AIDS - Prevenção também se ensina na escola

Escolas desenvolvem atividades independentes
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Postura dos professores diante do problema é fundamental
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Segundo dados do Ministério da Saúde (Boletim Epidemiológico ago/99), o Estado de São Paulo concentra 49% dos casos de AIDS entre jovens no Brasil. Esse e outros dados, que dizem respeito ao uso de drogas lícitas e ilícitas, levaram, em 1996, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, em parceria com a Secretaria de Saúde, a criar o Projeto Prevenção Também se Ensina.
Sob coordenação da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, órgão ligado à Secretaria da Educação, o Projeto utilizou-se da estrutura da rede de ensino público fundamental e médio para tratar a Prevenção como um tema transversal, estratégia que traz o assunto em questão para dentro da proposta pedagógica da escola, faz com que ele seja assumido por todos os professores, de todas as disciplinas.
O objetivo do Projeto é muito claro - capacitar educadores para que os mesmos funcionem como agentes de prevenção, levando o tema para discussão em sala de aula e na comunidade, a fim de diminuir a vulnerabilidade de crianças e adolescentes às DSTs, à AIDS e ao uso abusivo de drogas. Segundo Nivaldo Leal dos Santos, coordenador do projeto na FDE, "a idéia não é trabalhar o contra valor (drogas), mas sim o valor (vida saudável)". A estratégia não é a de combate às drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas (como o álcool e o cigarro), mas sim a de valorização de uma vida saudável, o que envolve inclusive a valorização do sexo seguro. Não se trata de reprimir, mas sim de informar. E a escola está aí para isso mesmo.
Escolas desenvolvem atividades independentes

Inicialmente, o Projeto contratou 55 profissionais com experiência na área de Prevenção para fazerem os treinamentos nas Diretorias de Ensino. Esses treinamentos consistiram em oficinas de 80 horas/aula ministradas para Dirigente, Supervisor de Ensino e ATPs das DEs, além de Diretor, Coordenador Pedagógico e um professor interessado de cada escola da região. Nessa fase inicial, foram focadas 100% das escolas em regiões com maior incidência de DSTs. As demais regiões foram treinadas parcialmente, ficando a cargo das Oficinas Pedagógicas de cada DE o treinamento do restante das escolas, até porque tais Oficinas existem justamente com a função de promover reciclagem de conhecimentos nos professores da rede pública.
A partir daí, cada DE assumiu a proposta, e os educadores treinados pelas Oficinas passaram a desenvolver atividades independentes. Esse é outro fator importante. As escolas são livres para escolher os métodos de trabalho e as prioridades de prevenção, têm autonomia para realizar parcerias locais e definir formas de abordagem. À Secretaria de Educação coube o papel de sugerir propostas de trabalho e material didático, que podem ou não ser usados pelas escolas, desenvolver programas de educação a distância, e promover ações de manutenção e encontros de avaliação. Alguns eventos muito interessantes foram realizados, como o Concurso a Arte da Prevenção (set/98) que levou para a estação República do Metrô trabalhos artísticos a respeito do tema, de estudantes de todo o Estado.
Postura dos professores diante do problema é fundamental

A independência das escolas foi proposital, a fim de dar ao projeto um caráter de permanência. Não é uma ação isolada que acontece em uma determinada época do ano letivo, mas um hábito incorporado que envolve mudanças de postura dos professores frente às questões sexo e drogas. De todas as maneiras, é bom saber que Prevenção Também se Ensina já atingiu 71% da rede escolar, 2.700.000 alunos e se expande e consolida cada vez mais, graças ao emprenho dos educadores nele envolvidos e à intenção de educar os adolescentes de forma completa, qualificando suas decisões frente à vida e aos problemas que ao longo dela encontrarão.