Escola aberta à comunidade reduz crime

A implantação do programa Escola da Família - que desenvolve atividades culturais e esportivas aos finais de semana - fez desmoronar as ocorrências de vandalismo e de violência nas escolas estaduais de Campinas. De acordo com estatísticas da Secretaria de Estado da Educação, as ocorrências dentro e nos arredores das escolas caíram 43,2% em Campinas e 39,5% em todo Estado. Estes números colocam no passado casos como o assassinato do estudante Diego Ferreira dos Santos, de 17 anos, morto em março de 2004 com dois tiros em frente à Escola Municipal Padre Domingos Zatti, no Parque Fazendinha.

A professora Cleo Fante, que pesquisa a questão da violência nas escolas e escreveu um livro sobre o tema, elogia o programa e explica que "quando a escola se torna um local onde o aluno pode se desenvolver plenamente, faz com que o aluno goste do espaço". Em Campinas, segundo as delegacias de Ensino, pelo menos 150 escolas estaduais abrem as portas nos finais de semana para receber a comunidade. Uma destas escolas é a Carlos Cristovam Zink, na Vila Boa Vista, que atende centenas de pessoas aos sábados e domingos. A diretora Maria do Carmo Navarro Ricardo conta que a unidade oferece cursos de inglês e informática, além de oferecer recreações como pintura, exibição de filmes e atividades esportivas. "Aqui tem poucas opções de lazer para a população e a escola acaba se tornando um local onde as pessoas se sentem à vontade", defende. Na avaliação da diretora da Delegacia de Ensino Leste de Campinas, Célia Ferreira, outro destaque deste programa é a possibilidade de profissionalização oferecida aos parentes dos alunos. "Muitas escolas oferecem cursos de artesanato e informática. Temos até padarias artesanais", salienta

Em todo o Estado, o Escola da Família acumulou mais de 140 milhões de participações múltiplas e atingiu a marca de 11 milhões de participações mensais. Todo o projeto envolve 5.306 educadores profissionais, 30 mil educadores universitários, mais de 40 mil voluntários, 5.306 diretores ou vice-diretores de escolas, 89 supervisores de ensino, 89 assistentes técnico-pedagógicos, 315 coordenadores de área e 89 dirigentes regionais de ensino.

Policiamento
O major Israel Pilmont, porta-voz da Polícia Militar em Campinas, salientou que a atuação da Ronda Escolar, que permite uma proximidade maior entre o policial e a comunidade escolar, e o Programa de Resistência à Violência e Uso de Drogas (Proerd) também contribuíram para a redução da violência. Pilmont destaca que no Proerd os policiais promovem cursos durante seis meses em cada escola conversando com os estudantes sobre violência e o uso de drogas.

Indice de ocorrências no Estado
Agressões físicas - 46,5%
Porte de drogas - 81%
Violência na vizinhança das escolas - 36%
Depredações - 34,6%
Pichações - 35,3%
Invasões - 37,2%
Furtos - 45,5%
Porte ilegal de arma - 38,1%

Carlos Gomes tem atividades todos os dias
A Escola Estadual (EE) Carlos Gomes, uma das mais tradicionais de Campinas, guarda em suas paredes parte da história da cidade. O prédio tem 84 anos e é, na avaliação da diretora Miriam Glaciete de Lazzari Schimizu, um orgulho para o campineiro. E é esse sentimento que a diretora está incutindo aos poucos em cada um de seus alunos. Para tanto, ela investiu em atividades extra-curriculares e expandiu o programa Escola da Família para toda a semana. "Participando ativamente da vida escolar, ele sente que a escola é dele e passa a cuidar", ensina.

Ela conta que conseguiu inibir a ação de pichadores internos usando um método muito eficaz. "Aqui o lema é: pichou, limpou", conta. Para identificar o autor da pichação, Miriam conta que usa métodos de Sherlock Holmes (personagem do famoso detetive inglês do século 19). "Nós vamos atrás do responsável pela pichação, porque não vamos acusar ninguém sem provas, Alguns são pegos com a boca na botija", brinca.

Agora, o desafio da diretora é levantar verbas para conseguir restaurar dois painéis pintados pelo pintor italiano Deserve há mais de 80 anos na entrada da escola. "Precisamos encontrar parceiros na iniciativa privada para podermos restaurar os painéis. Esse prédio é um monumento e merece uma atenção maior", defende a professora. Quem se interessar em ajudar pode ligar para o telefone (19) 3231.3033.


Fonte: Secretaria de Estado de Educação de São Paulo (por Patrícia Azevedo, da Agência Anhangüera)

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