem sobre a importância do planejamento econômico na vida profissional e familiar.

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