Alfabetização digital ao alcance de todos

Pesquisas comprovam que alunos que não têm acesso à computadores demonstram desempenho escolar menor. 90% da população mundial fica à margem da revolução tecnológica. No Brasil, 89% da população engrossa a categoria dos excluídos digitais. Os números e as pesquisas estão aí para comprovar também que a inclusão digital é elemento fundamental da educação e que exclusão digital e social têm que ser tratadas conjuntamente.

Esse quadro só estará normalizado quando uma política de inclusão for aplicada no país, de norte a sul, obedecendo às características de cada região. Muito mais do que doar computadores é preciso habilitar, educar e incentivar os cidadãos para que utilizem esses recursos. Enquanto isso, ações isoladas da sociedade vão fazendo o seu trabalho de formiguinha no sentido de diminuir a distância entre essa multidão de excluídos e o mundo da tecnologia.

O Colégio I.L.Peretz, localizado na Vila Mariana, acredita que as escolas particulares têm um papel a desempenhar para o desenvolvimento do cenário da educação no país. Há cinco anos, essa instituição realiza um trabalho de alfabetização digital com a Escola Municipal Campos Salles, que fica na região de Heliópolis.

O projeto nasceu da necessidade, de um lado, de colocar os alunos do Peretz em contato com realidades socioeconômicas diferentes, e de outro, de dar a oportunidade a jovens de Heliópolis de acesso a conhecimentos de informática, quesito indispensável no cenário atual. São oficinas que acontecem semanalmente, em que alunos de 8a série do Peretz trabalham como professores voluntários dos jovens de Heliópolis, dando noções básicas de Word, Excel, PowerPoint e FrontPage.

"Este ano, uma turma de aprendizes já está se preparando para, em 2006, transformar-se realmente em multiplicadores em sua comunidade", conta Cleide Muños, professora do Peretz. "Dentre os alunos que passaram pela Oficina de Informática, já temos um estagiário na Caixa Econômica Federal e um outro que é funcionário aprendiz aqui mesmo no colégio" continua. "Porém, o mais importante é que a primeira turma da oficina está hoje no 3º ano do Ensino Médio e nenhum de seus alunos envolveu-se com a marginalidade, continuam estudando. Isso eu considero uma grande vitória", comemora a educadora.

O projeto evoluiu também para a criação de um site que já está em fase de finalização. "Sentimos a necessidade de criar um espaço onde a comunicação pudesse acontecer com mais freqüência, em que os alunos discutissem questões de interesse das duas comunidades", explica Cleide Muñoz, coordenadora de informática do Peretz.

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