MEC/Unesco lançam livro que aponta os problemas do ensino médio

Os três principais problemas das escolas de ensino médio no Brasil são a falta de interesse, a indisciplina dos alunos e a falta de espaços, segundo pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com alunos e professores de 13 capitais brasileiras. O resultado dessa análise transformou-se no livro Ensino Médio: Múltiplas Vozes, lançado dia 29 de abril, no auditório do Ministério da Educação. O Ministro da Educação disse que os jovens entre 16 e 24 anos que já saíram ou estão prestes a sair da escola, não voltarão a ela se a escola continuar oferecendo apenas o ensino tradicional. Afirmou, ainda, que o caminho é oferecer algo de lúdico para os jovens, um tipo de inclusão que lhes dê cinco coisas, que podem ser simbolizadas em objetos: artes (violão), formação (computador), mística nacional (bandeira), dinheiro (bolso) e a prática do desenvolvimento corporal (bola). Além disso, ele acredita que não seja possível "fazer uma nova escola sem ouvir os jovens. "

O MEC vai realizar, também, nos dias 5 e 6 de junho, um encontro para debater o tema "O que devemos fazer pelos jovens?". Estarão presentes o secretário de Educação Média e Tecnológica, Antônio Ibañez, o presidente da União Nacional dos Estudantes, Felipe Maia, o pesquisador da área de Educação, Cláudio Moura Castro, e o jornalista Gilberto Dimenstein, entre outros.

Pesquisa - O livro Ensino Médio: Múltiplas Vozes traz uma radiografia detalhada da atual situação do ensino médio no País, desde a infra-estrutura das escolas, os diferentes espaços físicos, como banheiros, pátios, salas, laboratórios, bibliotecas e quadras de esportes, aos recursos humanos e pedagógicos, a reprovação e a repetência, a extensão da exclusão digital. É a maior pesquisa realizada sobre o assunto na América Latina, inovadora também por combinar o registro de fatos com opiniões, avaliações e percepções de professores e alunos.

Foram ouvidos 50.740 estudantes de 673 escolas (329 públicas e 294 privadas) de Rio Branco, Macapá, Belém, Teresina, Maceió, Salvador, Cuiabá, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, locais com grande concentração de matrículas no ensino médio. Um total de 7.020 professores também foram ouvidos. Participaram da pesquisa qualitativa cerca de 2.000 pessoas entre professores, diretores de escolas e supervisores/orientadores.

De acordo com os dados apresentados, mais da metade dos alunos do ensino médio não têm acesso a computador em suas residências. Em muitas cidades, chega a mais de 40% a proporção de professores sem esse acesso. Em muitas cidades, particularmente em escolas públicas, os professores não dispõem de computadores na escola (cerca de 30% dos casos), variando conforme a capital.

Os dados mostram, ainda, que existem professores que concluíram apenas o ensino médio, sem a modalidade normal que o habilite para o exercício do magistério. Outros admitem não ter domínio sobre os conceitos e os objetivos principais da reforma do ensino médio. Na maioria das cidades os professores se declararam insatisfeitos com seus salários. Segundo o livro, a reprovação é maior entre os alunos do turno da noite. Os números de repetência são altos. Em algumas capitais, cerca de metade ou mais dos alunos declaram que já repetiram o ano: Teresina (57,2%), Salvador (57%), Belém (56,5%), Macapá (54,1%), Rio Branco (52,5%), Belo Horizonte (48,9%) e Maceió (48,1%). No lançamento do livro estiveram presentes, além do ministro Cristovam Buarque; o secretário Antônio Ibañez; o diretor da Unesco no Brasil, Jorge Werthein; as coordenadoras da pesquisa, Miriam Abramovay e Mary Garcia Castro; a vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara Federal, deputada Raquel Figueredo, dentre outras autoridades

(Imprensa - MEC)

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