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Cresce
a presença feminina em todos os níveis do ensino
A
presença das mulheres é crescente em todos os níveis
de ensino no Brasil. Elas se consolidam como maioria a partir do ensino
médio, dominam a graduação e detêm o maior
número de bolsas de mestrado e doutorado, segundo o estudo Trajetória
da Mulher na Educação Brasileira, lançado dia 07/03,
no Ministério da Educação.
O trabalho, realizado
pelo Inep e pela SPM, é um dos resultados do Plano Nacional de
Políticas para as Mulheres, lançado em 2004 pela secretaria.
Entre as reivindicações do plano estão a elaboração
e a publicação de estudos e dados sobre a situação
da mulher na sociedade brasileira.O estudo reúne diversos dados
sobre as mulheres na educação, colhidos pelo Inep de 1996
a 2003, por meio do Censo Escolar, do Censo da Educação
Superior, dos exames nacionais aplicados aos estudantes de educação
básica e superior e cadastros de instituições e
cursos. Conforme Eliezer Pacheco, a publicação visa a
ampliar as possibilidades de análise da trajetória da
mulher na educação brasileira para auxiliar na transformação
da realidade educacional das mulheres.
Dados
O número de matrículas do sexo feminino na educação
infantil cresceu 48,1% entre 1996 e 2003, enquanto as matrículas
do sexo masculino aumentaram 52,5%. As regiões Sul e Sudeste
apresentaram os maiores índices de elevação, em
ambos os sexos. Na Região Sul, o crescimento feminino foi de
64,3%; o masculino, de 67,9%. Na Região Sudeste, o número
de mulheres aumentou 65,9%; o de homens, 69,0%. A Região Nordeste
apresentou os menores índices de crescimento - 23,6% para mulheres
e 25,5% para homens.No ensino fundamental, as matrículas das
mulheres cresceram 2,25%; as dos homens, 5,63%. A proporção,
que era de 97,8 meninas para cada cem meninos em 1996, baixou para 94,7
em 2003, o que levou os organizadores da publicação a
concluir que há uma relação desigual entre os sexos.
Segundo dados do
Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Básica, (Saeb), as meninas da oitava série vão
melhor em língua portuguesa, enquanto os meninos se sobressaem
em matemática.
Maioria
Em 2003, a população brasileira chegou próximo
dos 174 milhões, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). Os homens são 48,8%; as mulheres,
51,2%. Isso significa que há no Brasil 4.250.434 mulheres a mais
do que homens (maioria de 2,4%). Porém, quando se observa a população
masculina e feminina por grupos de idade, constata-se a superioridade
numérica masculina na faixa etária até 19 anos,
que varia em torno de 2%.
Na faixa a partir
dos 20 anos, os números se invertem. Até os 19 anos, os
homens constituíam 50,4% do total em 1996 e 50,9 % em 2003. Dos
20 anos em diante, passaram a constituir 47,6% em 1996 e 47,5% em 2003.
A diferença em favor das mulheres chega próximo aos 4%
na faixa de 40 a 59 anos.
Retorno
O ensino médio apresenta dados surpreendentes. O crescimento
das matrículas foi de 58% para ambos os sexos, no período.
Considerando que a população brasileira cresceu apenas
4,3% no grupo de 15 a 19 anos, os índices indicam não
apenas o aumento no tempo de estudo da população jovem,
mas ainda um retorno de grupos de mais idade à escola. A partir
do ensino médio, as mulheres apresentam uma superioridade numérica
em relação aos homens. Em 2003, o índice de matrículas
é de 54,0% para elas e de 46,0% para os homens.
Nesse
nível de ensino, as estudantes com menos de 17 anos são
melhores em redação (nota média de 61,1, contra
58,6 dos meninos). Na parte objetiva, as meninas da mesma idade ficam
com 54,3 e os meninos, com 59,7. As alunas de 17 a 22 anos têm
média de 59,6 a 52,2, enquanto os alunos conseguem de 57,1 a
49,4. Na parte objetiva, as meninas saíram-se com notas de 51,1
a 42,5; os meninos, de 56,6 a 47,5.
Com mais de 22 anos,
as mulheres tiveram média 51,3 na redação; os homens,
49,8. Na objetiva, as mulheres chegaram a 41,5 e os homens, a 47,6.Conforme
a publicação, do ponto de vista dos estudos de gênero,
é preciso discutir os resultados por meio de estudos que questionem
as diferenças percebidas entre as aptidões de homens e
mulheres, qual a importância do direcionamento profissional e
cultural diferenciado a partir da infância, como efetivamente
são apresentados os conteúdos programáticos na
escola e o que efetivamente avaliam os instrumentos de avaliação.
