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Qualificação
abre oportunidades para índios artesãos do sul da Bahia A produção e a comercialização de artesanato indígena na região de Porto Seguro vai ganhar novo impulso. Além do Sebrae e da Prefeitura Municipal, que há seis anos apóiam o trabalho dos pataxós da aldeia Barra Velha, até o fim de fevereiro outras instituições vão integrar-se ao projeto. Com isso, o trabalho desenvolvido será integrado à Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor), metodologia que monitora e mede resultados de projetos apoiados por Sebrae e parceiros. O gestor responsável pelo projeto de apoio ao artesanato indígena pela Agência do Sebrae na Costa do Descobrimento, Antônio Robson Araújo, informa que vão ingressar no projeto a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Porto Seguro, além do próprio Sebrae e da empresa Veracel, da área de papel e celulose. "Cada um desses parceiros terá responsabilidade por um leque de ações relacionadas com as suas competências", explica. A partir da entrada dos novos parceiros, um dos resultados a serem alcançados é conseguir que cada artesão atinja uma renda mínima de um salário mínimo por mês com a atividade. Hoje, esse valor varia entre R$ 150 e R$ 200 mensais. "Pode parecer pouco, mas já é importante para quem vive da agricultura e pesca de subsistência e praticamente só obtém dinheiro em espécie com a venda do artesanato", diz o gestor. Abertura para o
mercado Apreensivos quanto ao futuro da atividade e a sobrevivência das famílias, há seis anos representantes da aldeia Barra Velha recorreram à Agência do Sebrae na Costa do Descobrimento, em Porto Seguro. Iniciou-se, então, um diagnóstico das potencialidades do artesanato indígena para organizar a atividade de forma sustentável do ponto de vista econômico e ambiental. Em 2004, surgiu a Associação dos Artesãos da Aldeia-Mãe Barra Velha. O fortalecimento do associativismo entre os pataxós da Aldeia Barra Velha foi o primeiro passo para organizar a atividade. Depois vieram as capacitações do Sebrae, que levou à aldeia cursos como Técnicas de Venda, Liderar, Desenvolvimento Interpessoal e Qualidade no Atendimento. Além disso, o trabalho em conjunto aumentou não só a capacidade de atender pedidos como também contribuiu para uniformização e melhoria das peças. "Houve muitas mudanças positivas depois que o Sebrae começou a trabalhar aqui. Primeiro, deixamos o artesanato de madeira, que tinha impacto ambiental, e nos dedicamos ao artesanato com as sementes. Depois a gente começou a se organizar para produzir mais e melhor e assim conseguimos abrir outros mercados", diz o índio Cosme Brás dos Santos. Atual presidente da Associação dos Artesãos da Aldeia-Mãe Barra Velha, Txuí, como é conhecido na comunidade indígena, teve papel importante na conscientização dos índios para que decidissem aderir ao projeto. Hoje, cerca de 30 famílias trabalham diretamente na associação. Mercados A organização da atividade também permitiu que todas as peças distribuídas pela Secretaria Municipal de Turismo de Porto Seguro e mesmo as peças comercializadas diretamente pelos índios da associação tivessem etiqueta, onde é descrita a história do artesanato na aldeia. A etiqueta tem as logomarcas da própria associação, da Secretaria de Turismo e do Sebrae. "Passamos a trabalhar as peças na ótica das biojóias, ou seja, agregando valor, design, tratamento de matéria-prima e, principalmente, os valores culturais da tribo e dos índios da região", explica Antônio Robson. Combate aos fungos A professora da UnB e doutora em fitopatologia, Denise Vilela de Rezende, começou a transferir técnicas para conservação das sementes. "Fizemos um diagnóstico dos problemas que atingiam as sementes e os insumos como as da mata nativa utilizadas nas peças", diz a pesquisadora. Outra iniciativa que deu fôlego à atividade foi a de manejo ambiental com noções de como coletar sementes como tendocarolina e pari - ambas de coloração vermelha, além do sabão de macaco e salsa de praia - essas duas de coloração preta. "Tivemos o cuidado de levar aos artesãos ações sobre como colher as sementes na época certa para garantir a continuidade da atividade", diz o gestor Antônio Robson. Uma parceria com a empresa Veracel permitiu implantar um viveiro com mudas de árvores nativas da Mata Atlântica. Em breve, essas mudas serão transportadas para uma área de proteção ambiental dentro da própria aldeia de Barra Velha. Com o ingresso de novos parceiros no projeto de apoio ao artesanato indígena na região de Porto Seguro, o trabalho deve ser estendido às aldeias de Boca da Mata e Coroa Vermelha, vizinhas à Barra Velha. "Essas aldeias participaram do início do projeto, mas não houve a mobilização necessária entre a comunidade. Agora, com os avanços obtidos por Barra Velha, as pessoas estão mais conscientes dos resultados que certamente virão", assinala Antônio Robson. Fonte: Agência Sebrae de Notícias - Rodrigo Rievers |
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