Graduação
A pesquisa mostra um grande salto quantitativo tanto para homens quanto
para mulheres em termos de graduação. O índice
de crescimento feminino, no entanto, foi mais alto. A diferença
entre os sexos, que era de 8,7% em 1996, a favor das mulheres, passou
para 12,8% em 2003. O crescimento foi observado em todas as regiões,
com destaque para as regiões Norte (de 3,9% para 21,2%) e Centro-Oeste
(de 15,8% para 19,9%).
Segundo os dados
do Censo da Educação Superior de 2003, os cursos com maior
percentual de mulheres foram serviço social e orientação
(93,8%), fonoaudiologia (92,9%), nutrição (92,8%) e secretariado
(92,6%). Entre os homens, estão mecânica (92,1%), construção
e manutenção de veículos a motor (91,8%), transportes
e serviços (88,1%) e eletrônica (88,1%).
A participação
das mulheres na educação superior surpreende não
apenas pelo número de matrículas de graduação,
mas também pela crescente presença no corpo docente, nos
níveis mais elevados de titulação. Enquanto o número
de professores homens cresceu 67,9% de 1996 a 2003, o de professoras
aumentou em 102,2%.
De 1998 a 2003,
o percentual de mestres na educação superior aumentou
em média 112,1%. O crescimento do número de mestres homens
ficou abaixo da média (106,1%), enquanto o de mulheres foi de
119,4% - mais de 7% acima da média. O mesmo pode se afirmar sobre
a participação feminina entre professores com doutorado.
No mesmo período, o crescimento global foi de 80,9%. O de docentes
homens ficou em 69,2%; o de docentes mulheres chegou a 104% - aproximadamente
24% acima da média global e 35% acima da média masculina.
Dados
de 2005 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (Capes/MEC) mostram que as mestrandas e doutorandas
são maioria entre os bolsistas (54%). Entre os homens, o percentual
é de 46%. As mestrandas são 54,4% e as doutorandas, 53,7%.
No corpo docente, o predomínio ainda é masculino, principalmente
na engenharia e nas ciências agrárias. A presença
das mulheres é mais expressiva nas áreas de lingüística,
letras, artes e ciências humanas.
Políticas
O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres contém
199 ações, distribuídas em 26 prioridades, definidas
na 1ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres.
Na área da educação, o plano permitirá a
redução do analfabetismo entre as mulheres, principalmente
entre aquelas com idade acima de 45 anos, negras e índias. Possibilitará,
também, o combate à violência doméstica e
sexual contra a mulher. Em seu capítulo 2, Educação
Inclusiva e não Sexista, o plano apresenta políticas de
educação para a igualdade de gênero destinadas a
melhorar a qualidade do atendimento educacional, a valorização
profissional, o aumento das taxas de matrícula feminina em todos
os níveis e modalidades de ensino e a promoção
de ações afirmativas para público específico.
Entre
os objetivos do plano de ação estão a incorporação
da perspectiva de gênero, raça, etnia e orientação
sexual no processo educacional formal e informal, a garantia de um sistema
educacional não discriminatório, que não reproduza
estereótipos de gênero, raça e etnia, e a promoção
do acesso à educação básica de mulheres
jovens e adultas. Até 2007, pretende-se reduzir em 15% a taxa
de analfabetismo entre mulheres acima de 45 anos e aumentar em 12% a
freqüência de crianças até seis anos em creches
ou pré-escolas na rede pública.O plano também pretende
valorizar iniciativas culturais das mulheres, estimular a difusão
de imagens não-discriminatórias e não-estereotipadas
e selecionar livros didáticos e paradidáticos da rede
pública para garantir o cumprimento adequado dos critérios
de seleção referentes à não-discriminação
de gênero, raça, etnia e orientação sexual.
Também integram
as ações o apoio financeiro e a garantia de recursos adicionais
a estados e municípios que desenvolvam atividades educacionais
de promoção de eqüidade de gênero; a proposta
de inclusão das temáticas de gênero, raça,
etnia e orientação sexual nos currículos do ensino
superior; a incorporação de diretrizes relativas a gênero,
raça e etnia no âmbito da educação profissional
e tecnológica e o direcionamento da utilização
dos recursos destinados à educação básica
para a construção e a ampliação de novas
escolas de educação infantil, de creches e pré-escola
e promoção de campanha na mídia, com informações
referentes ao acesso à educação e sua importância
na vida das mulheres.
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